Janot envia parecer ao STF contra recurso de Cunha sobre votação de contas

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer contrário ao recurso da Câmara dos Deputados

Janot envia parecer ao STF contra recurso de Cunha sobre votação de contas

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O recurso questiona a decisão do ministro Luis Roberto Barroso de indicar que contas de presidentes da Republica devem ser apreciadas em sessão conjunta do Congresso, com deputados e senadores.

A decisão de Barroso, do último dia 13, enfraquece as articulações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ditava o ritmo do processo de apreciação do balanço contábil relativo à gestão Dilma Rousseff em 2014.

Com a análise de Barroso, em caráter liminar, a eventual votação pelos parlamentares das contas da petista – hoje em análise no Tribunal de Contas da União (TCU) – deve ser conduzida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também preside o Congresso.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou na ocasião que iria recorrer da decisão ao STF. A Câmara dos Deputados argumentou, ao Supremo, uma série de questões processuais – como a falta de legitimidade das partes e perda do objeto da ação.

Em parecer enviado ao STF, Janot opinou no sentido de não conhecer o recurso proposto por Cunha. Para o procurador-geral da República, além de as questões processuais do mandado de segurança analisado estarem de acordo com o exigido, não há “interesse de agir” da Câmara na questão.

Segundo Janot, embora Barroso tenha sinalizado o entendimento sobre a apreciação das contas presidenciais, o conteúdo da decisão liminar concedida pelo ministro foi favorável para a Câmara.

O ministro do STF decidiu que o que já havia sido apreciado não seria revogado, mas determinou que as próximas votações fossem feitas na sessão mista entre Senado e Câmara.

Antes da decisão de Barroso, a distribuição da análise de contas presidenciais era feita de forma alternada para cada uma das Casas Legislativas após passar pela Comissão Mista de Orçamento.

Janot aponta que o plenário do STF ainda terá de se debruçar sobre a questão das contas, visto que a decisão de Barroso tem caráter liminar (provisório).

O Supremo Tribunal Federal ainda não se pronunciou em definitivo sobre a matéria. Em consequência, carece a agravante de interesse recursal”, escreveu o procurador-geral da República

Janot sugere que a Corte não admita o seguimento do recurso de Cunha. Ele cita doutrina jurídica segundo a qual, quando não existe interesse de agir para o recurso, seu recebimento serve para “massagear o ego” de quem propôs o recurso. “Naturalmente, não se afirma que seja essa a motivação do recurso”, emenda o procurador-geral.

O recurso da Câmara está previsto para ser discutido em plenário na sessão de amanhã, 3, quando os ministros decidem se admitem ou não o recurso contra a decisão de Barroso. Na manifestação encaminhada ao STF, Janot aponta que deve opinar sobre o mérito da discussão sobre o procedimento de votação das contas presidenciais quando a questão tiver andamento na Corte.

  • Publicado: 02/09/2015 14:41
  • Alterado: 16/08/2023 18:43
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo