Genes da obesidade: 5 novos são descobertos em estudo
Estudo com 850 mil pessoas identifica variantes raras que podem triplicar o risco da doença.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Uma descoberta científica relevante pode mudar as estratégias globais de combate à obesidade. Pesquisadores da Pennsylvania State University identificaram 13 genes associados à obesidade, sendo que cinco deles são inéditos na literatura científica. A pesquisa, publicada na prestigiada revista Nature Communications, baseou-se em uma amostra massiva de 850 mil adultos com ancestralidades de diferentes continentes.
Os achados representam um avanço significativo para a medicina de precisão. Eles têm o potencial de impulsionar o desenvolvimento e a eficácia de novas terapias, como as medicações semaglutida e tirzepatida, que buscam tratar a condição de forma mais direcionada.
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O Panorama Genético da Doença
A urgência do tema é reforçada por dados recentes. Conforme o Atlas Mundial da Obesidade, divulgado em março deste ano, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo já convivem com a obesidade. Esse número alarmante pode superar 1,5 bilhão nos próximos cinco anos.
Santhosh Girirajan, professor de Genômica e líder do estudo, enfatizou a complexidade por trás dos genes da obesidade: “A obesidade é influenciada tanto por fatores genéticos quanto ambientais. Assim, a eficácia dos medicamentos dependerá da interação com a genética do paciente, o que afetará diretamente os resultados do tratamento”.

Os Cinco Novos Genes e Seus Impactos
A pesquisa, que durou cerca de dois anos, identificou especificamente os genes YLPM1, RIF1, GIGYF1, SLC5A3 e GRM7 como novos fatores nunca antes ligados à obesidade em investigações de variantes raras.
A presença desses genes demonstrou um impacto clínico severo: eles podem aumentar o risco de obesidade grave em até três vezes. Esse efeito é comparável ao de outros genes da obesidade (6) já consolidados na ciência, como o MC4R e o BSN.
Deepro Banerjee, estudante de pós-graduação e coautor do estudo, destacou uma das descobertas mais intrigantes: “YLPM1 é um fator de transcrição pouco explorado que se expressa em tecidos cerebrais e tem ligações com transtornos mentais”.
A Importância da Diversidade na Pesquisa
Os pesquisadores também investigaram como esses novos códigos genéticos se relacionam a comorbidades associadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e risco elevado de insuficiência cardíaca.
Para isso, utilizaram dados de dois bancos genéticos de grande escala: o UL Biobank do Reino Unido (450 mil registros) e o programa “All of Us Research Program” dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (385 mil participantes).
O estudo foi notável por abranger seis ascendências continentais — africana, americana, do leste asiático, europeia, do Oriente Médio e do sul da Ásia. Banerjee ressaltou que muitos estudos anteriores se concentraram predominantemente em populações de origem europeia, limitando a compreensão global dos genes associados à obesidade.
Girirajan concluiu com um alerta para a necessidade de ampliar o escopo da ciência: “Esperamos que futuros estudos genéticos sobre características complexas incluam amostras mais diversificadas de outras partes do mundo, como América Latina e Ásia“.