Preço de memória RAM dispara com IA e impacta valores de celulares e PCs

Alta demanda por infraestrutura de IA desvia produção de chips, gera escassez global e encarece notebooks e smartphones para o consumidor.

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O preço de memória RAM está enfrentando uma escalada histórica impulsionada pela demanda agressiva por infraestrutura de inteligência artificial (IA). A cadeia global de suprimentos sofreu uma ruptura significativa em 2025, resultando em um encarecimento imediato de componentes essenciais para o funcionamento de computadores, televisores e celulares.

Dados revelados, com base na plataforma de rastreamento Keepa, indicam que o valor desses componentes na Amazon subiu até 350% no último ano. A peça é vital para o desempenho dos aparelhos, funcionando como uma memória de curto prazo que armazena dados em uso imediato. Quanto maior a capacidade em gigabytes (GB), mais fluida é a navegação.

No entanto, o consumidor final já sente no bolso que o preço de memória RAM não é mais o mesmo. Nas redes sociais e fóruns de hardware, usuários associam a alta à popularização de ferramentas de IA generativa, como criadores de vídeo e imagem. Especialistas confirmam essa percepção: há um desequilíbrio real entre a oferta limitada de semicondutores e a voracidade dos data centers por componentes de alto desempenho.

O efeito cascata da Inteligência Artificial

O mercado enfrenta uma “tempestade perfeita”. Maurício Helfer, diretor da área de Informática da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), explica que as fabricantes estão realocando suas linhas de produção. A prioridade agora é atender aos contratos bilionários de data centers, que exigem memórias avançadas e de alta velocidade para processar grandes volumes de dados.

Essa mudança estratégica afeta diretamente o preço de memória RAM disponível para o varejo comum. Embora os servidores utilizem chips diferentes dos computadores pessoais (como a tecnologia HBM), a capacidade fabril global é finita.

“Há poucas fábricas capazes de produzir chips avançados, e a capacidade de fabricação é restrita. Quanto mais o mercado consome, mais surgem gargalos”, analisa Pietro Delai, diretor de pesquisa da IDC para a América Latina.

A consultoria McKinsey & Company estima que cerca de US$ 7 trilhões serão investidos em data centers até 2030, o que manterá a pressão sobre a indústria de componentes por um longo período.

Preço de memória RAM e a escassez nas prateleiras

Grandes players do mercado, como Kingston e HP, já reconhecem que o cenário mudou estruturalmente. A fabricação de componentes para IA é mais lucrativa, deixando menos espaço nas linhas de montagem para as memórias DRAM padrão, usadas em notebooks e smartphones.

Paulo Vizaco, country business manager da Kingston, alerta para o impacto no custo final dos produtos. Segundo o executivo, quando o custo de fabricação sobe para as montadoras, o preço de memória RAM embutido no notebook na prateleira força um reajuste para o consumidor. É um efeito dominó onde a priorização da tecnologia corporativa reduz a oferta para o usuário doméstico.

Fabricantes nacionais evitam declarações públicas detalhadas, mas a Dell confirmou em nota que sua cadeia de suprimentos busca flexibilidade, embora admita ajustes de preços quando necessário. A Lenovo e a Samsung não se posicionaram.

Cenário do mercado brasileiro em números:

  • Movimentação: O setor de informática gerou R$ 47,8 bilhões em 2025 (alta de 12%).
  • Estagnação: Vendas de notebooks e tablets travaram em R$ 11 bilhões, sinalizando retração no consumo de hardware pessoal.

Expectativa de alta contínua até 2027

As projeções indicam que o alívio não virá tão cedo. A Kingston projeta um aumento de até 60% nos contratos de memórias DRAM já no primeiro trimestre de 2026. Sem uma desaceleração econômica global ou um salto tecnológico que torne a IA mais eficiente, o preço de memória RAM deve continuar sua trajetória de alta.

A Abinee reforça que os desafios atuais superam os enfrentados durante a pandemia de Covid-19, quando a demanda por PCs explodiu. Agora, a restrição está na oferta de insumos básicos.

Para quem planeja montar ou atualizar um computador, o cenário exige cautela. A expectativa é que os próximos anos sejam marcados por restrições severas e que o preço de memória RAM permaneça elevado, com reajustes constantes repassados ao consumidor possivelmente até 2027.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 03/02/2026
  • Fonte: Michel Teló