Gravidez e álcool: risco permanente para o bebê

Entenda como o álcool chega ao feto e por que os danos podem ser para a vida toda

Crédito: (Montagem/ABCdoABC)

Muitas vezes, em épocas festivas como o Carnaval, a gente sente aquela pressão social para brindar e celebrar com álcool. É comum cruzar com gestantes na folia e sempre tem alguém para contar aquela velha história de uma conhecida que bebeu “só um pouquinho” e o bebê nasceu sem problemas. Mas a verdade é que precisamos conversar seriamente sobre isso, porque a ciência mostra que não existe uma quantidade segura de álcool na gravidez.

Segundo a professora doutora Helenilce de Paula Fiod Costa, presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o álcool é a substância que causa os danos mais graves no comportamento e no desenvolvimento do feto, superando até drogas como cocaína e maconha.

Quando uma gestante bebe, o líquido chega ao sangue do bebê em cerca de uma hora. O grande problema é que o líquido amniótico vira um reservatório dessa substância, e como o bebê ainda não tem capacidade de metabolizar o álcool, a eliminação é muito lenta. A substância atinge quase todos os órgãos da criança, prejudicando a multiplicação das células e dificultando a passagem de oxigênio e nutrientes pela placenta. Isso pode causar o Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), uma condição que não tem cura e traz marcas para a vida toda, como malformações no coração, nos rins e no cérebro.

Compreendendo os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal

Gravidez - Aborto Espontâneo - Álcool
(Imagem: Freepik)

Os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal representam um conjunto de alterações causadas pela exposição do feto ao álcool durante o período de gestação. Essas manifestações apresentam-se de forma variada, podendo envolver desde anomalias físicas e congênitas até atrasos no crescimento e prejuízos no desenvolvimento de habilidades sociais, de atenção, de aprendizagem e de funções cognitivas. Por se tratar de um espectro, a intensidade dos sintomas oscila entre quadros leves e graves, dependendo da ação tóxica sobre o organismo em formação.

Dentro dessa classificação, a ciência identifica cinco condições principais que detalham os efeitos neurológicos e físicos da exposição pré-natal. A Síndrome Alcoólica Fetal é considerada a forma mais severa e completa do espectro, seguida pelaSíndrome Alcoólica Fetal Parcial. Além dessas, existem o Transtorno Neurodesenvolvimental Relacionado ao Álcool, os Defeitos Congênitos Relacionados ao Álcool e o Transtorno Neurocomportamental Associado à Exposição pré-natal ao Álcool. Cada uma dessas subdivisões ajuda a caracterizar como o álcool, atuando como um agente nocivo, interfere de maneira específica no desenvolvimento embrionário e fetal.

bebidas - ressaca - Álcool
(Arquivo/Agência Brasil)

Gestação sem álcool: um ato de amor e prevenção

O risco existe durante os nove meses inteiros, mas os perigos mudam conforme a fase. No primeiro trimestre, a bebida pode causar malformações físicas no rosto e no crânio, além de problemas cardíacos. Já as dificuldades de comportamento e aprendizado podem ser geradas em qualquer etapa da gravidez, pois os neurônios estão se organizando o tempo todo. Muitas vezes, esses problemas só aparecem mais tarde, na escola, quando a criança apresenta dificuldade extrema com matemática ou linguagem, sendo muitas vezes confundida com autismo ou déficit de atenção.

Grávida - Água - Hidratação
(Imagem: Freepik)

Um ponto de muita atenção são as bebidas “sem álcool”. A doutora Helenilce alerta que existe uma diferença importante entre o que é “não alcoólico” e o que é “zero álcool”. Bebidas com selo de não alcoólicas, como algumas cervejas, kombuchas e kefirs, podem conter até 0,5% de etanol devido à fermentação. Para uma grávida, essa pequena porcentagem é relevante e deve ser evitada. O ideal é procurar sempre produtos com 0,0% de álcool.

Se você bebeu antes de descobrir a gravidez, não entre em pânico, mas avise seu médico imediatamente. Embora não exista um protocolo único, ele poderá usar questionários específicos para avaliar os riscos e acompanhar o crescimento do bebê com mais rigor. O mais importante é entender que essa é uma condição 100% evitável. Precisamos espalhar esse conhecimento para proteger nossas crianças, lembrando sempre que, na gestação, a única quantidade segura de álcool é zero.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/02/2026
  • Fonte: FERVER