Corram que a PF vem aí: pastelão político em looping infinito
Política nacional e da pátria com ironia destilada: um resumo semanal onde promessa vira meme, pastor perde celular e reality show troca votos por queijo
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Brasília não para. A gente que tenta acompanhar, mas falha miseravelmente. Entre um meme político e outro, a semana vira um looping infinito de promessas recicladas, crises relançadas e personagens que juram novidade, mas são sempre os mesmos figurantes, só trocando o broche na lapela e o tom do discurso. É como assistir à estreia de um filme que você já viu dez vezes: eles mudam o título, refazem o cartaz, mas o roteiro é o mesmo — um thriller político com timing de pastelão.
Aqui, toda semana começa com suspense e termina com gargalhada nervosa. Um projeto nasce na segunda, morre na terça e ressuscita na quarta com outro nome, como se tivesse passado por cirurgia plástica na madrugada. As narrativas são tão recicladas que deveriam vir com selo verde. Promessa velha ganha cara nova, escândalo antigo reaparece com roupa de gala, e o público — a gente — finge que acredita porque não tem outra série pra assistir.
Então se ajeita no sofá, segura o cafezinho e alonga o pescoço: chegou aquele resumão maroto desse portal. Tudo que foi fiasco em forma de kit completo dos melhores constrangimentos da semana — na sua e na nossa, novela semanal, onde capítulos se repetem, mas os atores juram que é tudo inédito — onde notícia boa é igual dieta de Ano-Novo: todo mundo fala, mas ninguém vê funcionar. É assim na capital das pizzas, onde tudo funciona como uma usina de pautas quentes: enquanto a última crise ainda fumaça, já tem outra pegando fogo na cozinha ao lado.
Prepare-se pra ver como país transformou o stand-up de terror em série semanal, com produção digna de streaming. Os fantasmas da honestidade só aparecem sob invocação espírita, com cachê pago em promessa de campanha, figurino emprestado e crédito limitado. No elenco fixo, sempre os mesmos rostos jurando que “agora vai”, enquanto nos bastidores já planejam a próxima temporada. É um espetáculo infinito onde o enredo nunca muda: você sabe quem trai, quem grita, quem chora e quem finge não ver — mas mesmo assim não consegue largar.
E se faltar um petisco, dê preferência aos de queijo (spoiler alert), mas relaxa: Brasília fornece o entretenimento completo. Só não espere final feliz — aqui, até os cliffhangers são pagos com emenda.
AVISO: traga pipoca, pois aqui a plateia ri, mas os canhões continuam apontados, e o alvo, advinha quem somos… Por isso:
“Corram que a PF Vem Aí!
Nesse reality tem toga voando, queijo sumindo e ratoeiras armadas enquanto a PF ajeita a câmera, pega a pipoca e dá o play
Quem de vocês tá assistindo ao melhor reality da televisão brasileira? E o último paredão, seguido da prova de resistência onde vimos a boa relação entre pai e filho, com direito a vídeos e áudios de família. Agora pense na saudade que só a distância é capaz tornar, mútua (e fofa) a troca de palavras de amor e incentivo, tais como: “VTNC seu ingrato do baralho”!!!
Eu mesmo, já quero uma camiseta com esses dizeres no próximo Dia dos Pais:
— Vai tomar no c* seu ingrato do *aralho! – aposto que vai vender como água.
Foi bem assim que começou o desbunde de mensagens vazadas que revelaram um racha na direita. Mesmo assim, o supracitado, Tarcísio, tratou como briga de pai e filho — o problema é que, nesse “almoço de família”, os pratos voam, mesa vira e o silêncio pesa quando todos tentam esconder a faca trazida de casa, enquanto fingem que não tão de olho na chave do carro presidencial. Então, que comecem os jogos (mortais): é dedo no botão e gritaria no palco, onde cada um jura que merece mais que o outro, enquanto o apresentador sorri nervoso, esperando cortar pro intervalo antes que alguém use o microfone como arma improvisada.
