13 brasileiros são resgatados da Venezuela após fortes terremotos
Missão humanitária da Força Aérea Brasileira retirou 13 brasileiros do país, enquanto número de vítimas e desaparecidos segue aumentando após os sismos
- Publicado: 28/06/2026 13:37
- Alterado: 28/06/2026 13:37
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
Treze brasileiros que estavam na Venezuela foram resgatados neste domingo (28) por uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), após os dois fortes terremotos que atingiram o país na última quarta-feira (24). O grupo havia solicitado apoio emergencial à Embaixada do Brasil em Caracas, já que o Aeroporto Internacional de Maiquetía permanece fechado em razão dos danos provocados pelos tremores.
A aeronave utilizada no resgate fazia parte da missão humanitária enviada pelo governo brasileiro para prestar assistência às vítimas do desastre. A operação foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com uma equipe multidisciplinar, cães farejadores e equipamentos especializados para ações de busca e salvamento.
Dois brasileiros morreram durante a tragédia
O terremoto também vitimou dois cidadãos brasileiros. Uma das vítimas foi Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia (MG), que morreu após ser atingido pelo desabamento de uma parede. Ele estava na Venezuela desde abril com a esposa, de nacionalidade venezuelana, visitando familiares e comemorando seu aniversário.
A segunda vítima foi Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Distrito Federal. Segundo familiares, ela morreu na região costeira de La Guaira em consequência dos terremotos.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores lamentou as mortes e informou que acompanha a situação por meio da Embaixada do Brasil em Caracas.
Número de mortos e desaparecidos preocupa autoridades
O balanço divulgado pelo governo venezuelano aponta 1.430 mortos e 3.328 feridos em decorrência dos terremotos. Paralelamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, classificou as operações de resgate como extremamente complexas devido à grande quantidade de edifícios destruídos e pessoas soterradas.
Especialistas alertam que o número de vítimas pode aumentar significativamente à medida que os trabalhos de busca avancem. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calcula 44% de probabilidade de que o total de mortos ultrapasse 10 mil pessoas e 30% de chance de superar 100 mil vítimas fatais, considerando a intensidade dos tremores, a densidade populacional das áreas atingidas e a vulnerabilidade das construções.
Tremores ocorreram com segundos de diferença
De acordo com o USGS, os dois terremotos ocorreram com aproximadamente 40 segundos de intervalo e tiveram epicentros próximos entre si, na região oeste de Morón, no litoral venezuelano.
O primeiro sismo registrou magnitude 7,2, enquanto o segundo alcançou magnitude 7,5. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram prédios e residências danificados, grandes nuvens de poeira e moradores deixando as ruas em meio ao pânico.
Embora terremotos ocorram com relativa frequência na Venezuela, autoridades e especialistas consideram que a intensidade registrada nesta semana foi incomum. Os eventos sísmicos mais severos do país nas últimas décadas haviam sido os terremotos de Caracas, em 1967, e de Cariaco, em 1997.