Promotoria mira cinco anos de dados fiscais em operação de São Bernardo

Justiça autoriza quebra de sigilo de 34 investigados em esquema

Promotoria mira cinco anos de dados fiscais em operação de São Bernardo

Crédito: Polícia Federal apreende mais de R$ 12 milhões no apartamento de Paulo Iran

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal iniciaram uma investigação detalhada que envolve a análise de registros fiscais e bancários desde julho de 2020, relacionados a um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro vinculado à Prefeitura de São Bernardo do Campo.

No dia 14 de agosto o prefeito Marcelo Lima, do Podemos, foi afastado do cargo, assim como seu primo, Danilo Lima, presidente da Câmara Municipal. A operação também resultou no afastamento de um vereador e de vários servidores municipais, incluindo Paulo Iran Paulino da Costa, identificado pela Promotoria como um dos operadores do esquema.

Na última segunda-feira, 18, o grupo foi formalmente denunciado por práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com informações do Ministério Público, a Justiça acatou o pedido para quebrar o sigilo fiscal e bancário de 34 indivíduos e empresas implicadas na investigação.

A ação policial, denominada Operação Estafeta, resultou na execução de mandados em várias cidades da região metropolitana, incluindo São Paulo e Santo André. Embora a Justiça tenha negado o pedido de prisão preventiva de Marcelo Lima, foi determinada a imposição de tornozeleira eletrônica como medida cautelar.

Com o afastamento do prefeito, a sargento licenciada da Polícia Militar, Jessica Cormick (Avante), assumiu a prefeitura na sexta-feira seguinte ao afastamento. Essa transição ocorre em um contexto onde a cidade comemorou recentemente seus 472 anos de fundação.

Na mesma semana da operação, mais de R$ 3,2 milhões foram apreendidos em espécie pela Polícia Federal. Além disso, uma quantia adicional de R$ 14 milhões já havia sido confiscada anteriormente em julho de 2025 durante uma abordagem inicial que despertou as investigações atuais. A defesa de Paulo Iran Paulino da Costa afirmou que irá se manifestar nos autos do processo.

As apurações revelaram que a organização criminosa atuava através do recebimento ilícito de verbas provenientes de contratos firmados entre empresas e a prefeitura ou a Fundação ABC, abrangendo serviços nas áreas de coleta de resíduos, engenharia, tecnologia da informação e saúde.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo manifestou sua disposição em colaborar com as investigações, ressaltando que é interesse da gestão municipal que todos os fatos sejam esclarecidos. Em nota oficial, afirmaram que “o episódio não afeta os serviços na cidade”.

A Fundação ABC também se posicionou sobre os acontecimentos, expressando surpresa em relação à operação da PF e informando que não havia sido contatada pelas autoridades para prestar esclarecimentos. A fundação reafirmou seu compromisso com práticas éticas e contrárias a qualquer desvio do interesse público.

  • Publicado: 21/08/2025 13:35
  • Alterado: 21/08/2025 13:35
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS