Bienal de Arquitetura homenageia o vira-lata caramelo

A primeira edição do evento ocupa o Ibirapuera com projetos inéditos. O destaque é uma cafeteria conceitual em tons terrosos e orgânicos.

Crédito: Gabriel Spinardi

A primeira Bienal de Arquitetura Brasileira redefine o olhar sobre o design nacional. O evento ocupa o histórico Pavilhão das Culturas Brasileiras até o final de abril. Idealizada pela plataforma Archa, a mostra transforma o espaço no Parque Ibirapuera em um manifesto contundente sobre a identidade do país.

Bienal de Arquitetura exibe o Café Ode ao Caramelo

O arquiteto curitibano André Henning desenhou o espaço de convivência oficial da exposição. A proposta subverte a ideia tradicional de uma simples área de apoio. O projeto integra o percurso imersivo e estimula encontros francos, sem roteiro definido.

“A proposta foi criar um ambiente que acolha essas pausas e conversas, entendendo a arquitetura como algo que acontece no uso e na experiência”, explica André Henning.

O símbolo máximo da cultura afetiva nacional inspirou o conceito central. Henning utilizou o icônico cachorro caramelo para pautar a paleta de cores e a escolha minuciosa dos revestimentos. A Bienal de Arquitetura ganha uma narrativa contemporânea fundamentada na materialidade orgânica.

Materialidade e design autoral

A riqueza do ambiente reside na combinação tátil. O profissional selecionou madeira natural, couro e o imponente granito Café Imperial com acabamento escovado. Superfícies de cimento queimado complementam a estética monocromática terrosa.

O mobiliário exclusivo reforça a identidade autoral do projeto:

  • Cadeiras com tramas em corda.
  • Banquetas de metal escovado.
  • Mesas desenhadas sob medida para o pavilhão.

A iluminação desempenha um papel estratégico na Bienal de Arquitetura. O uso de skylines direciona a luz de forma sutil para a parte inferior do ambiente. Essa técnica cria profundidade visual e garante o aconchego necessário para o público.

“Como estamos em um edifício icônico, pensamos o projeto como uma estrutura independente, praticamente flutuante, respeitando integralmente a obra do Oscar Niemeyer“, detalha o arquiteto.

Arte, paisagismo e serviço

Objetos decorativos ampliam a narrativa estética do ambiente. Cerâmica, barro e madeira dividem espaço com obras de arte urbana e digital concebidas com exclusividade. A curadoria converte o café em uma extensão genuína e sensível das galerias de exposição.

A vegetação quebra as pesadas barreiras físicas do edifício modernista. Aberturas estratégicas emolduram o verde característico do parque. O interior absorve a paisagem externa de maneira natural e contínua.

O espaço materializa a proposta central da exibição nacional. O público vivencia o Brasil por meio da luz, do toque e das interações cotidianas. A Bienal de Arquitetura comprova que o design mais sofisticado nasce da observação das referências mais populares.

Serviço Oficial do Evento:

  • Evento: 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB).
  • Período: 25 de março a 30 de abril de 2026.
  • Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), Portão 03.
  • Ingressos: R$ 80 (dias de semana) e R$ 100 (finais de semana).
  • Publicado: 02/04/2026 15:12
  • Alterado: 02/04/2026 15:12
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: BAB