Passagem de ônibus aumenta em SP: veja valores e cidades mais afetadas

Tarifas sofrem reajustes a partir de 6 de janeiro de 2026. Guarulhos lidera alta com 21%, enquanto ABC Paulista apresenta congelamentos estratégicos.

Crédito: Via Gemini

A passagem de ônibus é um dos itens que mais pesa no bolso do trabalhador da Região Metropolitana de São Paulo e, infelizmente, o custo para se deslocar ficará mais alto neste início de ano. O Governo do Estado, juntamente com diversas prefeituras da Grande São Paulo, confirmou uma série de reajustes tarifários que entram em vigor já na primeira semana de janeiro de 2026.

Segundo a administração estadual, o índice base de reajuste para o sistema intermunicipal é de 3,85%. No entanto, a realidade municipal varia drasticamente, criando um cenário complexo para quem depende do transporte público. No dia 6 de janeiro, também sobem as tarifas dos ônibus municipais da capital (gerenciados pela SPTrans), além de todo o sistema de trilhos — metrô, trem e monotrilho — e linhas municipais em cidades importantes como Mauá e Ribeirão Pires.

A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), que recentemente assumiu as atribuições regulatórias da antiga EMTU, divulgou na sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, a nova tabela oficial. Este movimento consolida uma mudança significativa na gestão do transporte sobre pneus, impactando diretamente milhões de passageiros diários.

Média de aumento e extremos

Antes de detalharmos cada cidade, temos levantamento dos principais polos da Região Metropolitana para entender o impacto real no orçamento familiar. Ao analisar os novos valores das principais cidades que aplicaram reajuste (São Paulo, Guarulhos, Osasco, ABC e linhas estaduais), identificamos que a passagem de ônibus e transportes correlatos sofreram uma variação média significativa.

Considerando apenas os municípios e sistemas que optaram pela elevação da tarifa, o aumento médio gira em torno de 9,2%. No entanto, a discrepância entre as cidades é notável:

  • Maior Reajuste: A cidade de Guarulhos aplicou o aumento mais severo da região. A tarifa saltou de R$ 5,10 para R$ 6,20, representando uma elevação de aproximadamente 21,5%.
  • Menor Reajuste (Positivo): As linhas estaduais reguladas pela Artesp tiveram a correção mais contida, fixada em 3,85%.
  • Congelamento: Na contramão dos vizinhos, Santo André e São Bernardo do Campo mantiveram suas tarifas congeladas, representando, na prática, o “menor reajuste” possível (0%) para o cidadão.

Detalhamento dos ônibus intermunicipais e Corredor ABD

Jovem sofre atropelamento por trólebus próximo ao Shopping ABC
Divulgação

Todas as linhas metropolitanas sofrerão alterações nos valores. A passagem de ônibus nas linhas comuns oscilará entre R$ 4,15 e R$ 12,00, enquanto os serviços seletivos (aqueles ônibus executivos de poltrona única) custarão entre R$ 9,05 e R$ 30,65. O valor final depende estritamente da extensão do trajeto percorrido e da área operacional da linha.

Um ponto de atenção especial vai para o Corredor Metropolitano ABD. Este sistema é a espinha dorsal do transporte entre o ABC e a Capital. Nos ônibus e trólebus que circulam por ali, a tarifa base sobe de R$ 6,05 para R$ 6,35.

O Corredor ABD é operado pela concessionária NEXT Mobilidade e transporta diariamente cerca de 290 mil passageiros. Sua estrutura de 45 km conecta pontos cruciais:

  1. Trecho Diadema-Brooklin: 12 km ligando o ABCD à Zona Sul de São Paulo.
  2. Trecho São Mateus-Jabaquara: 33 km conectando a Zona Leste à Zona Sul, cortando Santo André, Mauá (via Terminal Sônia Maria), São Bernardo e Diadema.

Para quem utiliza a integração entre este corredor e os terminais urbanos, há um leve ajuste. A transferência nos terminais São Mateus, Piraporinha e Diadema passa de R$ 1,35 para R$ 1,40.

Reajustes na Capital Paulista: Trilhos e SPTrans

A capital paulista é o termômetro do transporte nacional. A partir de 6 de janeiro de 2026, a passagem de ônibus municipal sobe de R$ 5,00 para R$ 5,30. O sistema de trilhos segue uma lógica parecida, saindo de R$ 5,20 para R$ 5,40.

Embora o aumento unitário pareça pequeno (centavos), o impacto na integração é pesado. O trabalhador que utiliza ônibus + metrô/trem pagará agora R$ 9,38 por viagem integrada.