Enquanto bombas de áudio e taxas seguem surgindo, fagulhas espirram de “leve” na candidatura de Tarcísio à presidência de 2026 — assim, o clima esfria mais rápido que café esquecido na varanda durante inverno paulista. O plano agora? Tentar a reeleição ao governo do estado com o mesmo entusiasmo de quem esquenta uma lasanha desmoronada no micro pela quinta vez, e ainda assim esperar que tenha o mesmo gosto de um restaurante. É o clássico “tiro no pé que saiu pela culatra, mas vai que cola” — por aqui, a política inteira vive num eterno “corra que a PF vem aí”, com toga voando, máscaras caindo, cenário ruindo e um medo de ser preso tão grande que até o desespero parece ensaiado.
Mas dentro do que é possível, chamemos isso de seriedade… então, podemos seguir em nossos trabalhos?”
Mas olha só, voltando as nossas estrelas “Bozo & Bananinha”, estrelas do blockbuster de comédia pastelão, nossos “heróis” finalmente ganharam papel de destaque: foram indiciados pela PF, cada um com sua própria sirene imaginária. Enquanto isso, Malafaia — sempre figurante de luxo na ópera do caos — perdeu o celular no aeroporto, como quem entrega o passaporte no balcão errado e sorri pra foto. E o sermão de hoje? “Senhor, livrai-me da Polícia Federal.” Spoiler do roteiro: foi cancelado antes da primeira cena.
“Se ‘anistia light’ passar, EUA ‘não vão mais ajudar”
Após todos aqueles elogios carinhosos ao pai, com essa frase maravilhosa, o deputado e filho do ex-presidente, o “03”, apelidosamente carinhado pela oposição como “Bananinha”, fez ao Brasil o favor de admitir em mensagem ao pai que a anistia, na verdade visa blindar o seu próprio pai, Jair Bolsonaro, não investigados do 8 de janeiro.
Assim, “Bananinha”, nosso agente duplamente atrapalhado, parece ter sido treinado pelo personagem do Leslie Nielsen: interpreta um espião americano, mas entrega o serviço com a mesma destreza de quem tenta desarmar uma bomba de chantilly. O sujeito conspira contra a própria pátria com a mesma leveza de quem troca de meia no escuro – sem o menor critério, mas sempre pronto para improvisar uma fuga digna dos melhores “Corra que a Polícia Vem Aí”.
E falando em meia, a tirada do “Barba” essa semana foi puro roteiro de comédia. No evento de quinta-feira (21), em Sorocaba, o homem aproveitou a deixa do indiciamento do Bozo para soltar: “Tem gente que desfila de tornozeleira eletrônica, eu desfilo é de meia estilosa”. A tornozeleira quase saiu dançando de inveja. Se a moda pega, logo teremos um novo dress code político: “menos algema, mais meia colorida” – mais fashion impossível.
Agora imagina o filme: “Bananinha”, o agente secreto, equipado com peruca loira de loja de fantasias, calcinha azul bebê (porque azul é cor de patriotismo, né?) e uma lupa de brinquedo, pronto para investigar tudo à meia-luz e rezar antes de cada descoberta. Só falta tropeçar no próprio disfarce para ganhar o Oscar de “Melhor Ator Coadjuvante de Si Mesmo”. Ben Stiller ficaria com inveja, e Leslie Nielsen mandaria lembranças.
Em uma distância segura, mas no mesmo picadeiro, Malafaia & Bolsonaro são a tradução de que desgraça de político pra nós nunca é pouca. Tivemos assim o grande clímax ao ver o vexame ambulante desse The King of Power virar piada em nome de Silas, com a testa carimbada: “pequenas igrejas, grandes fortunas” — clube restrito onde a Bíblia é recibo e a fé, troco de padaria. E como falar de conservador sem citar o “bromance bíblico”, desse dois é tipo reality sem barraco: simplesmente não funciona. Estão mais enrolados que certidão de bens de pastor milionário, e mais grudados como dízimo que voa em primeira classe pras ilhas Cayman. O gran finale? A reputação, limpinha na embalagem, evapora sem alarde — e, como a gente sempre sabe, e já sabia: sim, é muito tarde pra piada de anistia.

