União homoafetiva cresce 727% no Brasil de 2010 a 2022, diz Censo
Dados do IBGE mostram que país atingiu 480 mil lares formados por casais do mesmo sexo entre 2010 e 2022.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Brasil registrou um crescimento exponencial no número de união homoafetiva na última década. Conforme dados recentes do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um salto impressionante de 727% entre 2010 e 2022. O volume de casais do mesmo sexo saltou de 58 mil para 480 mil no período.
Embora o crescimento seja notável, essa configuração familiar ainda representa uma parcela minoritária do total de lares brasileiros, passando de 0,1% para 0,7% no período analisado. Os dados consideram pessoas com 10 anos ou mais, excluindo residentes em terras indígenas.
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Perfil dos Casais: Gênero, Raça e Formato
Os dados do Censo 2022 revelam um perfil detalhado desses lares. No último ano analisado, 58% das uniões eram formadas por mulheres e 42% por casais masculinos.
No que tange ao recorte racial, a maioria dos casais homoafetivos se identifica como branca (47,3%). Em seguida, aparecem pardos (39%) e pretos (12,9%).
A pesquisa também detalhou o tipo de união homoafetiva predominante. A maioria (77,6%) vive em uniões consensuais, que não são formalizadas em cartório (união estável ou casamento). O casamento civil formalizado responde por 13,5%, enquanto o civil e religioso soma 7,7%.
Escolaridade e Localização Geográfica
O Censo também traçou o perfil educacional e social. A maior fatia dos indivíduos (42,6%) possui ensino médio completo ou superior incompleto. Além disso, 31% dos indivíduos em união homoafetiva têm ensino superior completo.
Geograficamente, a união homoafetiva está mais concentrada no Sudeste, que abriga 48,1% desses casais. O Nordeste vem na sequência, com 22,1% dos registros.
Quanto à religião, 45% dos entrevistados identificaram-se como católicos, 13,6% como evangélicos e 21,9% afirmaram não ter religião.
A História por Trás dos Números
O avanço da aceitação da união homoafetiva reflete histórias reais, como a de Juliano Figueiredo e Gustavo Ferraz, que vivem em São Paulo e planejam o casamento para 2026. O casal se conheceu em 2023 pelo Instagram.
Juliano relata a rápida consolidação do relacionamento: poucos meses após o início, ele se mudou de Catanduva para a capital para viverem juntos. O pedido de casamento ocorreu em agosto do ano passado, no aniversário de Gustavo.
“Hoje somos quatro: eu, ele e nossos dois filhos de quatro patas: Elvis e Nico“, relata Juliano. “Estamos construindo uma vida repleta de amor e cumplicidade.”
O Contexto Legal da União Homoafetiva no Brasil
A formalização da união homoafetiva no país foi um marco legal importante. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reinterpretou o Código Civil, garantindo que casais do mesmo sexo fossem reconhecidos como entidade familiar, possibilitando a união estável.
Essa decisão histórica equiparou os direitos da união homoafetiva aos dos heterossexuais. Contudo, muitos casais enfrentaram dificuldades em cartórios que resistiam a oficializar o casamento. Para sanar a questão, em maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução que proíbe a recusa do registro civil por parte dos cartórios.