IPCA de junho fica em 0,16% e inflação acumula 4,64% em 12 meses
Inflação oficial desacelerou em junho após alta de 0,58% em maio, com queda dos alimentos, mas energia elétrica e habitação seguiram pressionando o índice.
- Publicado: 10/07/2026 11:43
- Alterado: 10/07/2026 11:43
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
O IPCA subiu 0,16% em junho, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado da inflação oficial mostra uma forte desaceleração em comparação aos 0,58% registrados em maio.
Com o avanço do mês, o indicador acumula alta de 3,36% no primeiro semestre. Nos últimos 12 meses, a variação atingiu 4,64%, um recuo frente aos 4,72% computados na janela anterior, mas o índice segue acima do teto da meta do Banco Central.
Habitação lidera pressão no IPCA de junho
A conta de luz residencial assumiu o protagonismo das altas de preços. A manutenção da bandeira tarifária amarela adicionou R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos nas residências de todo o território nacional.
O encarecimento da energia nas regiões Sul e Sudeste ocorreu após os reajustes tarifários aplicados em Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. O grupo habitação avançou 0,63% e exerceu o maior impacto de alta na pesquisa do mês.
Alimentos e combustíveis barateiam
A alimentação e as bebidas registraram deflação de 0,24%. A contração de preços nas gôndolas dos supermercados funcionou como um freio fundamental para o IPCA no fechamento de junho.
Os brasileiros gastaram menos nas compras para o domicílio. Os principais recuos envolveram:
- Café moído: queda de 3,72%
- Frutas: redução de 1,58%
- Carnes: barateamento de 0,64%
Os transportes apresentaram leve avanço de 0,17%. A disparada de 7,12% nas passagens aéreas encontrou compensação na queda generalizada dos combustíveis nas bombas.
As reduções nos postos de abastecimento envolveram:
- Etanol: recuo de 3,09%
- Óleo diesel: queda de 1,19%
- Gasolina: retração de 0,12%
Impacto da inflação no mercado financeiro
A perda de força nos preços estimula a projeção de cortes na taxa Selic. O IPCA trouxe números substancialmente melhores do que os aguardados pelas instituições financeiras.
“O IPCA de junho surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,16%, sinalizando uma desaceleração importante. O resultado reforça a percepção de que a política monetária já produziu efeitos”, pontuou Peterson Rizzo, diretor da Multiplike.
A visão otimista esbarra nos alertas sobre o cenário internacional. O risco de alta do petróleo devido aos atritos bélicos preocupa as mesas de operação.
“A preocupação maior passa a ser o risco importado, porque um petróleo persistentemente caro tende a contaminar combustíveis, fretes e câmbio”, explicou André Matos, executivo da MA7 Negócios.
O comportamento do setor de serviços ditará o ritmo da autoridade monetária nas próximas reuniões. O IPCA baliza as expectativas da economia, mas os diretores do Banco Central monitoram a resistência de alguns setores.
“O dado abaixo do esperado reduz o risco de pausa, porém o Banco Central deve manter cautela enquanto a inflação em 12 meses seguir distante do centro da meta”, analisou Gustavo Assis, presidente da Asset.
Avaliação de crédito e ativos
O custo do dinheiro e o prêmio de risco exigem a sustentação contínua dessa desinflação. A dinâmica atual afeta desde as grandes corporações até a liberação de crédito para as pessoas físicas.
“A composição foi favorável, com queda de 0,24% em alimentação. Por outro lado, a inflação doméstica continuou pressionada por habitação”, observou Cassio Viana de Jesus, diretor da Pilar Capital.
A retomada consistente da atividade produtiva requer a estabilização real do índice. O crédito no Brasil exige previsibilidade a longo prazo.
“O mercado pode ficar mais confortável para precificar queda de juros, mas quem toma crédito não deve esperar uma virada imediata”, alertou Alberto Friggi, líder da Friggi & Secco.
A credibilidade da política econômica ancora as projeções financeiras das empresas. O arrefecimento atual precisa se consolidar para alterar a estrutura de financiamentos do país.
“O Banco Central tende a preferir uma flexibilização gradual, preservando credibilidade e evitando que uma melhora pontual seja lida como espaço para uma queda mais agressiva”, afirmou Edgar Araújo, executivo da Azumi Investimentos.
A reprecificação de ativos imobiliários e patrimoniais depende da confirmação desses dados. “A mensagem é clara: o cenário ficou menos pressionado, mas o prêmio de risco ainda não desapareceu”, concluiu Fábio Murad, fundador da Ipê Avaliações.
A equipe econômica federal segue monitorando os choques externos do petróleo. O comportamento das commodities globais nas próximas semanas definirá os rumos do IPCA no segundo semestre.