Entre palanques e promessas: quando a fé se ajoelha diante da vaidade
Foi uma semana tão caótica quanto feira de liquidação em dia de chuva — e, sinceramente, quem nunca saiu pingando, agarrado a uma sacola de esperança e um guarda-chuva furado na Paulista, está perdendo o verdadeiro “pacote Brasil”. Os bancos, pobrezinhos, estão mais perdidos que vendedor de capa de chuva em estiagem, tocando trombone triste como trilha sonora de novela mexicana, tudo culpa da Lei Magnitsky, enquanto o Dino se equilibra igual trapezista com labirintite na corda bamba do Supremo.
O queridão, tenta blindar não só a democracia, mas também a careca reluzente do homem da capa preta — tarefa digna de super-herói de condomínio, daqueles que usam meia colorida como uniforme e escudo feito de panela de pressão. É o que o Chico Bento chamaria de: “se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come — e ainda leva a sombrinha furada como brinde”. Tem tanta blindagem que até carro forte se enfraquece de inveja, só não protege mesmo na hora do aperto, quando o guarda-chuva de camelô abre, fecha e sempre fura, deixando a soberania nacional mais molhada que chinelo de dedo em enchente.
Então, dos prejuízos o menor, ver a democracia rebaixada ao rodapé de manchete com um que finge que foi presidente, e outro que finge ser pastor. No fundo, o maior prejuízo é fingir estabilidade na foto perfeita, enquanto enquadramento e soberania se seguram de mãos dadas.
Se for perder a chance de aparecer com a reputação tinindo em comercial de margarina — firma o pé de um outro pro lado, entre o tropeço e o barra(n)co, mas segue afinado, no enquadro que balança torto, mas vigilante — nessa dança de doido em toque de berrante, não se cansa de tocar o chão, dentre o tranco que anteveem levante.
Entre profetas de palanque e pílulas milagrosas, a fé às vezes serve mais à vaidade do que à salvação — mas, convenhamos, no Brasil até vaidade vira artigo de primeira necessidade. É como se cada pesquisa fosse uma previsão meteorológica: “chuvas intensas de otimismo para quem tem barba e voz rouca, com possibilidade de arco-íris na Avenida Paulista.” Nada como o caos para dar aquela turbinada na autoestima nacional, né?
Enquanto o dueto dos trapalhões profissionais bate recordes de besteirol, Malafaia resolve brilhar solo. Nos áudios vazados com o Capitão Cloroquina, ele chama o “Bananinha” de “babaca” e “inexperiente” — tão original que merecia indicação no Troféu Imprensa.
Os bastidores revelam o plano “genial” — desses que até a turma do Scooby-Doo resolveria em um episódio de 15 minutos: chantagear o Brasil para arrancar uma “anistiazinha” no grito. Estratégia no estilo “se colar, colou”, mais previsível que vilão de novela das seis. Falta só o Fred explicar o impedimento pra sogra enquanto tira a máscara do suspeito.
E os bancos? Pobrezinhos. Estão no dilema existencial: obedecer à lei estadunidense ou respeitar a ordem do judiciário brasileiro. Parece até um crossover entre Scooby-Doo e “Casseta & Planeta”, na Faria Lima. No fim, quem tira a máscara já era um palpite que até o Salsicha já tinha sacado. Mesmo assim, o dilema dos banqueiros faz tudo parecer um drama pra essa gente, escolher entre: beijar a mão de lei gringa ou pagar promessa pro judiciário brasileiro. Só faltou um VAR pra decidir quem tá mais fora de jogo — para o nosso careca, o aviso é bem simples e quem não respeitar, vai sentir o peso da palmatória da lei BR.
Se o Brasil fosse um episódio de Scooby-Doo, os vilões seriam sempre os mesmos: políticos, pastores e banqueiros, todos tropeçando na própria armadilha. O plano “genial” de prejudicar o país pra depois pedir “anistiazinha” parece coisa saída do caderninho do Salsicha: mal disfarçado, óbvio e cheio de pegadinhas de desenho animado.
