Suor excessivo pode ser sinal de hiperidrose
Mesmo em dias frios, produção exagerada de suor pode comprometer a qualidade de vida; especialista explica quando buscar tratamento
- Publicado: 26/06/2026 16:38
- Alterado: 26/06/2026 16:39
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Rede D'Or
Enquanto muitas pessoas enfrentam mãos geladas e recorrem a roupas mais quentes durante o inverno, outras convivem com uma situação oposta: a transpiração intensa mesmo em baixas temperaturas, sem esforço físico ou calor. Embora pareça apenas um desconforto, esse quadro pode indicar hiperidrose, condição que atinge cerca de 3% da população e interfere diretamente na rotina.
O excesso de suor pode gerar constrangimentos em situações cotidianas, como evitar roupas claras por medo de manchas, deixar de cumprimentar pessoas com um aperto de mão ou enfrentar dificuldades para escrever e segurar objetos devido à umidade constante.
“Não estamos falando apenas de suor excessivo. A hiperidrose pode comprometer relações sociais, autoestima, desempenho profissional e até a saúde mental do paciente”, explica o cirurgião torácico do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, Dr. André Miotto.
O que é hiperidrose e quais são os principais tipos?
O suor é um mecanismo natural do organismo para controlar a temperatura corporal. No entanto, quando as glândulas sudoríparas produzem suor em quantidade muito acima do necessário, o quadro passa a ser considerado uma condição médica.
Ela pode ser classificada em dois tipos:
Primária: costuma surgir ainda na infância ou adolescência, sem relação com outras doenças. Normalmente afeta mãos, pés, axilas e rosto, podendo ser agravada por estresse ou emoções intensas.
Secundária: ocorre em decorrência de outras condições de saúde, como alterações na tireoide, infecções ou uso de determinados medicamentos.
“Muitas vezes recebemos pacientes encaminhados por pediatras que, após a confirmação do diagnóstico, podem ser direcionados para o procedimento de simpatectomia quando há indicação”, afirma o especialista.
Quando a cirurgia é recomendada?
Nem todos os pacientes precisam de intervenção cirúrgica. A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, da região afetada e do impacto causado na qualidade de vida.
A simpatectomia costuma ser indicada principalmente para casos de hiperidrose focal, especialmente quando o suor excessivo atinge mãos, axilas ou face e não há resposta satisfatória a tratamentos clínicos, como antitranspirantes específicos, medicamentos ou aplicações de toxina botulínica.
O procedimento é minimamente invasivo e atua diretamente nos nervos responsáveis pelo estímulo da transpiração exagerada.
“Utilizamos uma câmera cirúrgica para visualizar a região e instrumentos específicos para atuar no nervo responsável pelo estímulo do suor. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta em até 24 horas“, explica Miotto.
Segundo o médico, a técnica não interfere no metabolismo nem compromete a capacidade natural do organismo de controlar a temperatura corporal.
“Em muitos pacientes, a simpatectomia reduz significativamente ou elimina a necessidade de tratamentos contínuos, como medicamentos ou aplicações periódicas de toxina botulínica, que precisam ser reaplicadas ao longo do tempo”, destaca.
Apesar dos elevados índices de sucesso na redução da transpiração em mãos, axilas e face, existe a possibilidade de ocorrer a chamada sudorese compensatória, quando outras regiões do corpo, como costas, abdômen ou pernas, passam a produzir mais suor. Por isso, a avaliação médica individualizada é indispensável antes da indicação cirúrgica.
Tratamentos clínicos também podem controlar os sintomas
A cirurgia não é necessária para todos os pacientes. Em muitos casos, o controle do quadro pode ser obtido com abordagens menos invasivas, como:
- Antitranspirantes específicos;
- Medicamentos que reduzem a produção de suor;
- Aplicação de toxina botulínica.
“O diagnóstico correto é essencial para definir a melhor estratégia, já que cada tipo de hiperidrose exige uma abordagem diferente”, reforça André Miotto.
Localizado na zona Sul de São Paulo, o Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, oferece estrutura para atendimentos de alta complexidade, incluindo pronto-socorro, unidades de terapia intensiva e serviços cirúrgicos especializados.