Famílias fazem buscas por vítimas e cobram ação na Venezuela

Com pelo menos 1.450 mortos após os terremotos, moradores de La Guaira assumem buscas por desaparecidos e denunciam demora das autoridades no resgate

Crédito: RS/FotosPúblicas

Quatro dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, familiares de vítimas seguem realizando buscas por conta própria em meio aos escombros de La Guaira, região mais devastada pelo desastre. Segundo os números oficiais, ao menos 1.450 pessoas morreram desde os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho.

O cenário é marcado por prédios destruídos, forte odor causado pela decomposição de corpos e equipes trabalhando na remoção de destroços. Em diversos pontos da cidade, parentes improvisam listas de desaparecidos e permanecem nos locais na esperança de localizar seus familiares.

Moradores criticam atuação das autoridades

Familiares afirmam que o trabalho das equipes de resgate diminuiu nos últimos dias, obrigando moradores a continuar as buscas sem treinamento especializado.

Em frente ao edifício Aguja Azul, uma das construções atingidas, parentes procuram vítimas que permanecem sob os escombros. Entre elas estão familiares de Dajameles Ramires, que relata que equipes chegaram ao local, mas posteriormente foram deslocadas para outras áreas.

Já no conjunto residencial Luiza Cáceres de Arismendi, moradores chegaram a bloquear a saída de veículos e máquinas pesadas para exigir a continuidade das operações de resgate. Eles afirmam que o atendimento prestado pelo Estado tem sido insuficiente diante da dimensão da tragédia.

Sobreviventes ainda são encontrados

Apesar da redução das expectativas de encontrar pessoas com vida, equipes de resgate localizaram neste domingo (28) dois meninos de 11 anos sobreviventes entre os destroços.

Um deles teve os olhos protegidos pelos socorristas para evitar o impacto da luz solar após permanecer vários dias soterrado. A líder interina Delcy Rodríguez divulgou imagens do resgate nas redes sociais e afirmou que cada vida salva representa esperança para o país.

Ainda assim, moradores relatam que os casos de sobrevivência se tornaram exceção, enquanto a maior parte das operações passou a concentrar esforços na localização de corpos.

Desabrigados enfrentam dificuldades

Centenas de pessoas permanecem alojadas em praças e espaços públicos de La Guaira. Pilhas de roupas doadas são distribuídas entre os desabrigados, que enfrentam temperaturas superiores a 30°C, situação que agrava o desgaste físico e intensifica o mau cheiro provocado pelos corpos ainda soterrados.

No centro da cidade, diversos estabelecimentos comerciais permanecem fechados. Muitos exibem avisos informando que foram saqueados logo após os terremotos, enquanto outros tiveram suas estruturas comprometidas.

Maioria das edificações apresenta danos

Equipes do Ministério da Moradia realizam inspeções nas construções atingidas. Segundo o engenheiro civil Guillermo Bonilla, as avaliações ainda são preliminares, mas a estimativa é de que mais de 90% das estruturas da região tenham sofrido algum tipo de comprometimento, mesmo quando não houve desabamento.

Em comunicado oficial, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que pelo menos 189 edifícios desabaram em todo o país e outros 580 sofreram danos estruturais.

Número de afetados continua crescendo

Além das 1.450 mortes confirmadas oficialmente, o governo venezuelano contabiliza ao menos 3.150 feridos. A estimativa considera apenas os casos registrados nos hospitais.

Já a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que cerca de 6,7 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos terremotos, entre mortos, feridos e desabrigados. A entidade também estima que existam mais de 50 mil desaparecidos.

Enquanto os levantamentos continuam, familiares seguem mobilizados nas áreas destruídas, sem previsão para o encerramento das buscas por vítimas dos terremotos que devastaram La Guaira e outras regiões da Venezuela.

  • Publicado: 28/06/2026 20:25
  • Alterado: 28/06/2026 20:25
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress