Sarampo em SP: tire suas dúvidas e saiba como se proteger
Estado de SP alerta para a circulação do vírus. Entenda o calendário de rotina, as contraindicações e quem precisa da dose de reforço
- Publicado: 08/09/2026 18:50
- Alterado: 08/09/2026 18:50
- Autor: Thiago Quirino
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida rapidamente por meio de secreções eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Diante dessa facilidade de transmissão, a vacinação contra o sarampo desponta como a forma mais segura e eficaz de prevenir a doença, sendo a manutenção de altas coberturas vacinais a estratégia principal para evitar que o vírus continue circulando.
As doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o estado de São Paulo, sendo recomendado consultar os horários de atendimento do município e comparecer com um documento de identificação e a caderneta de vacinação.
Atenção aos sintomas do sarampo
Para que você possa identificar rapidamente a doença e saber como agir, é importante conhecer os principais sintomas do sarampo, que incluem:
- Febre alta e mal-estar intenso.
- Manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo.
- Tosse, coriza e conjuntivite.
Esses sintomas exigem atenção especial, pois a doença pode causar complicações graves como pneumonia, infecções de ouvido e inflamação no cérebro, afetando principalmente crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade. Em caso de suspeita, a pessoa deve evitar o contato com outras pessoas e procurar atendimento em uma unidade de saúde para avaliação clínica e exames laboratoriais, informando aos profissionais sobre viagens recentes, contatos com possíveis infectados e a situação da sua caderneta de vacinas.
Quem deve tomar a vacina do sarampo?
A vacinação contra o sarampo está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde de todo o estado. Mas antes de ir a uma unidade, é recomendável consultar os horários de atendimento do seu município. Sempre que possível, leve a caderneta de vacinação e um documento de identificação.

Funcionamento do calendário de rotina
A imunização segue protocolos específicos de acordo com a faixa etária e a ocupação da pessoa. Confira o calendário de vacinação indicado para o público em geral:
- Crianças: A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade.
- De 15 meses a 29 anos: É necessário ter duas doses da vacina registradas, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.
- De 30 a 59 anos: O indivíduo deve ter pelo menos uma dose da vacina registrada na caderneta.
- Trabalhadores da saúde: Precisam ter duas doses da vacina, independentemente da idade que tenham.
A dose zero da vacina tríplice viral continua sendo aplicada em crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias que moram nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Ela também pode ser indicada para crianças dessa faixa etária que tiveram contato com pessoas com suspeita ou confirmação de sarampo, conforme avaliação das equipes de vigilância.
A dose zero não substitui as previstas no calendário. Mesmo que seja vacinada antes de completar 1 ano, a criança deverá receber normalmente a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Protocolos especiais para a Grande São Paulo
E por falar nesses três municípios, com a confirmação de alguns casos de sarampo em 2026, a Secretaria da Saúde emitiu uma recomendação expressa para a população dessas cidades (São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo). Todos os moradores desses três municípios, com idade entre seis meses e 59 anos, devem procurar os postos de saúde para receber uma vacina de reforço contra o sarampo, independentemente de qual seja a sua situação vacinal.
Restrições para gestantes, pessoas 60+ e outros
Já para quem já teve o diagnóstico de sarampo confirmado por avaliação médica ou exame laboratorial no passado, não há necessidade de receber doses adicionais. Porém, se você apenas acha que teve a doença, mas não tem confirmação, não possui o registro ou não sabe se tomou a vacina ao longo da vida, a recomendação é clara: vacine-se como forma de prevenção contra o sarampo.

A vacina tríplice viral é feita com vírus vivos atenuados (enfraquecidos), o que gera algumas restrições importantes. Gestantes não podem receber a dose, pois o sistema de defesa trabalha de forma mais lenta na gravidez e existe o risco de o vírus atravessar a placenta, prejudicando o feto ou causando complicações. O ideal é atualizar a carteirinha um mês antes de engravidar, mas, no pós-parto e na amamentação, a aplicação está totalmente liberada, pois o vírus não passa para o leite materno.
Se a mulher tomar a vacina sem saber que estava grávida, o pré-natal exigirá acompanhamento médico rigoroso. Bebês menores de seis meses também não recebem o imunizante, pois o sistema de defesa ainda não está pronto e eles contam com a imunidade da mãe.
Pessoas com 60 anos ou mais não entram nas campanhas de rotina, pois as autoridades consideram que elas já tiveram contato natural com o vírus no passado e desenvolveram imunidade duradoura. No entanto, idosos que tiveram contato com um caso confirmado ou suspeito e não possuem registro de imunização precisam de avaliação com um profissional de saúde para decidir sobre a vacina.
No campo das condições clínicas, pessoas com imunodepressão grave (como pacientes em quimioterapia ou que usam remédios que baixam muito as defesas) não devem tomar o imunizante, enquanto portadores de HIV podem ter indicação se a carga viral estiver controlada.
Pessoas em imunossupressão pelo uso de corticoides ou com doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide) devem conversar com um médico antes.
Uma dúvida comum é sobre a alimentação: quem tem alergia a ovo pode tomar a vacina normalmente; a contraindicação ocorre apenas para quem tem alergia forte a componentes da vacina (gelatina ou neomicina) ou a uma dose anterior.
Cuidados especiais para quem tomou outra vacina recentemente ou apresenta sintomas
Quem recebeu, nos últimos 30 dias, outra vacina de vírus atenuado, como as vacinas contra febre amarela ou varicela, por exemplo, deve aguardar o intervalo recomendado antes de tomar a tríplice viral. Na unidade de saúde, a equipe verificará a caderneta de vacinação e informará a data adequada para a aplicação.
No caso de crianças menores de 2 anos, a tríplice viral não deve ser aplicada no mesmo dia da vacina contra febre amarela. Se você atualmente está com febre, espere melhorar para se vacinar. O recomendado é estar há pelo menos 24 horas sem febre e em bom estado geral antes da vacinação.
A espera também ajuda a evitar que sintomas da doença sejam confundidos com possíveis reações ao imunizante. Por isso, é importante informar ao profissional de saúde quais vacinas foram recebidas recentemente.
Pessoas com resfriado leve, sem febre e com bom estado geral podem ser vacinadas.
E quem já teve sarampo ou não sabe se tomou a vacina?

Quem teve diagnóstico confirmado de sarampo, por avaliação médica ou exame laboratorial, não precisa receber a dose adicional. A situação é diferente para quem acredita ter tido a doença, mas nunca teve confirmação. Nesses casos, a orientação é pela vacinação quando não houver comprovação de imunidade. Na dúvida, a recomendação é se vacinar.
E quem não tem registro ou não se lembra se tomou a vacina contra o sarampo deve se vacinar. As pessoas que não sabem se foram imunizadas tanto podem estar como não estar protegidas. Nesse caso, é recomendável a vacinação como prevenção.
Informação confiável protege

Dúvidas fazem parte da decisão de se vacinar. O mais importante é buscar respostas em fontes confiáveis e atualizadas, especialmente porque calendários e recomendações podem ser modificados de acordo com novas evidências e a situação epidemiológica.
O site Vacina 100 Dúvidas do Governo de SP reúne respostas para as principais perguntas sobre vacinação e é uma fonte oficial para quem busca informações confiáveis sobre imunização. A plataforma pode ser acessada gratuitamente para consultar as 100 dúvidas mais frequentes da população sobre vacinas, segurança, calendário e prevenção de doenças. Acesse: www.vacina100duvidas.sp.gov.br.