Felipe Brito é diretor em Festival de Jazz e conecta Brasil aos EUA
Músico brasileiro assume direção de evento nos EUA, une talentos do jazz e promove intercâmbio cultural para as novas gerações.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O trombonista e educador Felipe Brito assume a direção da 26ª edição do Festival de Jazz Clark Terry – Phi Mu Alpha. O evento, que ocorre nos dias 13 e 14 de fevereiro na Southeast Missouri State University (SEMO), consolida o impacto do brasileiro no cenário internacional ao reunir grandes nomes da música e centenas de estudantes.
O festival anual recebe talentos dos Estados Unidos e de diversas partes do mundo. Nesta edição, o destaque fica por conta do aclamado trompetista de Nova York, Jay Webb. O artista convidado possui um currículo extenso, com apresentações regulares ao lado de Cory Wong, 8bit Big Band, The Roots, John Legend e participações na Broadway.
Sob a gestão de Felipe Brito, o evento na SEMO movimenta uma estrutura impressionante. Anualmente, o festival acolhe mais de 13 escolas, 23 grupos musicais e cerca de 450 alunos vindos do Missouri, Tennessee e Illinois.
Programação e corpo de jurados de elite
Além da atração principal, a curadoria trouxe três músicos renomados para atuarem como jurados das escolas convidadas, elevando o nível técnico da competição:
- Andrew Binder: Baixista de St. Louis.
- Louie Pereira: Baterista de Los Angeles.
- Thiago Camargo: Pianista brasileiro radicado em Miami.
A experiência vai além dos palcos da universidade. O diretor organizou uma noite de Jam Session no Spectrum Record Lounge e o Underground Jazz no Scout Hall. A iniciativa transforma a cidade de Cape Girardeau, no Missouri, em um autêntico clube de jazz, proporcionando uma imersão cultural completa.
“O meu objetivo é criar uma conexão cultural nacional e internacional através da música. O festival cresce a cada ano. Este já é o meu terceiro ano como diretor”, explica o músico.
Felipe Brito expande conexões com grandes nomes do Jazz

A trajetória do trombonista reflete uma busca constante por excelência e inclusão. No Brasil, ele participou de festivais em cidades como Itu, Tatuí, Ourinhos, Curitiba e Brasília. Hoje, Felipe Brito utiliza essa bagagem para construir pontes globais, oferecendo aos seus alunos nos Estados Unidos experiências similares às que moldaram sua própria carreira.
“Tenho o objetivo de levar este festival para o Brasil e outros países. Quero conectar diferentes culturas e artistas nacionais e internacionais. O nome do evento leva referência ao grande músico de jazz do Missouri, Clark Terry. Vamos fazer isso acontecer”, projeta o Felipe Brito.
Do interior paulista à Broadway
Nascido em Itu, no interior de São Paulo, o gestor cultural teve sua base forjada em projetos sociais. Aos 20 anos, já lecionava em instituições filantrópicas como o Projeto Guri e a ASSATEMEC. Essa vivência comunitária moldou sua visão humanitária sobre o poder transformador da educação musical.
Após graduar-se na UNICAMP e receber incentivo para a carreira internacional, mudou-se para os EUA em 2012. Lá, conquistou bolsa integral para o mestrado na Jacobs School of Music (Indiana University) e tornou-se Doutor em Música pela Universidade do Texas.
A ascensão artística de Felipe Brito inclui atuações como trombonista principal do Cleveland Opera Theater e passagens por orquestras de Ohio e Pensilvânia. Recentemente, ele integrou a produção da Broadway “Buena Vista Social Club”, vencedora de cinco Tony Awards em 2025.
Liderança acadêmica e impacto social
Desde 2021, o Dr. Brito atua como Professor de Trombone e Diretor de Jazz e Música Comercial na SEMO. Suas responsabilidades incluem a liderança de duas big bands com mais de 50 alunos e a criação de uma Bolsa de Estudos de US$ 10.000.
O compromisso com o Brasil permanece forte. O professor retorna anualmente ao país para recrutar talentos em escolas públicas e projetos sociais, como a Orquestra de Heliópolis e a Escola de Música da Rocinha. Graças a esse esforço, três estudantes brasileiros — Mayara, Matheus e Gustavo — garantiram bolsas integrais na universidade americana em 2025.
Em setembro de 2024, o lançamento do álbum “Não Deixe para Amanhã” marcou sua estreia pelo selo Outside in Music. A obra funde jazz contemporâneo com ritmos afro-brasileiros, contando com músicos premiados pelo Grammy Latino. Ao destacar a sub-representação de latinos, o trabalho reafirma o papel de Felipe Brito como uma ponte cultural vital entre o Brasil e a América do Norte.