Hospital da Mulher dá alta a bebê que nasceu com 440g

Ísis Manuelly é o menor bebê da história do Hospital da Mulher em São Bernardo; após 4 meses de UTI, recém-nascida vence a prematuridade extrema.

Crédito: Johnn Menezes/PMSBC

O Hospital da Mulher de São Bernardo do Campo registrou um marco sem precedentes em sua trajetória assistencial. A pequena Ísis Manuelly Ribeiro do Nascimento recebeu alta hospitalar após superar os desafios de um nascimento prematuro extremo. Nascida com apenas 440 gramas e 26 semanas de gestação, Ísis é oficialmente o menor bebê a sobreviver e receber alta na história da instituição, que é referência em alta complexidade para o SUS na região.

Após uma jornada de 118 dias na UTI Neonatal e 14 dias no berçário, a bebê deixou o Hospital da Mulher pesando 2.260 gramas. O desfecho é considerado um triunfo da medicina intensiva: Ísis foi para casa em ar ambiente (sem necessidade de oxigênio suplementar) e em aleitamento materno exclusivo, superando prognósticos iniciais severos.

O desafio da prematuridade extrema no Hospital da Mulher

A trajetória de Ísis começou com um parto de emergência devido à pré-eclâmpsia materna e restrição de crescimento intrauterino. Durante os mais de quatro meses de internação, a bebê enfrentou múltiplos desafios, permanecendo 104 dias intubada. O caso de Ísis ilustra a realidade da prematuridade, que atinge cerca de 10% dos nascimentos no Hospital da Mulher, seguindo a média global da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Até então, o recorde de menor bebê a receber alta na unidade pertencia a um recém-nascido de 515 gramas. A sobrevivência de Ísis, com 440 gramas, consolida a expertise das equipes de neonatologia do município. Segundo a diretora técnica, Dra. Adlin Veduato, o resultado evidencia o sucesso da integração entre tecnologia de ponta e o cuidado humanizado oferecido pelo SUS.

Assistência multidisciplinar e o Método Canguru

A evolução positiva da bebê não foi fruto apenas de equipamentos. O Hospital da Mulher, credenciado como “Hospital Amigo da Criança”, implementou protocolos rigorosos de humanização. Desde os primeiros dias, a equipe estimulou a ordenha para que a base da nutrição fosse o leite materno.

Além disso, o Método Canguru — contato pele a pele precoce entre os pais e o bebê — foi decisivo para fortalecer o vínculo afetivo e acelerar o desenvolvimento clínico. Para a mãe, Sarah Ribeiro, de 21 anos, o apoio da equipe multidisciplinar foi o suporte necessário para enfrentar os meses de incerteza até a vitória final.

Acompanhamento contínuo até os 7 anos de idade

O cuidado com a pequena Ísis não termina com a alta. Na primeira consulta de retorno, realizada em 4 de fevereiro de 2026 no Ambulatório Canguru, a bebê já apresentava ganho de peso progressivo, atingindo 2.432 gramas. O secretário de Saúde, Dr. Jean Gorinchteyn, reforçou que o Hospital da Mulher garantirá o monitoramento especializado da criança até os 7 anos.

Este acompanhamento de longo prazo é fundamental para monitorar o desenvolvimento:

  • Neuropsicomotor: Avaliação de marcos do crescimento e cognição.
  • Sensorial: Acompanhamento rigoroso da visão e audição.
  • Nutricional: Garantia de ganho de peso adequado para prematuros extremos.

A história de Ísis Manuelly reafirma o papel do Hospital da Mulher como um pilar de excelência na rede pública, provando que a estrutura preparada e o compromisso com a vida podem transformar estatísticas em histórias de superação.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 11/02/2026
  • Fonte: Michel Teló