Plano contra o crime apreende 67 toneladas de drogas
Em três semanas, o programa Brasil Contra o Crime Organizado causou prejuízo de R$ 361 milhões às facções e prendeu 473 pessoas.
- Publicado: 07/06/2026 09:37
- Alterado: 07/06/2026 09:37
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
Três semanas após o seu lançamento oficial, o programa federal Brasil Contra o Crime Organizado apresentou o primeiro balanço consolidado de suas atividades. Desde o dia 12 de maio, a força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública resultou na apreensão de mais de 67 toneladas de entorpecentes, 639 armas de fogo, 26.875 munições e 1.013 veículos, além da prisão de 473 pessoas em todo o território nacional.
A ofensiva mobilizou 9.204 profissionais de segurança pública em 11 operações integradas de inteligência. O programa, estruturado com uma previsão orçamentária de R$ 11,1 bilhões, atua em quatro eixos prioritários: asfixia financeira de facções, retomada do controle do sistema prisional, elucidação de homicídios e desarticulação do comércio ilegal de armamentos.
Prejuízo Financeiro Multiplicado

Os indicadores compilados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) revelam uma eficiência financeira inédita. Os R$ 30,4 milhões aplicados nas ações de campo nos primeiros 20 dias geraram um prejuízo econômico estimado em R$ 361,3 milhões para as organizações criminosas.
O impacto representa um dano de quase R$ 12 às finanças do crime para cada R$ 1 investido pelo Estado. O resultado financeiro superou em 251% as metas projetadas para os primeiros 90 dias do programa.
Além disso, as ações paralelas das operações Narke e Renocrim obtiveram o bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos e patrimônio das facções, focando no desmonte da lavagem de dinheiro.
Varredura no Sistema Prisional

A inteligência do programa executou a 11ª fase da Operação Mute, mobilizando 4.042 policiais penais em uma varredura simultânea dentro de 124 estabelecimentos prisionais. A vistoria inspecionou 3.728 celas e resultou no confisco de 680 aparelhos celulares de líderes de facções, interrompendo a cadeia de comando que dita ordens de execução e tráfico de dentro dos presídios.
Desde o início da série histórica da operação, em 2023, o corpo policial já retirou de circulação 8.646 telefones móveis nas unidades da Federação.
Fronteiras, Amazônia e Aliança Internacional

Diferente do modelo anterior de 2025, que limitava o policiamento de fronteira a apenas sete estados, o novo desenho estratégico expandiu as operações de controle divisório para as 27 unidades federativas. A cobertura na região amazônica foi reforçada em sete eixos de alta periculosidade, englobando 42 municípios em estados estratégicos como Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná.
No campo diplomático, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, viajou a Assunção para alinhar esforços com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD).
A histórica cooperação bilateral na Operação Nova Aliança destruiu 1.218 acampamentos de cultivo ilegal e eliminou 11,2 milhões de quilos de maconha na fronteira. O ministro brasileiro também apresentou os resultados do plano nacional durante a Cúpula de Ministros do Interior e Justiça do Mercosul, defendendo a integração de inteligência como a única saída contra a governança criminal na América Latina.