IPCA cai 0,32% em agosto e tem maior deflação em 4 anos
A queda na tarifa de energia elétrica puxou o índice oficial de inflação para baixo, marcando um alívio recorde no orçamento das famílias.
- Publicado: 11/09/2026 09:58
- Alterado: 11/09/2026 09:58
- Autor: Thiago Antunes
O IPCA teve uma deflação de 0,32% no mês de agosto, marcando o recuo mais expressivo para o período desde o ano de 2022. Os dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam uma forte desaceleração nos preços. Essa queda superou as expectativas do mercado financeiro, que projetava uma retração mais contida.
A inflação oficial do Brasil vinha de altas consecutivas nos meses anteriores. O indicador de IPCA havia subido 0,07% em julho e 0,16% em junho. O atual movimento de baixa reflete intervenções diretas em tarifas essenciais.
O peso da habitação e da conta de luz no IPCA

O setor de habitação puxou o indicador de forma agressiva para o campo negativo. O segmento registrou uma queda expressiva de 1,87% no mês, configurando o menor resultado para agosto desde a criação do Plano Real.
“Esse resultado para o grupo de Habitação é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real”, informou José Fernando Pereira Gonçalves, pesquisador do IBGE.
Os principais fatores numéricos que influenciaram o barateamento da habitação incluem:
- Recuo de 7,63% nos preços da energia elétrica residencial, impulsionado diretamente pela incorporação do Bônus de Itaipu.
- Acréscimo de R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos, devido à vigência da bandeira tarifária amarela.
- Reduções tarifárias severas de até 8,51% em concessionárias locais, aliviando as contas em cidades como São Luís, São Paulo e Fortaleza.
- Variação positiva de 1,74% no gás encanado, refletindo reajustes localizados nas capitais Curitiba e Rio de Janeiro.
- Alta moderada de 0,11% na taxa de água e esgoto, puxada por um reajuste de 3,55% repassado aos moradores de Salvador.
Alívio nos transportes e na alimentação

Os custos com mobilidade e comida também cederam fortemente no período. O grupo de transportes apresentou uma forte retração, barateando a rotina do consumidor que depende de deslocamentos diários.
O recuo no preço dos combustíveis e a baixa temporada na aviação lideraram esse movimento. O IPCA assimila essas flutuações sazonais do mercado e converte o comportamento em alívio imediato no índice geral.
Os destaques estatísticos no grupo de transportes englobam:
- Queda de 13,17% no valor das passagens aéreas, cravando a maior contribuição negativa do grupo de locomoção.
- Retração de 0,91% no preço médio geral dos combustíveis, com o etanol despencando 3,95% e o diesel recuando 0,80%.
- Redução de 4,57% nas tarifas de transporte por aplicativo, englobando ajustes que não haviam sido apropriados no mês anterior.
- Aumento pontual de 2,62% no preço do gás veicular e alta de 0,62% nos serviços de táxi, puxada por reajustes em Belo Horizonte.
Comer em casa também exigiu menos recursos em agosto. O grupo de alimentação e bebidas manteve a tendência de baixa do mês anterior e caiu 0,34%.
As variações mais impactantes nas prateleiras dos supermercados e feiras foram:
- Tombo histórico de 19,89% no preço da batata-inglesa, liderando os alívios na mesa das famílias.
- Quedas superiores a 11% nos valores da cenoura e da cebola, barateando a composição da cesta básica nacional.
- Redução de 10,94% no quilo do tomate, devolvendo poder de compra após meses de alta instabilidade nas safras.
- Aumento de 1,78% no preço do leite longa vida e leve alta de 0,61% nas carnes, figurando entre as poucas elevações do setor alimentício.
Cenário regional e a meta do Banco Central
As despesas pessoais caminharam na direção oposta ao movimento de queda geral. O setor sofreu um impacto positivo de 0,13 ponto percentual, impulsionado fundamentalmente pelo consumo de itens específicos. O preço do cigarro apresentou uma alta aguda de 19,59%, gerando o maior impacto positivo individual no resultado do mês.
Geograficamente, a deflação operou em intensidades variadas pelo país. A cidade de Curitiba marcou a menor variação regional com queda de 0,64%, puxada pelo barateamento extremo dos voos locais e da energia elétrica. Brasília registrou o índice mais alto com variação de -0,02%, pressionada pelo encarecimento da gasolina nos postos locais.
A estabilidade econômica segue ancorada nos limites oficiais estabelecidos pelo governo. O sistema contínuo exige um teto inflacionário rigoroso para assegurar o controle financeiro nacional.
Com o desempenho de agosto, a inflação acumulada no ano atinge 3,11%. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA permanece em 4,22%, operando de forma perfeitamente confortável dentro do limite superior de 4,50% estipulado como meta de tolerância pelo Banco Central.