O que nos falta está no topo: o impacto da liderança feminina

Ampliar a presença de mulheres nos espaços de decisão fortalece políticas públicas, combate a violência de gênero e gera ganhos sociais e econômicos

Crédito: Divulgação/ Freepik

Todo ano, nós, mulheres, pensamos: o próximo será melhor. Mas neste dia os dados relacionados à violência contra a mulher indicam um cenário de alerta contínuo, com recordes estatísticos. E o que me cabe nesse artigo não é celebrar conquistas, apesar de celebrá-las e sustentá-las sempre que acontecem, mas cumprir o que devo, como uma mulher em posição de liderança, contribuindo com o enfrentamento do problema. Precisamos entender, como sociedade, quão eficiente pode ser o combate aos ciclos de violência quando alimentamos o protagonismo feminino em cargos decisórios.

O ciclo de violência e a urgência do protagonismo e da liderança feminina

Liderança feminina
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Além de todos os percalços já relacionados ao tema, os altos índices de violência no Brasil ganham eco e legitimidade em narrativas retrógradas e insistentes que colocam a mulher na subserviência, produzindo dependências financeiras, emocionais e sociais que tecem a prisão da insegurança, da crença na incapacidade e da inação. As redes sociais têm pulverizado essas narrativas altamente e comprovadamente perigosas, mas o contraponto pode e deve ser construído. Esse espaço precisa ser ocupado por mulheres que compreendam o poder transformador de sua voz; e por homens conscientes que assumam posição digna ao lado delas.

O que nos falta está no topo. No poder de decisão, na participação ativa e efetiva nos lugares que movem a sociedade, do ponto que cada mulher escolher ocupar. Precisamos de ações concretas. Não há mais tempo para debates que não resultam em atitudes. Como ampliar recursos e garantias para avanços urgentes?

Representatividade feminina e liderança nos espaços de decisão

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Representatividade feminina e políticas públicas são centrais. Menos mulheres em posições de poder significa menor prioridade, menos orçamento, menos políticas específicas de prevenção, proteção e assistência; e impunidade institucional. Quando mulheres ocupam cargos decisórios, há mais atenção às violências, redes de acolhimento e integridade das leis. O Brasil tem marcos legais importantes, como a Lei Maria da Penha, mas a ausência feminina nas instâncias de decisão e fiscalização fragiliza implementação, articulação interinstitucional e inovação, e torna as respostas públicas fragmentadas. O caminho, já longo, fica ainda mais cheio de entraves quando somado ao peso das narrativas retrógradas espalhadas nos porões e à luz do dia, no meio digital.

Cargos de liderança ocupados por mulheres nos ambientes de trabalho: essencial. Seja no cenário corporativo, acadêmico, governamental, industrial, no comércio, no empreendedorismo, nas áreas da saúde, no terceiro setor, nas cooperativas, nas forças de segurança. Em qualquer frente, liderança feminina promove autonomia, abre caminhos para outras mulheres, transforma culturas frágeis e impacta diretamente a segurança do ambiente, reduzindo dependências.

Liderança feminina traz clareza sobre os problemas, orienta políticas e processos sensíveis aos ciclos de violência, assume prevenção e suporte como compromisso e amplia, gradualmente, a representatividade: ou seja, amplia presença e visibilidade reais.

Os dados deveriam falar mais alto, apesar de gritarem por si só: mulheres ocupam cerca de 38,8% dos cargos de gestão no Brasil (3º no G20 em 2025), mas apenas 17,4% das empresas têm mulheres na presidência (2025). Entre empresas pesquisadas, 8 a 9% não têm nenhuma mulher na alta gestão. E, em cargos de gerência e diretoria, mulheres ainda recebem cerca de 27% menos que homens (2024). Apesar de o país superar a média global em participação feminina, a paridade plena segue distante. Estimativas apontam que, no ritmo atual, levará mais de um século para igualar oportunidades entre gêneros.

Diversidade de gênero: impacto econômico, social e institucional

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E encarar isso nos direciona (ou deveria direcionar) a considerar, com inteligência e lucidez, um argumento econômico e institucional poderoso, que precisa ser compreendido por todos: empresas com maior diversidade de gênero na liderança têm até 25% mais probabilidade de superar a média de mercado. Diversidade melhora decisões, inovação e resultados. Empresas com mulheres na alta gestão demonstram maior rentabilidade, melhor retenção de talentos, maior foco em sustentabilidade e melhor capacidade de adaptação a mudanças no mercado, resultando em um crescimento mais sustentável e competitivo.

Nós, mulheres em posições de liderança, temos que utilizar das condições de moldar rumos e abrir frentes para ampliar participação feminina nos espaços decisórios. E essa responsabilidade também recai, obviamente, sobre homens em posições de poder: equidade é força. Gera visão ampla, integração, identificação com diversos públicos, criatividade, eficiência institucional e justiça social. É sobre liderança com propósito e legado. Fazer parte da transformação gera impacto onde mais precisamos: no agora e no futuro.

O que nos falta está no topo. Por isso vamos continuar subindo.

Larissa Ferrari

Larissa Ferrari – Divulgação

Larissa Ferrari é Co-CEO da Octopus, agência de publicidade e propaganda com quase cinco décadas de atuação e operações nos estados de São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Minas Gerais.

  • Publicado: 05/03/2026
  • Alterado: 05/03/2026
  • Autor: 05/03/2026
  • Fonte: Assessoria