Novo tremor atinge Venezuela após terremoto devastador
Abalo de magnitude 4,6 foi sentido em Caracas e ocorre enquanto equipes seguem resgatando vítimas da tragédia que deixou 1.500 mortos
- Publicado: 29/06/2026 15:40
- Alterado: 29/06/2026 15:42
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: ABCdoABC
Cinco dias após o terremoto que devastou parte da Venezuela, um novo abalo sísmico voltou a ser registrado no país nesta segunda-feira (29). O tremor, de magnitude 4,6 na escala Richter, teve epicentro na região de Caraballeda, no estado de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pela catástrofe da semana passada. O fenômeno também foi sentido por moradores de Caracas, mantendo o clima de tensão entre a população.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor ocorreu a cerca de 10 quilômetros de profundidade e teve o epicentro localizado a aproximadamente 27 quilômetros do centro de Caraballeda, município com cerca de 50 mil habitantes situado a cerca de 40 quilômetros da capital venezuelana.
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, classificou o episódio como uma réplica de intensidade moderada. De acordo com ele, as autoridades não identificaram novos danos estruturais nem registros de ocorrências adicionais em outras regiões do país após o abalo.
País segue registrando atividade sísmica intensa

Desde os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24), a atividade sísmica permanece intensa. Na sexta-feira (26), outro tremor de magnitude 4,9 já havia sido registrado, enquanto as autoridades contabilizam aproximadamente 430 réplicas desde o desastre inicial. Esses fenômenos são comuns após grandes terremotos e decorrem da acomodação das placas tectônicas afetadas pelo primeiro abalo.
Quem vive na capital relata que pequenos tremores fazem parte da rotina, embora eventos de maior intensidade sejam incomuns. Professora da Universidade Central da Venezuela (UCV), Tamara Adrián contou à Agência Brasil que percebe com frequência os movimentos sísmicos devido às características do edifício onde trabalha. “Trabalho nesse prédio há quase 30 anos e sinto pelo menos um ou dois tremores por semana. São sempre leves, mas sinto o movimento”, comentou.
Ao comparar a situação atual com outros episódios da história recente do país, Adrián lembrou o terremoto de 1967, que atingiu magnitude 6,1. “Vivi o terremoto de 1967, que teve magnitude 6.1. Na Venezuela, há muitos tremores, mas os terremotos raramente ultrapassam 6 na escala Richter. Historicamente, porém, em Caracas, o intervalo entre esses terremotos maiores, segundo medições de sismólogos, tem sido de cerca de 50 anos”, disse.
Resgates continuam enquanto aumenta o número de vítimas
Enquanto as réplicas continuam sendo monitoradas pelas autoridades, as equipes de resgate seguem mobilizadas nas áreas devastadas. O balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano aponta 1.500 mortos e 3.150 feridos em consequência do duplo terremoto. Cerca de 25 mil socorristas participam da operação, entre eles aproximadamente 2,6 mil profissionais enviados por outros países.
Até o domingo (28), 33 pessoas haviam sido retiradas com vida dos escombros. O Brasil participa da força-tarefa internacional e já enviou quatro aeronaves com ajuda humanitária para apoiar as ações de atendimento às vítimas.