Pra completar a cena, banqueiro que antes desfilava na “Avenida dos Cifrões” agora se esconde atrás da cortina da reunião, rezando pra não ser citado na próxima delação premiada. E nós, do lado de cá, assistimos tudo com pipoca, porque esse Scooby-Doo da política brasileira não cansa de se repetir — só muda a máscara, o roteiro é sempre o mesmo.
É como se estivéssemos presos uma vez mais, entre o editorial ácido do Arnaldo Jabor e uma marchinha debochada do Juca Chaves, mas não, é só o Brasil sendo outra vez palco de tragicomédia tropical, onde banqueiro tem crise existencial e pastor faz performance circense.
Nada é tão ruim que não possa piorar com uma pitada de escárnio e samba de uma nota só. No meio dessa ópera pastelão, os personagens transitam entre o bufão e o cronista, tropeçando nas próprias ambições. É difícil saber se vivemos uma crônica de fim de noite ou um festival de rimas tortas. Mas uma coisa é certa: no Brasil até a “Escolha de Sofia” acaba virando paródia — e no final, todos saem dançando na Praça da Alegria, à espera do próximo verso satírico ou da próxima manchete surreal. Parece piada, mas é só o Brasil, minha gente!
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O Julgamento, o Coral, a Pamonha Gelada e o Churrasco da CIA
Enquanto os carecas de toga duelam com os banqueiros na novela das nove, os bastidores da ultradireita mais parecem série ruim com orçamento milionário. Os bancos, que até outro dia desfilavam como donos da bola, agora rezam pra não serem escalados pra bater o próximo pênalti da cadeia. No campeonato atual, nem quem jogava com o juiz no bolso tá salvo do apito final.
E, no meio do fogo cruzado, entra em cena Silas Malafaia — pastor, agitador e CEO do conglomerado “pequenas igrejas, grandes negócios”. Podia ter ficado pianinho, quieto, fingindo que não era com ele, mas abriu a boca. Resultado? Áudios vazados, coação, obstrução e um bilhete dourado direto pro camarote dos indiciados. Até o “homem da capa preta” — aquele de toga esvoaçante e ar imponente — concluiu que o falso profeta cavou um pênalti contra o próprio time.
Enquanto isso, Bolsonaro protagoniza seu spin-off tragicômico, é finalmente marcado seu julgamento, o que diga se de passagem, virou atração no saguão do hospital. O cara sai abatido, arrastando o corpo como pamonha gelada esquecida na mesa do café. Do lado de fora, um coral desafinado de fiéis tenta animá-lo com louvores que fariam a afinação do “Ídolos” pedir aposentadoria na hora, uma total vergonha alheia (em estéreo) alto e mal som.
E a ironia, é que todo mundo sabe que Bolsonaro nunca foi fã da comunidade religiosa. Igreja, pra ele, sempre foi palanque disfarçado. Mas enquanto houver a massa gritando “amém” achando que é “mito”, paciência: vai ter que engolir palmas fora de ritmo, coral desafinado e até meme gospel pra tentar garantir o dízimo eleitoral. Mais parecia um velório, entre a censura e o escândalo, o que sobrou foi um corpo exposto, de alma vendida e pele carcomida, cansada. Sim, pessoal, estamos falando do Jair, mesmo.
No Twitter,(X), Carluxo faz a sua parte na dramaturgia: a cada post, uma obra-prima de sinceridade desastrada. O sujeito consegue unir bolsonaristas e não-bolsonaristas… mas só na vergonha alheia coletiva. Chamou aliados de “canalhas”, governadores de “ratos” e, no fim, ainda faltou espaço pra bajular a própria família. Mas isso deixemos só para os zaps vazados.
Carluxo reclamou dos “canalhas” pra cá, “traidores” pra lá, mas, claro, sobrou espaço pra elogiar o clã — porque, no multiverso bolsonarista, discordar virou pecado capital. Quem ousa digitar um “não concordo” já recebe diploma automático de “rato” e senha VIP para a próxima sessão de lavagem de roupa suja familiar – que pra frente abordaremos.
