Maduro encara tribunal em Nova York nesta segunda-feira
Líder venezuelano responde por tráfico e terrorismo nos EUA após prisão em Caracas. Entenda os detalhes da audiência histórica.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A atenção global se volta para Manhattan nesta segunda-feira (5), onde Maduro deve comparecer perante um juiz federal às 12h (horário local). O Tribunal Federal do Distrito Sul confirmou que o ex-líder venezuelano será formalmente notificado sobre as graves denúncias que motivaram sua captura e extradição.
Autoridades norte-americanas sustentam que o político lidera uma complexa rede de crimes transnacionais. A detenção ocorreu no último sábado em Caracas, operação que também resultou na custódia de sua esposa, Cilia Flores. O Departamento de Justiça dos EUA fundamenta o processo em crimes de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e porte ilegal de armas de fogo.
O cerco judicial a Maduro e seus aliados
A acusação não se limita apenas ao chefe do Executivo deposto. Pam Bondi, procuradora-geral da administração Trump, detalhou que a estrutura criminosa investigada envolve o alto escalão do chavismo. Além de Maduro, a denúncia atinge figuras centrais do regime e familiares diretos.
Os indiciados no processo incluem:
- Cilia Flores: Esposa do ex-líder.
- Diosdado Cabello: Atual ministro do Interior da Venezuela.
- Nicolás Ernesto Maduro: Filho do ex-ditador.
Segundo os promotores, esses réus conspiraram ativamente com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o cartel de Sinaloa, do México. O objetivo seria facilitar o trânsito de drogas rumo à América do Norte. Marco Rubio, secretário de Estado, classificou o réu como um “fugitivo da Justiça americana”, reforçando a linha dura de Washington.
A promotoria argumenta que, durante seu tempo no poder, Maduro teria priorizado o enriquecimento ilícito próprio e de seus parceiros. A estratégia envolveria “inundar” os Estados Unidos com cocaína para desestabilizar a saúde pública do país, utilizando a droga como uma arma não convencional.
“O ex-líder não deve esperar escapar da justiça por conta de sua posição.” — J. D. Vance, vice-presidente dos EUA.

Controvérsias e geopolítica do petróleo
Apesar da narrativa oficial de Washington sobre o chamado “Cartel dos Sóis”, analistas internacionais apontam inconsistências. Especialistas ressaltam que a Venezuela não figura entre os grandes produtores globais de cocaína e que as rotas de tráfico que passam pelo país visam majoritariamente a Europa, e não os EUA.
A retórica política também permeia o caso. O vice-presidente J. D. Vance declarou que os EUA ofereceram “alternativas” não detalhadas ao venezuelano antes da prisão. Além disso, Vance reiterou a exigência de que a Venezuela “devolva o petróleo roubado”, ecoando discursos anteriores de Donald Trump.
Esta audiência marca um novo capítulo em uma batalha jurídica iniciada em 2020, quando o governo republicano indiciou o venezuelano pela primeira vez. Agora, sob custódia, resta saber como a defesa enfrentará as provas apresentadas contra Maduro.