Pesquisa mostra país dividido e leve melhora na avaliação de Lula

Avaliação positiva oscila para 32%, percepção regular cresce e desaprovação permanece superior, revelando um eleitorado ainda fortemente polarizado

Crédito: (Ricardo Stuckert/PR)

A mais recente pesquisa Ipsos-Ipec sobre a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela um retrato de estabilidade política em meio a um país dividido. O levantamento, realizado entre os dias 13 e 17 de junho, mostra uma pequena oscilação nos índices de aprovação e desaprovação da gestão federal, mas mantém um cenário em que as opiniões sobre o governo seguem fortemente consolidadas e distribuídas de forma desigual entre regiões, faixas de renda, idade e grupos religiosos.

De acordo com a pesquisa, 32% dos brasileiros avaliam a administração de Lula como ótima ou boa. Em março, esse percentual era de 33%. Já a avaliação negativa, composta pelos que consideram o governo ruim ou péssimo, passou de 40% para 38%. A avaliação regular foi a que apresentou maior variação no período, subindo de 24% para 28%.

Os números revelam que, embora a desaprovação continue superior à aprovação, uma parcela maior da população passou a adotar uma posição intermediária sobre o governo. Para a diretora da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, a mudança não altera substancialmente o quadro político observado nos últimos meses. “Apesar da pequena melhora na avaliação regular, o saldo do governo ainda é negativo, seguimos com um cenário de opiniões consolidadas e polarizadas.”

Nordeste, menor renda e eleitores de Lula concentram avaliação positiva

A pesquisa identifica grupos nos quais a avaliação positiva do governo Lula é mais expressiva. Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula em 2022, 62% classificam a gestão como ótima ou boa.

A aprovação também se destaca entre os moradores da Região Nordeste, onde o índice chega a 47%, entre pessoas com renda familiar de até um salário mínimo, com 41%, e entre aqueles que vivem em cidades com até 50 mil habitantes, grupo em que a aprovação atinge 39%.

O levantamento mostra ainda diferenças relevantes entre faixas etárias. A avaliação positiva é maior entre pessoas com 60 anos ou mais, alcançando 39%, enquanto entre jovens de 16 a 24 anos esse índice fica em 23%. Também aparece mais elevada entre brasileiros que se autodeclaram pretos ou pardos, com 35%, em comparação aos entrevistados que se declaram brancos, grupo no qual a taxa é de 27%.

Sudeste, evangélicos e maior renda concentram críticas ao governo

Lula
(Ricardo Stuckert/PR)

Do outro lado, a avaliação negativa permanece mais forte em segmentos específicos da população. Entre os eleitores que afirmam ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, 74% consideram o governo Lula ruim ou péssimo.

A desaprovação também aparece com intensidade entre famílias com renda superior a cinco salários mínimos, onde chega a 54%, entre evangélicos, com 49%, e entre pessoas com ensino superior, grupo em que o índice alcança 46%.

Regionalmente, o Sudeste registra uma das maiores taxas de avaliação negativa, com 44%, percentual semelhante ao encontrado no Norte e Centro-Oeste. O Nordeste segue como a região onde a rejeição ao governo é menor, alcançando 22%.

A pesquisa também aponta diferenças entre moradores das capitais e do interior. Nas capitais, 44% dos entrevistados avaliam negativamente a administração federal, enquanto nos municípios do interior esse percentual cai para 35%.

Forma de governar mantém estabilidade

O levantamento também mediu a aprovação da maneira como Lula administra o país. Nesse quesito, os números permaneceram praticamente estáveis. Atualmente, 44% dos brasileiros aprovam a forma como o presidente governa, contra 43% registrados em março. Já a desaprovação passou de 51% para 50%, mantendo uma diferença de seis pontos percentuais em relação à aprovação.

Entre os grupos que mais aprovam a condução do governo estão os eleitores de Lula em 2022, com 82%, os moradores do Nordeste, com 60%, os brasileiros com ensino fundamental, com 58%, e aqueles cuja renda familiar não ultrapassa um salário mínimo, grupo em que a aprovação chega a 55%.

Por outro lado, a desaprovação da forma de governar alcança 89% entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 64% entre os evangélicos e também 64% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.

Opiniões seguem cristalizadas

Lula
(Ricardo Stuckert/PR)

Os dados da Ipsos-Ipec indicam que a disputa política brasileira continua fortemente marcada pelas escolhas eleitorais de 2022. A identificação política permanece sendo o principal fator para explicar a avaliação do governo, influenciando percepções sobre a administração federal, aprovação da condução do país e expectativas em relação ao cenário político.

Mesmo com pequenas oscilações nos indicadores, o levantamento mostra um país em que a maior parte dos entrevistados mantém posições já consolidadas sobre o governo Lula, enquanto uma parcela crescente da população passa a ocupar uma posição intermediária, avaliando a gestão como regular.

A pesquisa ouviu brasileiros em diferentes regiões do país entre os dias 13 e 17 de junho e reforça a permanência de um ambiente político marcado pela polarização de opiniões, característica que acompanha o cenário nacional nos últimos anos.

  • Publicado: 23/06/2026 14:51
  • Alterado: 23/06/2026 14:51
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: Ipsos-Ipec