SP inaugura maior planta de biometano do Brasil

Unidade em Paulínia amplia liderança paulista na transição energética e pode produzir até 225 mil m³/dia de combustível renovável por meio do biometano

Crédito: Divulgação

O Governo de São Paulo inaugurou neste sábado (7), em Paulínia, a maior planta de biometano do Brasil, reforçando a liderança do estado na transição energética e na produção de combustíveis renováveis. A cerimônia contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Com nove unidades em operação, São Paulo concentra cerca de 700 mil metros cúbicos por dia (m³/dia) de capacidade instalada — aproximadamente metade do total nacional, distribuído em 19 plantas.

Planta em Paulínia transforma resíduos em energia

Instalada em um Ecoparque que substitui um antigo aterro sanitário, a unidade da empresa OneBio produz biometano a partir da purificação do biogás gerado por resíduos sólidos urbanos. A capacidade nominal é de 225 mil m³/dia, volume equivalente ao consumo de mais de mil ônibus urbanos e que representa cerca de um terço da capacidade instalada no estado.

A operação inicial corresponde a 50% da capacidade total, com previsão de atingir o pleno funcionamento ao longo de 2026. O empreendimento é resultado de parceria entre a Edge, detentora de 51% de participação, e a Orizon Valorização de Resíduos, que possui 49%.

A comercialização do biometano será feita pela Edge. A planta já está conectada à rede de distribuição de gás canalizado. Em novembro, a empresa anunciou contrato com a Unilever para fornecimento do combustível renovável a uma fábrica de sabonetes em Valinhos (SP), com foco na descarbonização de processos industriais e frota.

Licenças e marco regulatório

A unidade recebeu licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produção e comercialização do biometano.

Durante a inauguração, o governador destacou o papel do Brasil no cenário global de energia limpa. “Uma das nossas vocações é a transição energética. O mundo precisa de parceiro confiável para gerar energia e nós podemos ser esse parceiro confiável”, afirmou Tarcísio de Freitas. “Etanol, biometano! Essa produção pode transformar a nossa oferta de energia, vamos ter aqui um produto com previsibilidade de preço, que vai nos blindar de choques externos. A gente tem a solução. Aqui a gente tem o futuro”, declarou.

Segundo a secretária Natália Resende, a iniciativa fortalece a economia circular no estado. “A maior planta de biometano do Brasil está aqui em São Paulo. É mais transição energética, é uma matriz renovável que está chegando a 49% da produção. Do lixo, a gente transforma, gera biogás, gera biometano e faz o quê? Coloca na rede abastece a nossa indústria. E essa é a beleza da gente ter uma economia circular de verdade. É São Paulo na direção certa”, disse.

São Paulo pode superar 800 mil m³/dia até 2026

Atualmente, São Paulo conta com nove plantas autorizadas, somando cerca de 700 mil m³/dia de capacidade. Outras oito unidades estão em fase de autorização pela ANP. A projeção do governo estadual é ultrapassar 800 mil m³/dia até dezembro de 2026, diante de um potencial estimado em 6,4 milhões de m³/dia.

A expansão do setor vem sendo estimulada por políticas públicas e regulamentações específicas. Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem custos para outros usuários, por meio da TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde). A medida está alinhada à Política Estadual de Mudanças Climáticas e ao Plano Estadual de Energia 2050.

Entre os incentivos adotados estão o licenciamento ambiental simplificado, benefícios fiscais para veículos movidos a gás natural ou biometano e a plataforma Conecta Biometano SP, que reúne 125 participantes entre produtores, distribuidores e comercializadores.

Estudo aponta geração de até 20 mil empregos

Estudo encomendado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com apoio técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, indica que o potencial de produção de biometano em São Paulo é de 6,4 milhões de m³/dia. A cadeia produtiva pode gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.

Segundo o levantamento, mais de 80% do potencial está concentrado no setor sucroenergético, com aproveitamento de resíduos da produção de açúcar e etanol, como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha. O estudo também aponta possibilidade de redução de até 16% nas emissões de carbono no transporte, em comparação ao óleo diesel.

Com a nova planta em Paulínia, o estado amplia o uso do biometano como insumo industrial, fonte de energia para processos produtivos e combustível para frotas de transporte, consolidando a estratégia de descarbonização e segurança energética baseada na transformação de resíduos urbanos em energia renovável.

  • Publicado: 08/03/2026
  • Alterado: 08/03/2026
  • Autor: 08/03/2026
  • Fonte: Agência SP