Enquanto isso, nos bastidores, os governadores que um dia sonharam com a bênção do “mito” agora descobrem que a fila anda — e anda rápido. Nem o puxa-saquismo vitalício salvou Tarcísio, que, por um breve instante, acreditou ser o “ficha 1” na sucessão da cadeira presidencial. Hoje, virou mais um figurante nessa novela de intrigas.
Ainda na porta do hospício — digo, hospital —, a cena era de velório improvisado: carpideiras digitais, corais desafinados e Carluxo ensaiando o discurso pro Oscar da “Ironia Involuntária”. E assim, sem algemas, mas com a expressão de manicômio errado, o ex-presidente saiu com a mesma animação de quem descobre por último que mexeram no queijo, dividiram entre os ratos e ainda deixaram a conta do vinho pra ele pagar.
No meio disso tudo, Silas Malafaia reaparece como o showman de sempre: um falso profeta com mais vocação pra gerente de pirâmide financeira do que pra pastor. A máxima continua valendo, por isso a gente segue repetindo uma vez mais — pequenas igrejas, grandes fortunas. Pena que, desta vez, o palco pegou fogo, e quem se achava acima da lei acabou tropeçando nos próprios fios do microfone.
E, enquanto Brasília fervia, o país recebia um presente paralelo: Porto Alegre entrou em cena com uma “operação internacional” digna de chanchada com orçamento de blockbuster. Um avião militar dos EUA pousa misteriosamente, sem identificação, e pronto: CIA, agentes secretos, 3ª Guerra Mundial confirmada nos grupos do Zap. Mas não: era só um punhado de funcionários do governo americano, mais perdidos que aplicativo de ônibus no centro de São Bernardo. Se estavam procurando a América, erraram até o hemisfério.
Imagina a cena: desembarcam com cara de quem vai resolver crises globais… e acabam perguntando onde fica o melhor churrasquinho na saída da Anchieta Gaúcha. “Missão dada é missão cumprida”, mas, dessa vez, a missão era tipo não errar a rotatória e parar em Diadema, por engano. Assim, foi um policial local, que entre um gole de pingado e outro, resumiu com perfeição:
— Agente secreto com carimbo no passaporte? Nem minha vó do Rudge Ramos acreditaria – se divertiu.
E o Brasil seguiu, como sempre, no seu próprio ritmo de colapso: menos 007, mais The Office com sotaque cantado e Brasília explodindo. E na turma do fundão, Carluxo em surto, Malafaia pregando (peça em crente) e de repente, BUM! — um avião americano vira churrasco de esquina. Báh, como imaginação de brasileiro é fértil, né guri!? No fim, sobra aquela sensação inconfundível:
— Será que o Brasil não tá sendo roteirizado pela CIA, ou então alguém do ABC tá improvisando esse texto? Por aqui a gente conta tudo que viu e ouviu, mas que diferença faz? No final das contas ninguém acredita em nada, mas todo mundo compartilha a manchete!
“Investigação” Made in USA: O Novo Manual de Boas Maneiras Comerciais
Nesta semana, o governo brasileiro mandou pros EUA uma cartinha que dizia basicamente algo rabiscado em post-it amassado:
“Golpista à La Carte: trago bandido amado em 3 dias… só paguem as taxas”.
— Oi, tudo bem? Só pra avisar que essa investigação comercial aí não serve nem pra embrulhar o pão de ontem.
Mesmo assim, o americano adora bancar o mineirinho importado, só esquecem que a gente já vendia pão de queijo em Nova Iorque antes mesmo deles saberem o que era lactose. Não adianta querer escalar essa escada de privilégios, carregada por imigrantes ensopados de suor com o boné da MAGA. O melhor é que a piada já se escreve sozinha: patriotas gritando America First com a etiqueta Made in China colada na testa. Enquanto isso, o Tio Sam posa com sorriso mais falso que lente de contato em peruca laranja e gravata engolida no pescoço de ego inflado que nem o FED consegue controlar a inflação.
