Líder de Camarões, Biya pode governar até os 99 anos
o líder de Camarões, Paul Biya, com 92 anos, se prepara para um oitavo mandato consecutivo.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 12/10/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Às vésperas de uma eleição que deve apenas confirmar sua permanência no poder, o líder de Camarões, Paul Biya, com 92 anos, se prepara para um oitavo mandato consecutivo. Com o mandato de sete anos, Biya completaria o novo período a poucos meses de seu centenário.
O pleito de turno único, que ocorre neste domingo (12), elegerá o candidato com mais votos. Biya é o decano dos chefes de Estado, sendo em 2024 dez anos mais velho que o então presidente americano, Joe Biden.
Críticas e o Cenário Político-Social
A expectativa de Biya de se manter no poder de Camarões é alvo de críticas, especialmente em um país com uma população muito jovem (cerca de 40% tem menos de 14 anos) e uma situação política que se agrava há anos.
O debate sobre a saúde do chefe de Estado é tão intenso que, em outubro de 2024, seu gabinete censurou a imprensa do país, proibindo notícias sobre o assunto e enquadrando a discussão como uma questão de segurança nacional. Biya é raramente visto em público e realiza frequentes viagens à Europa por questões pessoais e médicas, com pouca transparência.
O ambiente político é marcado por desafios:
- Uma guerrilha separatista anglófona no oeste do país, agravada desde 2016 e 2017 devido à divisão colonial entre Reino Unido e França. Os separatistas anunciaram bloqueio de vias no dia da eleição e ameaçaram ataques.
- Ações contínuas de sequestros e ataques por parte do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram no Extremo-Norte.
- A questão linguística é central: Camarões é majoritariamente francófono, mas a minoria anglófona busca a separação. O país tem cerca de 250 línguas, além dos dois idiomas coloniais, em meio a centenas de grupos étnicos.
O Legado de um Líder Autocrático
Biya é apenas o segundo líder na história do país desde a independência em 1960. Ele assumiu a chefia de Estado em 1982, como primeiro-ministro, após a renúncia de seu antecessor, Ahmadou Ahidjo. O país tem o mesmo chefe de Estado desde 1982.
Camarões é classificado pelo instituto sueco V-Dem como uma “autocracia eleitoral”, o que implica níveis insuficientes de direitos fundamentais e de eleições livres e justas, mesma classificação dada ao Irã, Rússia e Venezuela.
O Movimento Democrático do Povo de Camarões (MDPC), partido fundado por Biya em 1984 após uma tentativa de golpe e a dissolução da sigla anterior, manteve sua predominância em eleições. Opositores denunciam os pleitos como fraudulentos e de perseguição a grupos da sociedade civil. Em 2008, uma emenda à Constituição retirou os limites de mandatos, abrindo caminho para a permanência indefinida do líder.
Nesta eleição, a comissão eleitoral nacional autorizou 12 dos mais de 80 candidatos iniciais. Um dos principais nomes da oposição, Maurice Kamto, foi barrado sob a alegação de que seu partido já apoiava outro candidato, o que foi negado por ele e pelo presidente da legenda. Uma coletiva de imprensa do partido sobre o assunto foi impedida de ser realizada por forças de segurança. Fonte