Marcelo Lima avisa Justiça sobre possível escapadinha ao Paraguai

Defesa comunica viagem a Foz do Iguaçu dias após prefeito reassumir cargo. Histórico de Marcelo Lima inclui afastamento e uso de tornozeleira

Crédito: Reprodução/Facebook/Marcelo Lima

Poucos dias após reconquistar o direito de comandar a prefeitura de São Bernardo do Campo, o prefeito Marcelo Lima comunicou à Justiça seu primeiro destino de lazer: Foz do Iguaçu (PR). Em uma petição protocolada nesta semana (sob número WPRO25017003924), a defesa do prefeito informa sobre a viagem de três dias e inclui uma menção que chama a atenção: a possibilidade de uma breve visita ao Paraguai.

A comunicação da viagem ocorre em um momento delicado. Lima reassumiu o cargo recentemente após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que flexibilizou as medidas cautelares impostas contra ele. O prefeito Marcelo Lima havia sido afastado do cargo sob a suspeita de liderar um complexo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da administração municipal, chegando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Viagem a Foz comunicada por “excesso de cautela”

Marcelo Lima
Imagens Foz do Iguaçu

No documento enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, os advogados do prefeito Marcelo Lima, das bancas Bottini & Tamasauskas e Vilela, Miranda e Aguiar Fernandes, detalham que a viagem de lazer ocorre entre os dias 23 e 26 de outubro de 2025. O destino principal e os voos agendados são de São Paulo para Foz do Iguaçu.

A defesa faz questão de frisar que não se trata de um “pedido de permissão“, mas sim de uma “comunicação” voluntária, feita “por excesso de cautela” e “prezando pela transparência“.

A menção da ida de Marcelo Lima ao Paraguai

O ponto mais sensível da petição é a justificativa para a escolha do destino. O documento afirma que, durante a estadia em Foz do Iguaçu, Marcelo Lima poderá realizar passeios turísticos na região, que incluem a tríplice fronteira.

Textualmente, a defesa informa que uma visita ao Paraguai pode ocorrer “em razão da proximidade e dos passeios turísticos da região“. Embora o Paraguai não seja o destino final, a simples menção a uma saída do país, mesmo que breve, por parte de um gestor que até pouco tempo estava com a circulação restrita, adiciona ironia ao contexto político.

Decisão do STJ flexibilizou medidas

A defesa baseia a legalidade da viagem em uma recente ordem de habeas corpus concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo os advogados, a decisão do STJ “flexibilizou a cautelar de proibição de ausentar-se da comarca“.

A nova regra, conforme descrito na petição, permite que Marcelo Lima tenha “livre circulação pelo Estado de São Paulo, não podendo sair do Estado de São Paulo por mais de 7 dias, sem prévia comunicação ao Juízo“. Como a viagem programada para Foz do Iguaçu tem a duração de apenas 3 dias, a defesa argumenta que a comunicação prévia “não é exigida“, mas foi feita mesmo assim para “evitar qualquer intercorrência“.

O histórico do afastamento do prefeito Marcelo Lima

Marcelo Lima
Polícia Federal

A necessidade de comunicar uma simples viagem de lazer é um reflexo direto dos problemas legais que levaram ao afastamento de Marcelo Lima do cargo. O prefeito é o principal alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de “caixa 2” abastecido por empresas com contratos vultosos com a prefeitura e fundações ligadas à administração de São Bernardo do Campo.

A investigação ganhou força após a prisão em flagrante de Paulo Iran Paulino Costa, apontado pela PF como o operador financeiro pessoal de Marcelo Lima.

A prisão do assessor e o uso de tornozeleira

Documentos da investigação, como o ‘Auto de Exploração de Material Apreendido pela Polícia Federal’, detalham a hipótese criminal. A PF sustenta que Paulo Iran, que atuava como assessor direto do prefeito, foi detido com grande quantidade de dinheiro em espécie e teve seus aparelhos celulares apreendidos.

A análise dos telefones revelou, segundo o relatório policial, uma intensa troca de mensagens entre Paulo Iran, o prefeito Marcelo Lima, o vereador Danilo Lima de Ramos (primo do prefeito) e diversos empresários. As conversas e anotações indicariam um controle financeiro paralelo para o pagamento de despesas pessoais do prefeito e de sua família.

O suposto esquema

A hipótese central da investigação é que empresas com contratos públicos, como Quality Medical, DR3 Engenharia, Lara, One Laudos, Peralta Ambiental, Tecnocomp e Consórcio SBS, entre outras, repassariam valores a Paulo Iran, que por sua vez administrava os pagamentos de contas de luxo, viagens e até mesmo despesas pessoais de Marcelo Lima e de seus familiares diretos.

Com base nessas evidências, a Justiça havia determinado o afastamento de Marcelo Lima do cargo e a imposição de medidas cautelares severas, incluindo a proibição de deixar a comarca e o uso de tornozeleira eletrônica, visando impedir a continuidade dos supostos delitos e a interferência nas investigações.

Leia mais: Corrupção em São Bernardo: PF deflagra Operação Estafeta

Leia também: Operação conjunta investiga atuação do PCC no setor de combustíveis

O retorno ao cargo e a “nova” liberdade

Marcelo Lima
Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Após meses de batalha judicial, a defesa de Marcelo Lima obteve a vitória no STJ que considerou as medidas desproporcionais, permitindo seu retorno ao cargo e a retirada da tornozeleira. A decisão, no entanto, não encerrou o processo, que continua em andamento.

A comunicação da viagem a Foz do Iguaçu, com a possibilidade de um “passeio” pelo Paraguai, é o primeiro ato de Lima que testa os limites de sua nova liberdade supervisionada. O gesto, comunicado “por transparência“, ocorre enquanto o prefeito tenta restabelecer a normalidade administrativa, ao mesmo tempo em que a Polícia Federal segue analisando as provas do suposto esquema de corrupção que o tirou do poder temporariamente.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/10/2025
  • Fonte: Sorria!,