Trump ataca UE e desmonta pilares da diplomacia dos EUA

Trump exige que Europa assuma segurança e critica imigração; resposta de líderes europeus revela tensão nas relações EUA-UE

Crédito: RS/FotosPúblicas

A relação transatlântica, que por oito décadas foi a pedra angular da segurança global, vive seu ponto de maior tensão sob a administração do presidente Donald Trump. Em uma série de discursos e documentos oficiais, o mandatário tem exigido que os países europeus assumam uma maior responsabilidade pela segurança do continente, ao mesmo tempo em que profere críticas incisivas contra as políticas de imigração e os líderes da região.

O ápice dessa retórica foi a recente divulgação do novo documento de Segurança Estratégica Nacional (NSS), que apresenta uma visão contundente sobre a União Europeia (UE). O governo americano expressa a preocupação de que o continente poderá se tornar “irreconhecível” devido ao aumento do fluxo migratório. Mais alarmante, o NSS menciona abertamente a intenção de apoiar partidos políticos de extrema direita durante as próximas eleições nos países da região.

A centralidade da Europa na narrativa americana é inegável. Um estudo da consultoria de risco GZero revelou que os europeus são citados com o dobro de frequência em relação aos chineses no NSS, evidenciando que a UE é, atualmente, um foco de preocupação ou rivalidade para a gestão de Donald Trump.

Interferência e Críticas à “Fraqueza” do Bloco

Em resposta às declarações de Washington, António Costa, presidente do Conselho Europeu, denunciou a interferência dos Estados Unidos nas eleições europeias. Costa sugeriu que essa postura visa favorecer partidos nacionalistas e, em última instância, comprometer a soberania democrática da Europa.

As críticas não pararam no documento oficial. Em entrevista recente ao portal Politico, Donald Trump afirmou que a União Europeia é um “bloco fraco” e incapaz de lidar com seus próprios desafios. A Casa Branca já havia emitido comentários negativos em fevereiro passado, quando o vice-presidente JD Vance atacou as políticas europeias, argumentando que elas limitam a liberdade de expressão e falham no controle da imigração, além de sugerir que a Europa defende a Rússia.

Desconfiança gerada por Trump faz Europa reagir

Diante da pressão e da desconfiança gerada pela administração Donald Trump, a Europa está reagindo com ações concretas para assumir sua própria segurança. A especialista Emily Harding, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), observa que a administração americana está exigindo que a Europa administre sua própria segurança e, o mais crucial, arque com os custos dessa responsabilidade.

  • Aumento de Gastos: Países como Alemanha e Polônia têm intensificado seus investimentos militares.
  • Previsão: Os gastos dos países membros da UE com defesa devem atingir 381 bilhões de euros até 2025, um aumento significativo em relação aos valores de 2020. O plano ReArme Europe prevê, a longo prazo, um salto para 800 bilhões de euros.

O fortalecimento militar já é visível: o exército polonês iniciou ações para proteger instalações críticas de energia, e países como França e Bélgica estão promovendo mudanças no alistamento militar para atrair jovens.

Brustolin destaca que “a Europa realmente está se armando”, mas ressalta um detalhe que não agrada a Washington: o foco dos investimentos está na indústria militar interna dos países europeus, e não na aquisição de equipamentos americanos, indicando que o fortalecimento defensivo europeu ocorre de forma autônoma e estratégica.

O Risco de Romper Alianças

A crença central da política de Donald Trump é que uma União Europeia coesa pode ser uma barreira aos interesses americanos. Em várias ocasiões, ele alegou que o bloco foi criado para “prejudicar” os Estados Unidos economicamente.

Essa desconfiança mútua está forçando Bruxelas a reavaliar a parceria. Ian Bremmer, presidente da consultoria Eurasia Group, sugere que essa Estratégia de Segurança Nacional pode obrigar os líderes europeus a reconsiderarem se os EUA ainda são um parceiro confiável ou se estão emergindo como um potencial rival.

Brustolin alerta, por fim, que as consequências dessa nova estratégia podem ser prejudiciais para os interesses dos Estados Unidos, pois implica quebrar alianças históricas e essenciais. “Trump insiste em ideias cujas falácias já foram demonstradas por estudos e evidências”, conclui o especialista.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 11/12/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show