Os americanos adoram levantar o dedo indicador e gritar “propriedade intelectual”, como se fossem os guardiões do mundo civilizado. Mas, convenhamos: o Brasil copia meme da Nazaré confusa, tapioca ou qualquer app, e já vira escândalo internacional. Enquanto isso, empresas gringas roubam nossa tecnologia agrícola, manipulam o etanol, exploram nossas riquezas e ainda levam prêmio por “investimento estratégico”.
Dessa forma, resolveram nos mandar um recado tipo assim:
Recado EUA: “Golpista à la carte – entrega em 3 dias, só pagar as taxas”.
Resposta BRA: essa tal “investigação” comercial de vocês não serve nem pra embrulhar pão amanhecido de ontem.
Diálogo imaginário:
- EUA: “Vocês infringiram nossa propriedade intelectual!”
- Brasil: “Ah, claro… aquele meme da Nazaré confusa era segredo nacional, perdão.”
- EUA: “Não é só o meme! Tecnologia, finanças digitais, inovação!”
- Brasil: “Maravilha, e enquanto isso, o monopólio de sementes patenteadas no Brasil rende bilhões a vocês, sem nota fiscal, sem cartão de ponto e sem agradecer. Mas claro, fiquem tranquilos, o PIX ainda incomoda vocês.”
O problema do Tio Sam não é o PIX, é não lucrar com ele. Assim, fingem indignação, mas segue enchendo os bolsos com nossa soja, carne e etanol. E desse jeitinho subserviente, temos ainda que devolver aquele sorriso cansado, porque todo mundo já sabe: a lei deles só serve quando a conta vem pra nós.
No fim, fica bem difícil entender e acompanhar a lógica distorcida dessa tal “proteção da propriedade intelectual” que parecer soar como roteiro de série barata da Record, confira:
- para o Brasil = crime;
- para os EUA = plano de negócios.
Mas e quem ri por último? O brasileiro, claro — munido de um café na mão, timeline aberta e ironia calibrada pra maratonar a hipocrisia americana sem precisar de dublagem.
The Bolsonaro’s e os Camundongos no Labirinto do Império

No tabuleiro geopolítico, cada peça acha que pode ditar o ritmo, mas, de repente, o rei percebe que os camundongos também sabem cavar túneis. E quando esses túneis passam por baixo do império, o que antes era um jogo de força, vira um problema de infestação.
O problema é que Trump, acostumado a ver o planeta como quintal, ainda acredita que pode resolver tudo com uma bota pesada sobre o mapa. Mas aqui, no canto sul do tabuleiro, os camundongos aprenderam a sobreviver sem queijo, a farejar veneno de longe e, sobretudo, a atacar quando encurralados. As sanções, que deveriam ser o ultimato, acabaram funcionando como um convite ao confronto.
No Supremo, Xandão já entendeu que o jogo não é só jurídico — é de narrativa, de resistência e de cena. Cada frase, cada gesto, cada careta calculada serve para mandar um recado: “o império pode rosnar, mas a toca é nossa”. E no subsolo, enquanto os ratos reorganizam os caminhos, há algo que os gigantes sempre subestimam: fome e silêncio são armas mais afiadas que qualquer decreto presidencial.
No fundo, ninguém quer admitir que o labirinto não tem saída clara, mas entre sanções e bravatas, até os ratos aprendem a morder, por isso o império bate a porta, mas os camundongos já se multiplicaram até por dentro das paredes. E quanto mais eles tentam esmagá-los, mais buracos surgem. É essa a ironia: no tabuleiro do poder, quem parece pequeno demais para ser visto, pode acabar sendo justamente quem apaga as luzes.
Quando o cheiro do queijo começa a rarear, os ratos ficam inquietos — e, no bolsonarismo, nada é diferente. Até um Malbec dos hermanos passa a parecer rota de fuga. Foi nesse clima que, numa reviravolta digna de Ratatouille, a defesa de Jair Bolsonaro correu ao STF para garantir que, vejam só, o ex-presidente não estava pedindo asilo na Argentina. Nada de tango, empanada ou abraço do Milei com taça na mão — era só uma “sugestão”, juram eles.
