Vacina da dengue do Butantan é suspensa temporariamente
Ministério da Saúde suspende temporariamente o uso da vacina da dengue no SUS após registro de reações adversas e investiga possível relação com o imunizante
- Publicado: 08/06/2026 18:05
- Alterado: 08/06/2026 18:50
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a interrupção temporária do uso da vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, segundo o ministro Alexandre Padilha, foi tomada após a identificação de 42 episódios de reações adversas consideradas mais severas, associadas temporalmente à aplicação da vacina da dengue.
Entre os casos, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes em investigação. O ministério afirma, no entanto, que ainda não há evidências suficientes para estabelecer relação causal direta entre os óbitos e a imunização.
As doses utilizadas somam 501.044 aplicações no SUS, sendo 417.432 destinadas a profissionais de saúde em todo o país e outras 83.612 aplicadas em ações de vacinação em Maranguape (CE), Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO).
Casos de reações adversas e investigações em andamento
De acordo com a pasta, foram registrados 3.703 casos com sintomas semelhantes aos da dengue após a imunização. A investigação se concentra principalmente nos eventos classificados como graves.
O Ministério da Saúde recomenda que as doses remanescentes da vacina da dengue permaneçam armazenadas sob refrigeração pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. Padilha reforçou que pessoas já imunizadas estão protegidas e orientou acompanhamento especial para profissionais vacinados nos últimos 21 dias.
Os três casos graves ocorreram em profissionais de saúde. Uma das mortes envolve uma mulher de 48 anos que apresentou dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação. O segundo caso é de um homem de 58 anos que desenvolveu febre cinco dias após a aplicação, evoluindo rapidamente para choque refratário. Já o terceiro caso é de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após a vacinação, foi internada em UTI e recebeu alta posteriormente.
Eficácia, contratos e perspectivas do imunizante
A Anvisa aprovou o imunizante no fim de novembro para pessoas de 12 a 59 anos. Os estudos indicam 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra casos graves e com sinais de alarme, além de 100% de eficácia contra hospitalizações. A proteção estimada dura até cinco anos.
O desenvolvimento envolveu 16 estudos clínicos de fase 1 nos Estados Unidos e fases 2 e 3 com cerca de 11 mil participantes. Todas as doses aplicadas no Brasil foram produzidas pelo Instituto Butantan.
Em dezembro, o Ministério da Saúde firmou contrato de R$ 367,95 milhões para aquisição de 3,9 milhões de doses, ao custo de R$ 94,35 cada, com entrega escalonada até agosto de 2027. Cerca de 1,3 milhão de doses já foram entregues ao SUS. A previsão do Butantan é alcançar 60 milhões de doses até o fim de 2027 em parceria com a WuXi Vaccines.
O SUS também aplica a vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, com esquema de duas doses. Segundo o Ministério da Saúde, já foram aplicadas 8 milhões de doses desse imunizante, e a expectativa é distribuir mais 9 milhões em 2026 e no ano seguinte.
O governo reforça que a decisão de suspensão não está relacionada a boatos ou desinformação. O diretor do PNI, Eder Gatti, afirmou que a medida é preventiva e busca aprofundar a análise de eventos raros. Ele destacou ainda que a eficácia da vacina da dengue não está em discussão.
A avaliação dos casos será conduzida por Ministério da Saúde, Anvisa, secretarias de saúde e Instituto Butantan. Não há prazo definido para conclusão da investigação.