Infecções respiratórias graves crescem no Brasil com a chegada do Outono

O avanço dos quadros respiratórios no outono alerta o sistema de saúde para a necessidade de diagnósticos ágeis contra vírus e bactérias.

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O outono de 2026 acende um alerta nacional com a alta de infecções respiratórias graves nos hospitais do país. O recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta uma tendência de crescimento imediato da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), projetando forte pressão sobre as unidades de pronto atendimento nos próximos meses frios.

O Brasil já acumula 31.768 registros da síndrome e 1.621 óbitos neste ano epidemiológico. Os exames laboratoriais confirmam a presença de vírus em 41,6% das notificações positivas. O rinovírus lidera as estatísticas com 42,9% das ocorrências, acompanhado pelo Influenza A, vírus sincicial respiratório, SARS-CoV-2 e Influenza B.

Os sintomas causados por diferentes agentes infecciosos dificultam a identificação clínica isolada nos consultórios. Os quadros severos podem derivar de bactérias e até mesmo de coinfecções simultâneas, mascarando o agente primário.

Quando o diagnóstico demora ou não identifica o agente causador com precisão, isso impacta diretamente a conduta médica, o tempo de permanência hospitalar e a organização do fluxo de atendimento”, adverte Alessandra Zacarias, especialista em soluções de diagnóstico da QIAGEN.

Diagnóstico de infecções respiratórias graves

A rede de saúde aplica múltiplos métodos laboratoriais para rastrear essas infecções respiratórias graves nas emergências. Os testes rápidos de antígeno entregam resultados em minutos, mas pecam na sensibilidade geral. Os exames moleculares tradicionais (PCR) trazem alta precisão focada em alvos únicos, como Covid-19 ou gripe. Um laudo negativo nesses modelos restritos frequentemente prolonga a incerteza clínica.

Os painéis sindrômicos multiplex surgem como solução tecnológica para essa lacuna investigativa. O sistema realiza o PCR em tempo real e mapeia diversos patógenos simultaneamente em cerca de uma hora. A análise paralela visualiza o cenário completo do trato respiratório e entrega o suporte adequado para a decisão da equipe assistencial no primeiro atendimento.

Combate à resistência antimicrobiana

A agilidade laboratorial previne a prescrição equivocada de antibióticos para tratar infecções respiratórias graves de origem exclusivamente viral. O uso empírico de medicamentos agrava a resistência antimicrobiana global e expõe os pacientes a intervenções ineficazes. Um quadro bacteriano exige o fluxo oposto, com medicação imediata e bem direcionada para evitar o agravamento da lesão pulmonar.

Quando conseguimos identificar rapidamente se a infecção é viral ou bacteriana, conseguimos direcionar melhor o tratamento e reduzir o uso desnecessário de antibióticos”, pontua Alessandra.

Ampliação do acesso no SUS

As clínicas e hospitais privados adotam os painéis multiplex como padrão ouro, mas a tecnologia segue de fora da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). A discussão sobre incorporação ganha urgência diante do avanço sazonal das viroses e do impacto financeiro das longas internações em leitos de terapia intensiva.

Diagnosticar com velocidade otimiza o giro de leitos e reduz os custos operacionais das unidades de saúde. Garantir acesso rápido aos exames moleculares adequados representa hoje o melhor caminho para conter a sobrecarga estrutural causada pelas infecções respiratórias graves.

  • Publicado: 15/04/2026 08:50
  • Alterado: 15/04/2026 08:50
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: QIAGEN