Segundo a PF, Bolsonaro teria desrespeitado ordens judiciais e até redigido uma carta pedindo asilo, mas a defesa jura que era apenas um “rascunho”. Ufa! Rascunho não conta, né? Quem nunca. É como aquela mensagem que você escreve pra ex, respira fundo e apaga. Se bem que essa história de documento que não era pra mim, mas era só rascunho, onde foi mesmo que eu já vi — se você respondeu muito rápido, cuidado. Os dois lados têm teto de vidro, e sabe o que mais tem “teto”? Ah deixa pra lá, não quero instalar um Triplex na cabeça de ninguém, viu!?
Enquanto isso, o reality bolsonarista segue no mesmo script: a cada episódio, um diploma de “traidor” e aliados rebaixados a figurantes descartáveis na mesma velocidade com que se esconde queijo de camundongo. Desde que Carluxo resolveu chamar governadores de “ratos”, ficou claro: o queijo é um só, mas o labirinto é coletivo. Quem mastiga antes do dono acaba na ratoeira — e, se reclamar, vira caso de Carluxo no Twitter.
No fim, a regra é clara: quem fica sem queijo pede asilo — mas jura que é só de brincadeira. E, quando o queijo acaba de vez, sobra só o silêncio, o cheiro de mofo e aquela certeza inevitável: no labirinto bolsonarista, as ratoeiras sempre chegam primeiro que as saídas. Enquanto a PF caça provas e a defesa caça explicações, o STF assiste tudo, de pipoca na mão, esperando a próxima temporada desse reality show, onde a regra é clara: quem fica sem queijo, acaba pedindo asilo, mas só de brincadeira.
Mas e o que aprendemos no Café com Cinismo, deste sábado? Simples, no tabuleiro bolsonarista, quem não herda o trono acaba preso na ratoeira. O espólio de Bolsonaro, claro, será de Flávio. Isso nunca esteve em disputa. Mas a arapuca montada — e ninguém monta uma ratoeira tão bem quanto eles — só assim, pegou de surpresa até os aliados mais devotos. Gente que adulou a família até o último instante, como o próprio governador Tarcísio, que em algum momento acreditou ser o “ficha 1” na fila de sucessões, acabou descobrindo do jeito mais humilhante: cadeira vazia, mas convite nenhum.
Anos de dedicação, fidelidade canina e puxa-saquismo diário não compraram blindagem. Nem governadores escaparam das farpas oportunistas da família Bolsonaro, que agora tratam antigos aliados como ratos — descartáveis, indesejados, inimigos em potencial. Quando Carluxo, o filho “03”, chamou os governadores de “canalhas”, não havia erro de cálculo: era o recado explícito de que a lealdade, ali, só tem valor enquanto serve ao roteiro da família.
O bolsonarismo, no fundo, sempre foi um contrato de adesão: ou você se acorrenta à narrativa e aceita o papel que te deram, ou é cuspido pela engrenagem. Tarcísio acreditou que poderia ser protagonista; descobriu que não passa de coadjuvante numa peça onde cada falha de obediência custa caro. A conta chegou, e para muitos, chegou com juros.
E nessa dissonância cognitiva elevada à arte, de defensores ferrenhos da família, que marcharam sob o lema “Ustra Vive – Tortura nunca mais”, agora se veem transformados em alvo da própria máquina que ajudaram a sustentar. A mesma lógica que ergueu o “mito” é a que descarta seguidores sem cerimônia e chora por anistia travestida de indulto — e a ratazana que um dia carregou o queijo, agora corre para não ser esmagada pela própria armadilha que ajudou a montar.