Novos valores do Bilhete Único e Vale-Transporte:

  • Vale-Transporte (SPTrans): Sobe para R$ 5,82.
  • VT Integrado (Ônibus + Trilhos): Salta para R$ 11,32.
  • Bilhete Único Mensal (Apenas Ônibus): De R$ 242,95 para R$ 257,53.
  • Bilhete Único Mensal (Apenas Trilhos): Vai para R$ 262,43.
  • Bilhete Mensal Integrado: Atinge o valor de R$ 411,13.

Os bilhetes temporais e de fidelidade também foram corrigidos. O “Bilhete do Madrugador”, essencial para quem acorda antes do sol nascer (uso entre 4h e 5h35 nos trens), passa a custar R$ 4,78 na modalidade comum.

O “salto” tarifário em Guarulhos e Região Norte

Fábio Nunes Teixeira / PMG

Como mencionado na nossa análise inicial, Guarulhos protagoniza o aumento mais expressivo. A prefeitura decretou que a passagem de ônibus municipal sai de R$ 5,10 para R$ 6,20 em todas as modalidades. Isso coloca a cidade como uma das tarifas básicas mais caras do país.

Na mesma região, Arujá também elevou seus preços no dia 1º de janeiro, passando de R$ 5,50 para R$ 6,00. Itaquaquecetuba seguiu o fluxo, ajustando o bilhete “Viaja Fácil” para R$ 6,00 e o pagamento em dinheiro para R$ 6,30. O decreto em Itaquaquecetuba, assinado pelo prefeito Eduardo Boigues Queiroz, também reajustou o vale-transporte para R$ 7,10, onerando o custo de contratação para as empresas locais.

Transporte para Aeroportos: As linhas que servem o Aeroporto Internacional de Guarulhos não escaparam.

  • Linhas Seletivas (Executive Bus): A tarifa dispara para R$ 68,05. Isso inclui as rotas para Congonhas, Circuito dos Hotéis e Terminal Barra Funda.
  • Linha Comum (Suburbana): A ligação entre o Aeroporto e a Estação Tatuapé do Metrô sobe para R$ 8,35.

Cenário no ABC Paulista: Entre aumentos e congelamentos

A região do Grande ABC apresenta um cenário misto, o que pode confundir o passageiro que transita entre cidades vizinhas. Enquanto a passagem de ônibus intermunicipal sobe por determinação estadual, as tarifas municipais dependem das prefeituras.

Quem aumentou:

  • Mauá: A tarifa em dinheiro sobe para R$ 5,90 e no cartão SIM para R$ 4,90. O Vale-Transporte chega a R$ 7,50.
  • Ribeirão Pires: A passagem paga em dinheiro vai a R$ 6,40. Na bilhetagem eletrônica, o valor é R$ 5,70.
  • Rio Grande da Serra: Ajustou de R$ 5,00 para R$ 5,50.

Quem congelou: Santo André e São Bernardo do Campo mantiveram suas tarifas inalteradas. Em Santo André, o valor segue R$ 5,90 (dinheiro e cartão), com o VT a R$ 7,25. Em São Bernardo, a tarifa única de R$ 5,95 permanece vigente. São Caetano do Sul mantém a tarifa zero, mas a prefeitura sinaliza que, ao longo de 2026, o benefício poderá ser restrito apenas a moradores cadastrados, excluindo visitantes e trabalhadores de fora.

Gabriela Gonçalves / PMSCS

Osasco e a Região Oeste (CIOESTE)

Na zona Oeste da Grande São Paulo, a decisão foi conjunta. O Consórcio Intermunicipal da Região Oeste (CIOESTE) definiu um reajuste linear de 5,2%. A partir de 5 de janeiro, a passagem de ônibus municipal em Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi passa de R$ 5,80 para R$ 6,10.

Além das linhas municipais, as circulares intermunicipais que conectam essas cidades (Cotia, Osasco, Itapevi) também sofrem reajustes escalonados, variando entre R$ 7,05 e R$ 8,75, dependendo da quilometragem da rota.

Tarifas sobem na Região de Campinas (RMC)

A onda de reajustes não se restringe à capital e ao litoral. Quem depende da passagem de ônibus para transitar entre as cidades do interior também sentirá o peso no bolso. A EMTU confirmou que as linhas intermunicipais da Região Metropolitana de Campinas (RMC) terão novos valores vigentes a partir desta terça-feira, 6 de janeiro.

A publicação no Diário Oficial (sexta-feira, 2) abrange tanto os serviços comuns quanto os seletivos. Diferente da capital, onde a tarifa costuma ser unificada, na RMC o valor flutua consideravelmente dependendo do trajeto e dos corredores atendidos.

