Venezuela reduz produção de petróleo por falta de estoque

PDVSA inicia fechamento de campos após bloqueio americano impedir exportações, agravando a crise sob o novo governo interino.

Crédito: Divulgação/Freepik

A crise na Venezuela atingiu um ponto de inflexão logística com a decisão da estatal PDVSA de reduzir drasticamente a extração de óleo bruto. A medida, confirmada pela Reuters, responde à incapacidade física de armazenar o produto, uma consequência direta do bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos. Sem ter para onde escoar a produção, a paralisação das exportações pressiona ainda mais a administração interina do país.

O cenário em Caracas permanece volátil após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa por forças norte-americanas no último sábado (3). Com a deposição da antiga liderança, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando em meio a ameaças concretas de novas intervenções militares de Washington. O bloqueio naval restringiu o tráfego de navios-tanque na Venezuela, resultando na apreensão de dois carregamentos apenas no último mês.

Bloqueio dos EUA sufoca economia da Venezuela

A estagnação das exportações atinge o coração da economia local. Membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a nação sul-americana depende quase exclusivamente dessa commodity. Até mesmo a Chevron, gigante norte-americana que operava sob licença especial, teve suas atividades para os EUA suspensas desde a última quinta-feira.

Donald Trump, ex-presidente americano, declarou que o “embargo ao petróleo” contra a Venezuela está plenamente vigente. O Secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a estratégia, definindo a ação como uma “quarentena do petróleo”. Segundo Rubio, em entrevista à CBS, o objetivo não é administrar o país, mas forçar uma mudança política e conter o tráfico de drogas através da asfixia financeira do setor energético.

Entenda mais sobre a invasão dos Estados Unidos na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, no ABC Cast Conexões especial sobre o episódio recente.

Impactos operacionais na PDVSA e parceiros

A diretoria da PDVSA ordenou o fechamento de campos e conjuntos de poços. O sistema está colapsado pelo excesso de estoques em terra e pela ausência de diluentes, insumos vitais para processar o petróleo extrapesado típico da Venezuela. A estatal solicitou cortes imediatos nas joint ventures, afetando operações globais:

  • Petrolera Sinovensa (CNPC): Trabalhadores preparam a desativação de dez conjuntos de poços. Superpetroleiros chineses, que levariam o óleo como pagamento de dívidas, interromperam as rotas em dezembro.
  • Petropiar (Chevron): Mantém alguma produção devido à capacidade residual de armazenamento, mas seus navios estão impedidos de deixar as águas venezuelanas.
  • Petromonagas: Iniciou a redução enquanto aguarda diluentes via oleodutos. O campo, antes operado com a russa Roszarubezhneft, agora está sob controle exclusivo da PDVSA.

O paradoxo das reservas na Venezuela

O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, estimadas pela Energy Information Administration (EIA) em 303 bilhões de barris. Esse volume supera gigantes como Arábia Saudita e Irã. No entanto, a extração desse óleo extrapesado exige tecnologia de ponta e capital intensivo, recursos escassos no atual cenário da Venezuela.

A dependência histórica do “ouro negro” moldou a ascensão e a queda da economia nacional. Desde a nacionalização em 1976 e a posterior gestão de Hugo Chávez, as receitas financiaram programas sociais, mas o foco exclusivo no setor energético desamparou outras indústrias.

Entre 1998 e 2019, o petróleo representou mais de 90% das exportações. O colapso na produção, agravado pelas sanções, gerou uma das piores crises inflacionárias da história moderna. O Banco Central reportou uma inflação de 344.510% em 2019, pulverizando o poder de compra da população. A recuperação econômica depende, agora mais do que nunca, de uma solução para o impasse político e logístico que trava a Venezuela.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/01/2026
  • Fonte: FERVER