Sabrina Carpenter acusa Casa Branca de agenda desumana

Sabrina Carpenter critica Casa Branca por uso de sua música em vídeo polêmico sobre imigração

Crédito: Divulgação

O cenário político e o mundo da música pop foram palco de um embate direto e contundente. A aclamada artista Sabrina Carpenter, reconhecida internacionalmente e detentora de um Grammy, expressou publicamente sua “extrema indignação” após a conta oficial da Casa Branca, na plataforma X (antigo Twitter), utilizar indevidamente sua canção de sucesso, “Juno“, como trilha sonora de um vídeo controverso. O clipe em questão exibia policiais realizando prisões e detenções ligadas a ações de imigração, desencadeando uma reação imediata e feroz da cantora.

A escolha da música, “Juno,” foi particularmente irônica, pois durante a turnê “Short and Sweet”, Sabrina Carpenter utiliza a canção em um número teatral e divertido, onde lança algemas felpudas cor-de-rosa para celebridades na plateia, simulando uma “prisão” em tom de flerte e humor. A Casa Branca, no entanto, subverteu essa referência lúdica para um contexto de repressão migratória, publicando o vídeo com a legenda “Você já experimentou este? Tchau tchau,” em uma clara alusão a deportações.

A reação de Sabrina Carpenter e o ataque da Casa Branca

A resposta da artista pop não demorou. Utilizando seu próprio perfil na plataforma X, Sabrina Carpenter criticou duramente a apropriação de sua obra e a instrumentalização de sua imagem, condenando o ato com veemência. “Este vídeo é maligno e repugnante. Nunca me envolvam, nem a minha música, para beneficiar a sua agenda desumana“, escreveu a artista, demarcando sua posição política e ética de forma inequívoca contra a política de imigração veiculada no vídeo.

A réplica oficial da Casa Branca, no entanto, elevou o tom da controvérsia de um debate sobre direitos autorais e consentimento artístico para um ataque pessoal direto. A porta-voz do governo emitiu um comunicado desafiando a cantora com uma linguagem extremamente agressiva.

“Aqui vai um recado curto e direto para Sabrina Carpenter: não vamos nos desculpar por deportar criminosos perigosos, assassinos ilegais, estupradores e pedófilos do nosso país. Qualquer pessoa que defenda esses monstros doentes deve ser estúpida, ou será que é lenta?”

A agressividade da declaração gerou manchetes globais, expondo a polarização política e a disposição da administração em confrontar figuras públicas influentes que discordam de suas táticas e políticas.

Histórico uso indevido de canções Pop

O episódio com Sabrina Carpenter está longe de ser um caso isolado e se insere em um padrão de apropriação de obras musicais por parte da administração atual. O governo tem historicamente recorrido a músicas populares em suas redes sociais para criar memes e vídeos com um tom leve ou de chacota, muitas vezes sem a devida autorização dos artistas.

Recentemente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) havia publicado um vídeo similar, mas utilizando a canção “All-American Bitch”, da também popstar e ganhadora de Grammy Olivia Rodrigo. Embora a trilha sonora tenha sido desativada no Instagram devido a questões de direitos autorais e políticas de uso da plataforma, o vídeo e a música permaneceram disponíveis no X por um tempo considerável.

Olivia Rodrigo também se manifestou severamente contra o uso de sua obra, publicando uma crítica incisiva: “Nunca usem minhas músicas para promover sua propaganda racista e odiosa”, conforme noticiado por grandes veículos como Billboard e Rolling Stone.

Em outro caso notório, a Casa Branca compartilhou um vídeo do presidente utilizando o áudio da canção “Hey Daddy (Daddy’s Home)” do cantor Usher. A publicação foi uma referência irônica ao secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que se referiu ao presidente Donald Trump como “papai” durante uma cúpula na Holanda, gerando um momento viral. Assim como em outros incidentes, esta publicação também foi desativada após uma denúncia formal do detentor dos direitos autorais.

A série de incidentes, com destaque para o repúdio de Sabrina Carpenter, levanta sérias questões sobre os direitos autorais, o uso de obras artísticas para fins políticos e a ética de comunicação nas redes sociais por parte de instituições governamentais de alto escalão. A postura da Casa Branca demonstra uma estratégia clara de abraçar a cultura de memes e a viralização, mesmo que isso signifique entrar em conflito direto com algumas das maiores estrelas do pop.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/12/2025
  • Fonte: FERVER