Confira abaixo quanto você vai pagar nos principais deslocamentos da região:

  • R$ 9,40 (O valor mais alto): Para quem faz o trajeto Jaguariúna – Campinas. O preço elevado se deve à inclusão da taxa de pedágio na tarifa. (Linhas afetadas: 612TRO, 612DV1, 616S02, 714TRO, 715TRO, 734S04)
  • R$ 6,70: Válido para ligações envolvendo Monte Mor, Paulínia, Sumaré e Hortolândia com destino a Campinas. (Principais linhas: 636 a 664, 708TRO, 709TRO e derivadas)
  • R$ 6,50: Afeta os corredores de alta demanda de Hortolândia e Valinhos/Vinhedo para Campinas. (Linhas de Hortolândia: 694 a 707 e 742 | Linhas de Valinhos/Vinhedo: 674 a 688)
  • R$ 6,15: Tarifa aplicada nas conexões entre Americana, Nova Odessa e Sumaré. (Linhas afetadas: 634, 639, 640, 644, 647, 749)

Essa atualização de preços segue a lógica de reequilíbrio contratual aplicada em todo o estado, impactando milhares de trabalhadores que residem nas cidades dormitório e se deslocam diariamente para o polo econômico de Campinas.

Integrações: Onde o aumento pesa mais

Muitas vezes, o usuário não sente tanto o aumento na tarifa base, mas sim na perda de poder de compra nas integrações. A passagem de ônibus integrada é vital para quem mora nas extremidades da mancha urbana.

Veja as principais mudanças nas integrações metropolitanas:

  1. Rio Grande da Serra: A integração entre a Linha 10-Turquesa e o ônibus intermunicipal na estação local sobe para R$ 9,05.
  2. Capão Redondo e Campo Limpo (Linha 5-Lilás): A tarifa no sentido Ônibus x Metrô varia agora entre R$ 5,40 e R$ 7,20. As integrações complementares aumentaram entre R$ 1,00 e R$ 1,80.
  3. Terminal Grajaú: A integração entre SPTrans e as linhas metropolitanas de Embu-Guaçu sobe para R$ 6,30.
  4. Terminal Sacomã (Expresso Tiradentes): Quem vem do ABC e pega o “Fura-Fila” pagará valores integrados entre R$ 6,45 e R$ 9,40.

Estratégias para economizar

Diante de tantos aumentos na passagem de ônibus, o passageiro precisa ser estratégico. Existem janelas de oportunidade para adiar o impacto no bolso.

A dica primordial é a antecipação de recarga. Se você utiliza sistemas que debitam por viagem (como o Bilhete Único de SP ou o Cartão BOM/TOP em algumas modalidades), carregar o cartão antes da virada da tarifa garante que você pague o valor antigo por um tempo determinado.

  • Bilhete Único (SP): Créditos comprados antes do dia 6 de janeiro serão debitados pelo valor antigo (R$ 5,00) por um período de até 6 meses ou até o fim do saldo.
  • Cidades Vizinhas: Em municípios como Guarulhos e Osasco, a regra costuma ser mais rígida, permitindo o uso do saldo antigo por apenas 30 dias após o aumento.

Vale a pena o Bilhete Mensal? Com os novos valores, é hora de refazer as contas. O Bilhete Único Mensal de SP custará R$ 257,53. Dividindo pelo valor da nova tarifa unitária (R$ 5,30), chegamos ao “número mágico” de 49 viagens.

  • Se você passa pela catraca mais de 49 vezes no mês, o Bilhete Mensal gera economia.
  • Considerando um trabalhador padrão (2 viagens/dia x 22 dias úteis = 44 viagens), o modelo mensal não compensa.
  • Porém, para quem trabalha na escala 6×1 ou usa o ônibus nos fins de semana para lazer, o Mensal torna-se extremamente vantajoso.

Gestão Artesp e o impacto no custo da passagem de ônibus intermunicipal

A transferência de responsabilidades da EMTU para a Artesp marca uma nova era na regulação. A expectativa é que, com a agência reguladora assumindo o controle, haja uma revisão mais técnica das concessões. No entanto, para o usuário final, a percepção imediata é apenas o encarecimento do serviço.

A passagem de ônibus intermunicipal continua sendo uma das mais caras do país quando comparada à quilometragem rodada em sistemas urbanos. O reajuste de 3,85% do Estado, embora pareça baixo frente à inflação, incide sobre valores base que já eram altos.

Tabela Resumo dos Principais Reajustes (Jan/2026)

Para facilitar sua visualização, compilamos os dados mais críticos:

  • São Paulo (Capital): R$ 5,30 (Municipal) | R$ 5,40 (Trilhos).
  • Guarulhos: R$ 6,20 (Aumento recorde).
  • Osasco/Oeste: R$ 6,10.
  • Campinas (RMC): R$ 6,15 a R$ 9,40 (Variável por trecho).
  • Mauá: R$ 5,90 (Dinheiro).
  • Santo André/SBC: R$ 5,90 / R$ 5,95 (Congelados).
  • Corredor ABD: R$ 6,35.
  • Integração Ônibus SP + Metrô: R$ 9,38.
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/01/2026
  • Fonte: FERVER