Marcelo Lima avisa Justiça sobre possível escapadinha ao Paraguai
Defesa comunica viagem a Foz do Iguaçu dias após prefeito reassumir cargo. Histórico de Marcelo Lima inclui afastamento e uso de tornozeleira
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Poucos dias após reconquistar o direito de comandar a prefeitura de São Bernardo do Campo, o prefeito Marcelo Lima comunicou à Justiça seu primeiro destino de lazer: Foz do Iguaçu (PR). Em uma petição protocolada nesta semana (sob número WPRO25017003924), a defesa do prefeito informa sobre a viagem de três dias e inclui uma menção que chama a atenção: a possibilidade de uma breve visita ao Paraguai.
A comunicação da viagem ocorre em um momento delicado. Lima reassumiu o cargo recentemente após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que flexibilizou as medidas cautelares impostas contra ele. O prefeito Marcelo Lima havia sido afastado do cargo sob a suspeita de liderar um complexo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da administração municipal, chegando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Viagem a Foz comunicada por “excesso de cautela”

No documento enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, os advogados do prefeito Marcelo Lima, das bancas Bottini & Tamasauskas e Vilela, Miranda e Aguiar Fernandes, detalham que a viagem de lazer ocorre entre os dias 23 e 26 de outubro de 2025. O destino principal e os voos agendados são de São Paulo para Foz do Iguaçu.
A defesa faz questão de frisar que não se trata de um “pedido de permissão“, mas sim de uma “comunicação” voluntária, feita “por excesso de cautela” e “prezando pela transparência“.
A menção da ida de Marcelo Lima ao Paraguai
O ponto mais sensível da petição é a justificativa para a escolha do destino. O documento afirma que, durante a estadia em Foz do Iguaçu, Marcelo Lima poderá realizar passeios turísticos na região, que incluem a tríplice fronteira.
Textualmente, a defesa informa que uma visita ao Paraguai pode ocorrer “em razão da proximidade e dos passeios turísticos da região“. Embora o Paraguai não seja o destino final, a simples menção a uma saída do país, mesmo que breve, por parte de um gestor que até pouco tempo estava com a circulação restrita, adiciona ironia ao contexto político.
Decisão do STJ flexibilizou medidas
A defesa baseia a legalidade da viagem em uma recente ordem de habeas corpus concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo os advogados, a decisão do STJ “flexibilizou a cautelar de proibição de ausentar-se da comarca“.
A nova regra, conforme descrito na petição, permite que Marcelo Lima tenha “livre circulação pelo Estado de São Paulo, não podendo sair do Estado de São Paulo por mais de 7 dias, sem prévia comunicação ao Juízo“. Como a viagem programada para Foz do Iguaçu tem a duração de apenas 3 dias, a defesa argumenta que a comunicação prévia “não é exigida“, mas foi feita mesmo assim para “evitar qualquer intercorrência“.
O histórico do afastamento do prefeito Marcelo Lima

A necessidade de comunicar uma simples viagem de lazer é um reflexo direto dos problemas legais que levaram ao afastamento de Marcelo Lima do cargo. O prefeito é o principal alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de “caixa 2” abastecido por empresas com contratos vultosos com a prefeitura e fundações ligadas à administração de São Bernardo do Campo.
A investigação ganhou força após a prisão em flagrante de Paulo Iran Paulino Costa, apontado pela PF como o operador financeiro pessoal de Marcelo Lima.
A prisão do assessor e o uso de tornozeleira
Documentos da investigação, como o ‘Auto de Exploração de Material Apreendido pela Polícia Federal’, detalham a hipótese criminal. A PF sustenta que Paulo Iran, que atuava como assessor direto do prefeito, foi detido com grande quantidade de dinheiro em espécie e teve seus aparelhos celulares apreendidos.
A análise dos telefones revelou, segundo o relatório policial, uma intensa troca de mensagens entre Paulo Iran, o prefeito Marcelo Lima, o vereador Danilo Lima de Ramos (primo do prefeito) e diversos empresários. As conversas e anotações indicariam um controle financeiro paralelo para o pagamento de despesas pessoais do prefeito e de sua família.
O suposto esquema
A hipótese central da investigação é que empresas com contratos públicos, como Quality Medical, DR3 Engenharia, Lara, One Laudos, Peralta Ambiental, Tecnocomp e Consórcio SBS, entre outras, repassariam valores a Paulo Iran, que por sua vez administrava os pagamentos de contas de luxo, viagens e até mesmo despesas pessoais de Marcelo Lima e de seus familiares diretos.
Com base nessas evidências, a Justiça havia determinado o afastamento de Marcelo Lima do cargo e a imposição de medidas cautelares severas, incluindo a proibição de deixar a comarca e o uso de tornozeleira eletrônica, visando impedir a continuidade dos supostos delitos e a interferência nas investigações.
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O retorno ao cargo e a “nova” liberdade

Após meses de batalha judicial, a defesa de Marcelo Lima obteve a vitória no STJ que considerou as medidas desproporcionais, permitindo seu retorno ao cargo e a retirada da tornozeleira. A decisão, no entanto, não encerrou o processo, que continua em andamento.
A comunicação da viagem a Foz do Iguaçu, com a possibilidade de um “passeio” pelo Paraguai, é o primeiro ato de Lima que testa os limites de sua nova liberdade supervisionada. O gesto, comunicado “por transparência“, ocorre enquanto o prefeito tenta restabelecer a normalidade administrativa, ao mesmo tempo em que a Polícia Federal segue analisando as provas do suposto esquema de corrupção que o tirou do poder temporariamente.