Juventude brasileira é a mais afetada por violências e acidentes

Estudo revela impacto da violência, do trânsito e da desigualdade racial na mortalidade juvenil entre 15 e 29 anos no Brasil

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um recente boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta segunda-feira (25), revelou um dado alarmante: os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos são os mais afetados por violências e acidentes. O levantamento, baseado em informações do SUS e do IBGE referentes a 2022 e 2023, detalha o cenário da mortalidade nessa faixa etária.

Segundo o estudo, as chamadas causas externas – agressões e acidentes – são responsáveis por 65% das mortes de jovens. A taxa registrada é de 185,5 para cada 100 mil habitantes, acima da média nacional de 149,7. O índice se torna ainda mais dramático para jovens de 20 a 24 anos, atingindo 218,2.

Principais causas e disparidades de gênero

As agressões físicas, muitas vezes com armas de fogo, e os acidentes de trânsito lideram como principais causas de morte. Entre as ocorrências no trânsito, 84% das vítimas fatais são homens, metade delas em acidentes com motocicletas. A violência decorrente de ações policiais também se destaca, respondendo por 3% dos casos de óbitos juvenis.

A desigualdade de gênero é evidente: a taxa de mortalidade entre homens é oito vezes maior do que a das mulheres. No grupo de 20 a 24 anos, o índice chega a 390 óbitos por 100 mil habitantes.

Violência contra mulheres jovens

No campo das agressões registradas pelo SUS, 47% relataram violência física, seguida pela psicológica (15,6%) e sexual (7,2%). A pesquisa mostra ainda que as mulheres são as maiores vítimas proporcionais em todos os estados, com predominância entre 15 e 19 anos. O sexismo foi apontado como motivação em 23,7% dos casos.

Além disso, 34,5% das mortes femininas acontecem dentro do lar, enquanto os homens são mais vulneráveis nas ruas, em 57,6% dos casos. Esse retrato reforça a urgência de políticas de proteção direcionadas.

Recorte racial e social

O perfil racial das vítimas também revela desigualdade: 54,1% dos jovens mortos eram negros ou pardos. Entre homens negros, o risco de morte por causas externas atinge 227,5 por 100 mil habitantes, muito acima da média.

Outro ponto grave está na violência contra jovens com deficiência, que representam 20,5% das notificações no SUS – índice superior ao da população geral (17,6%). A maioria possui deficiência mental.

Contexto regional e mobilização social

Geograficamente, as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de mortalidade juvenil. O Amapá (447) e a Bahia (403) são exemplos críticos, mas os recordes estão no Distrito Federal (696,1), Espírito Santo (637,8), Mato Grosso do Sul (629,5) e Roraima (623,5), frente a uma média nacional de 250,6.

Para André Sobrinho, coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, os números mostram que “o direito à vida tem sido uma bandeira dos movimentos juvenis contemporâneos”. Ele reforça a necessidade de políticas públicas eficazes e da mobilização social para frear a escalada de violência.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 25/08/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo