Museu Judaico recebe documentos inéditos sobre o Holocausto
Exposição no Museu Judaico revelam registros raros da ocupação nazista na França e pautam a importância da memória contra o antissemitismo
- Publicado: 02/04/2026 15:18
- Alterado: 02/04/2026 15:18
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: MUJ
O Museu Judaico de São Paulo (MUJ) realiza, no dia 12 de abril, às 11h, o evento “Ressignificando a Vida”, que formaliza a doação de um acervo inédito de documentos do Holocausto. As peças pertenciam à família de Charlotte Goldsztajn Wolosker, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, e oferecem um recorte pouco explorado pela historiografia tradicional: o cotidiano da perseguição na França ocupada.
A programação integra o lançamento do livro La Petite Charlotte, escrito por Silvia Wolosker Levi, cujos direitos autorais serão integralmente revertidos para a manutenção das atividades do museu.
A incorporação desses documentos ao acervo público do Museu Judaico cumpre uma função institucional de salvaguarda contra o revisionismo histórico. Diferente da maioria dos registros preservados, que se concentram nos campos da Polônia e Alemanha, o material da família Wolosker detalha a burocracia do terror em solo francês.
Entre as relíquias estão passaportes poloneses, documentos de repatriação e um desenho original feito por Don Goldsztajn, pai de Charlotte, em 1941, enquanto estava prisioneiro no campo de Pithiviers, antes de sua transferência definitiva para Auschwitz.
O valor histórico do acervo e a conexão com o presente

A diretoria de Acervo e Memória do MUJ ressalta que a originalidade dos itens permite ampliar o olhar geográfico sobre o Holocausto. A presença de registros emitidos pelo governo francês para prisioneiros e deportados preenche lacunas sobre como a máquina estatal colaboracionista operava na Europa Ocidental.
Essa especificidade documental atrai pesquisadores e educadores de toda a Região Metropolitana, incluindo o Grande ABC, consolidando o Museu Judaico como um polo de referência para o estudo dos direitos humanos e da intolerância religiosa.
“A maior parte dos registros preservados que acessamos tradicionalmente está associada à Alemanha e Polônia. Este conjunto chama a atenção pelo caráter original da ocupação nazista na França. A incorporação desse material contribui para a preservação de dimensões da memória que ainda precisam de maior visibilidade institucional”, destaca Roberta Sundfeld, diretora da instituição, sobre a relevância técnica da nova coleção.
O evento de lançamento promove um diálogo entre Charlotte e sua filha, Silvia, com mediação do cientista político André Lajst. O debate pretende transpor a barreira do dado histórico frio para atingir a dimensão do testemunho pessoal.
Para os organizadores, a discussão sobre o antissemitismo e a perseguição étnica não é um exercício de nostalgia, mas uma ferramenta de análise necessária para compreender as tensões sociais atuais que atingem diversas comunidades minoritárias no Brasil e no mundo.
Educação e preservação da memória para as novas gerações
Charlotte Wolosker acredita que o ato de tornar pública sua história pessoal é uma tentativa de transformar o trauma em legado educativo. A miniexposição que seguirá o debate permitirá que o público visualize os “vestígios do invisível”, objetos que sobreviveram ao extermínio e que agora servem de prova material contra o esquecimento.
A iniciativa dialoga com as políticas pedagógicas de São Paulo, que buscam inserir temas de cidadania e respeito às diferenças no currículo escolar através de visitas guiadas a equipamentos culturais de alta densidade histórica.
O desdobramento desse evento deve ser acompanhado pela comunidade acadêmica e pelo público geral interessado em direitos civis. A doação desses documentos garante que a história de Charlotte não se encerre em sua narrativa oral, mas permaneça disponível para análise crítica nas próximas décadas.
Em um período marcado pela rapidez das informações digitais, o Museu Judaico reafirma o valor do documento físico e do testemunho presencial como pilares de resistência contra a desinformação e o crescimento de discursos de ódio na sociedade contemporânea.
Para garantir a participação no evento e o acesso ao acervo do Museu Judaico, os interessados devem realizar a reserva antecipada através da plataforma digital oficial da instituição.
Serviço: Ressignificando a vida
Data: 12 de abril de 2026
Local: Museu Judaico de São Paulo
Horário: 11h
Entrada: gratuita