Rotas do Vinho ganha força em São Paulo e amplia turismo
Nova edição do programa chega a 87 atrativos em 38 municípios e reforça o vinho como motor de turismo, emprego e desenvolvimento regional
- Publicado: 27/03/2026 13:14
- Alterado: 27/03/2026 13:14
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Governo de SP
O Governo de São Paulo lançou nesta quinta-feira (26) a segunda edição do programa Rotas do Vinho de São Paulo, ampliando a presença do enoturismo em regiões produtoras e consolidando uma estratégia que vai além da promoção de vinícolas. A nova fase do projeto passa a reunir 87 atrativos ligados ao setor, com a entrada de 22 novos destinos, distribuídos em cinco rotas e 38 municípios paulistas.
Na prática, o avanço do programa Rotas do Vinho mostra como a produção de vinho vem deixando de ser apenas uma atividade agrícola ou gastronômica para ocupar um espaço mais amplo na economia do interior paulista. O setor passou a ser tratado como ativo de desenvolvimento regional, com capacidade de movimentar turismo, gerar empregos, atrair investimentos e ampliar a circulação de visitantes em cidades fora dos eixos tradicionais do Estado.
Coordenada pela Casa Civil e pela InvestSP, o Rotas do Vinho é desenvolvido em conjunto pelas secretarias estaduais de Agricultura e Abastecimento, Turismo e Viagens, Desenvolvimento Econômico e Cultura, Economia e Indústrias Criativas.
Vinho deixa de ser nicho e ganha peso econômico no interior

A nova edição do Rotas do Vinho ajuda a mostrar que o vinho paulista vem sendo incorporado a uma lógica mais estruturada de turismo de experiência, em que a visita à vinícola se conecta a gastronomia, paisagem, cultura local e permanência do turista nos territórios produtores. Esse movimento tem reflexo direto na economia das propriedades e das cidades envolvidas.
Levantamento do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), realizado em setembro do ano passado, indica que 73,7% das vinícolas participantes avaliaram os resultados do programa como positivos, enquanto 82% registraram aumento no número de visitantes, com crescimento médio de 27% no fluxo turístico. O estudo também aponta que o gasto médio por visitante chega a R$ 204, valor que ajuda a explicar o interesse crescente em transformar a atividade em vetor econômico mais consistente.
O dado é relevante porque mostra que o enoturismo não opera apenas como vitrine institucional. Ele gera consumo direto, amplia a circulação em propriedades rurais e fortalece pequenos e médios empreendimentos ligados à produção, à hospitalidade e à alimentação. Em um cenário de busca por novas vocações econômicas no interior, esse tipo de atividade ganha ainda mais peso.
Ao comentar a expansão do Rotas do Vinho, o secretário executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, afirmou que “o crescimento das Rotas do Vinho é resultado direto do trabalho e da dedicação dos produtores paulistas”, ao associar esse avanço à inovação, à qualidade da produção e à abertura de novas oportunidades para o turismo rural nas regiões produtoras.
Mais visitantes pressionam estrutura e aceleram investimentos

O crescimento do fluxo turístico também tem provocado uma mudança concreta dentro das vinícolas. À medida que mais visitantes passam a circular pelas propriedades, o setor é pressionado a investir em infraestrutura, atendimento e qualificação da experiência oferecida ao público.
Segundo o levantamento apresentado pelo governo, 92% das vinícolas já realizaram ou pretendem realizar melhorias estruturais, muitas delas impulsionadas justamente pelo aumento da demanda turística. O movimento envolve desde adequações físicas e expansão de áreas de recepção até a criação de experiências mais organizadas, como degustações guiadas, passeios pelos vinhedos e eventos culturais e gastronômicos.
Esse processo ajuda a consolidar uma mudança de chave importante: o vinho deixa de ser visto apenas como produto final e passa a ser também experiência turística, com potencial de fidelização e retorno econômico mais amplo. Isso também aparece no mercado de trabalho. De acordo com os dados do programa Rotas do Vinho, 67,9% das vinícolas afirmam estar contratando novos funcionários, o que mostra um impacto que vai além da cadeia produtiva tradicional.
Para o secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena, o momento também reflete a consolidação dos rótulos paulistas no mercado. Segundo ele, “os vinhos paulistas estão cada vez mais competitivos”, em um cenário em que a produção aumenta e o reconhecimento da qualidade do setor passa a ganhar projeção mais ampla.
Ciência, turismo e produção entram nas Rotas do Vinho

A agenda de lançamento da nova edição das Rotas do Vinho de São Paulo também buscou ampliar o debate em torno da atividade, conectando produção, ciência e posicionamento de mercado. A programação incluiu o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, que reuniu médicos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir evidências científicas relacionadas ao consumo moderado de vinho.
O encontro abordou temas como saúde cardiovascular, nutrição e hábitos de vida, em uma tentativa de aproximar o setor de um debate mais qualificado e menos restrito ao circuito comercial. A programação ainda prevê nesta sexta-feira (27) a realização da 1ª Feira do Vinho Paulista, voltada à apresentação de rótulos produzidos em diferentes regiões do Estado para produtores, profissionais do setor e público convidado.
Segundo a presidente da Câmara Setorial de Viticultura, Vinhos e Derivados do Estado de São Paulo, Célia Carbonari, “o setor vitivinícola paulista vive um momento de crescimento e reconhecimento”, em um processo que passa também pela ampliação da visibilidade dos vinhos produzidos no Estado e pela consolidação de novas conexões entre turismo, produção e circulação econômica.
No fundo, a expansão das rotas sinaliza que o vinho paulista deixou de ocupar apenas um espaço simbólico ou de nicho. Ele começa a ser tratado como peça de uma engrenagem mais ampla de desenvolvimento territorial, em que produção agrícola, turismo e economia local passam a caminhar na mesma direção.