No reality The Bolsonaro’s, não há plateia inocente. Quem assiste já escolheu um lado, e quem joga esse jogo, sabe que o queijo nunca é suficiente para todos. E quando os ratos brigam pelo espólio, sobra só silêncio, cheiro de mofo e a sensação amarga de que, no fim, ninguém herdará o que realmente importa: o poder que já começou a escorrer pelas paredes. As luzes se apagam, o labirinto fecha e, no fundo, se ouvem apenas os estalos secos das ratoeiras — o som inconfundível em coro desafinando, mas desta vez… anunciando que a cadeia chega muito antes do queijo.
João Pedro Mello

𝐏𝐞𝐫𝐟𝐢𝐥 𝐞𝐦 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐨𝐬: à 𝐥𝐚 𝐋𝐞𝐦𝐢𝐧𝐬𝐤𝐢 (𝐉. 𝐌𝐞𝐥𝐥𝐨)
𝘌𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴, 𝘵𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘦 𝘴𝘢𝘶𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 (𝘦)𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘴
𝚅𝚒𝚟𝚎 𝚍𝚎 𝚙á𝚐𝚒𝚗𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚋𝚛𝚊𝚗𝚌𝚘,
𝚓𝚘𝚛𝚗𝚊𝚕𝚒𝚜𝚝𝚊 𝚏𝚘𝚛𝚖𝚊𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚍𝚘 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚎 — 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜, 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚒 𝚎 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚊𝚜𝚜𝚊,
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚗ã𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚞𝚛𝚎 𝚜𝚎𝚛 𝚜𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚜𝚝𝚎𝚕𝚘 𝚍𝚎 𝚐𝚛𝚊ç𝚊.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚜ó 𝚜𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚌𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚕𝚊𝚟𝚛𝚊𝚜 𝚍𝚎 𝚙𝚛𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚊𝚖𝚊𝚛(𝚎𝚕𝚘) 𝚍𝚊𝚜 𝚝𝚛𝚊ç𝚊𝚜
𝙳𝚎 𝚋𝚊𝚗𝚍𝚊𝚜, 𝚙𝚛𝚘𝚓𝚎𝚝𝚘𝚜, 𝚙𝚘𝚎𝚝𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚎𝚒𝚛𝚊,
𝚍𝚎 𝚋𝚕𝚘𝚐𝚜, 𝚗𝚘𝚝í𝚌𝚒𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚛á𝚍𝚒𝚘 𝚎𝚖 𝚋𝚎𝚜𝚝𝚎𝚒𝚛𝚊
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚍 (𝚜𝚎𝚖) 𝚌𝚊𝚜𝚝 𝚟𝚒𝚟𝚒𝚊,
𝚌𝚒𝚗𝚎𝚖𝚊 𝚙𝚞𝚕𝚜𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚗𝚘 𝚙𝚎𝚒𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚍𝚎𝚒𝚛𝚊 𝚟𝚊𝚣𝚒𝚊.
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎 𝚗𝚎𝚕𝚎 𝚎𝚍𝚒𝚝𝚊𝚟𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚒𝚗𝚌𝚎𝚕
𝚙𝚊𝚕𝚊𝚍𝚒𝚗𝚊𝚟𝚊 𝚗𝚊𝚜 𝚕𝚎𝚝𝚛𝚊𝚜, 𝚊𝚛𝚖𝚊𝚍𝚞𝚛𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚙𝚎𝚕,
𝚂𝚎 𝚏𝚎𝚣 𝚜𝚎𝚖 𝚝𝚛𝚘𝚏é𝚞, 𝚌𝚘𝚖 𝚖𝚒𝚜𝚝𝚘 𝚍𝚎 𝚏𝚎𝚕, 𝚌𝚑𝚎𝚐𝚊𝚍𝚊 𝚎𝚖 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚌𝚘𝚖𝚙𝚘𝚗𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚛𝚊𝚜𝚎 𝚜𝚎𝚖 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚘𝚞 𝚖𝚊𝚍𝚛𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚖𝚊𝚜 𝚊𝚝é 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚘? 𝙽ã𝚘 𝚜𝚎𝚒, 𝚗ã𝚘 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚘.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚞𝚍𝚊𝚍𝚎, 𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚂𝚎𝚓𝚊 (𝚎)𝚝𝚎𝚛𝚗𝚘. 𝚂𝚎𝚖𝚙𝚛𝚎