Teste genético reduz erro em remédios para TEA
O exame farmacogenético auxilia psiquiatras a identificar dosagens e medicamentos mais assertivos para sintomas associados ao TEA
- Publicado: 29/06/2026 15:22
- Alterado: 29/06/2026 15:22
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O manejo medicamentoso em crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um dos momentos de maior ansiedade para as famílias. Para mitigar o desgaste emocional da chamada “peregrinação terapêutica”, o ciclo exaustivo de testar fármacos até encontrar um eficaz, a psiquiatria infantojuvenil tem recorrido à medicina de precisão através dos testes farmacogenéticos.
O método analisa o DNA do paciente para prever como o fígado e o sistema nervoso vão metabolizar diferentes substâncias, indicando quais remédios tendem a apresentar maior eficácia ou maior risco de efeitos colaterais.
Quando a medicação se faz necessária?

Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e CEO da startup de biotecnologia GnTech, o tratamento farmacológico não visa “tratar o autismo” em si, mas sim modular as comorbidades severas associadas ao transtorno.
A introdução de remédios é recomendada quando os sintomas:
- Colocam em risco a integridade física da própria criança ou de terceiros (comportamentos autoagressivos ou crises severas de agressividade);
- Comprometem o desenvolvimento cognitivo e social básico;
- Inviabilizam o progresso de terapias essenciais (como fonoaudiologia e terapia ocupacional) devido a quadros extremos de ansiedade, hiperatividade ou epilepsia.
“O tratamento farmacogenético ajuda na escolha mais adequada para cada paciente, reduzindo efeitos adversos e evitando a peregrinação terapêutica, especialmente em crianças e adolescentes neurodivergentes. O objetivo nunca é substituir as terapias multifatoriais, mas dar estabilidade e qualidade de vida”, pontua o Dr. Guido.
A assertividade do mapeamento genético
Como cada organismo responde de forma única às dosagens químicas, o exame genético serve como um guia personalizado para o médico assistente. Ele mapeia as enzimas do paciente e divide os psicotrópicos em categorias de compatibilidade, otimizando o tempo de resposta do tratamento.
O especialista reforça que a tecnologia não substitui a avaliação clínica detalhada feita em consultório, mas qualifica a tomada de decisão médica, tornando o tratamento psiquiátrico de sintomas associados muito mais seguro, previsível e respeitoso às particularidades biológicas da infância neurodivergente.