ABP divulga carta cobrando mudanças urgentes no sistema de saúde

Entidade publica carta aberta no Dia Mundial de Conscientização e alerta para o risco do diagnóstico tardio e desigualdade em tratamentos.

Crédito: (Divulgação/Alesp)

A Associação Brasil Parkinson (ABP) cobrou ações imediatas do poder público para o enfrentamento da Doença de Parkinson nesta quinta-feira (11). A instituição lançou um manifesto nacional para denunciar as falhas estruturais que prejudicam milhares de pacientes na rede de atendimento e cobrar soluções efetivas.

As estimativas acadêmicas indicam que a condição neurológica atinge cerca de 200 mil brasileiros atualmente. Os pesquisadores projetam um salto alarmante nesse índice, com a possibilidade de o país registrar mais de 1 milhão de diagnósticos até 2060.

Desafios no avanço da Doença de Parkinson

O documento expõe a persistência de gargalos críticos na rede de saúde nacional. Os especialistas relatam dificuldades diárias com a demora nas avaliações clínicas primárias e a profunda desigualdade no acesso a tratamentos essenciais para estabilizar o quadro dos pacientes.

“A condição ainda é, no Brasil, subdiagnosticada, subtratada e frequentemente compreendida de forma limitada”, alerta Erica Tardelli, representante da entidade médica.

A falta de um modelo unificado de cuidado agrava a situação de quem depende de suporte especializado. A diretriz médica cobra que a sociedade pare de encarar o problema de maneira superficial e observe as graves perdas de autonomia e mobilidade atreladas ao avanço dos sintomas.

“Reduzi-la ao tremor é ignorar sua complexidade clínica, seu impacto funcional e o sofrimento silencioso de milhares de brasileiros”, ressaltou a gestora.

Três pilares para o atendimento público segundo a ABP

A carta elenca prioridades absolutas para frear o impacto do envelhecimento populacional atrelado ao transtorno. O primeiro passo exige a capacitação de profissionais da atenção básica para reconhecer sinais iniciais e acelerar os encaminhamentos ambulatoriais corretos.

O segundo foco envolve a reestruturação dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O manejo da condição engloba necessidades que superam a simples entrega de medicações controladas nas farmácias dos postos de saúde.

As equipes cobram a incorporação permanente de terapias multiprofissionais na rede pública. O acompanhamento adequado requer sessões regulares de fisioterapia especializada, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio psicológico contínuo.

O terceiro pilar exige financiamento estatal direcionado. A entidade, que acumula 40 anos de experiência na reabilitação clínica, pede a integração imediata entre as esferas governamentais municipal, estadual e federal.

A construção de saídas duradouras depende de planejamento baseado em evidências científicas. O combate efetivo à Doença de Parkinson exige políticas de estado humanizadas que garantam a dignidade de quem enfrenta a degeneração motora diária.

  • Publicado: 11/04/2026 09:06
  • Alterado: 11/04/2026 09:07
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABP