Feminicídio crescem 100% e expõem crise na proteção do ABC

A escalada da violência contra a mulher no Grande ABC exige políticas imediatas. Dados alarmantes revelam falhas no sistema de proteção.

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A escalada dos feminicídios no Grande ABC escancara uma crise urgente na segurança pública paulista. O assassinato de Mariane Lima Alves, de 27 anos, morta pelo ex-companheiro em Diadema, reacende o alerta sobre o risco extremo que as mulheres enfrentam.

Os indicadores oficiais apontam para o pior cenário desde o início da série histórica em 2015. Em 2025, os números de violência de gênero dobraram na região e exigem ações estruturais imediatas das autoridades competentes.

Escalada letal exige nova postura do Estado

Violência contra mulher - Feminicídio
Elza Fiúza/Agência Brasil

Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo detalham o avanço da criminalidade. A região registrou 16 feminicídios nas sete cidades, o que representa um aumento de 100% em relação ao ano anterior.

O levantamento estadual distribui as ocorrências de forma preocupante:

  • Santo André: 7 mortes registradas.
  • Diadema: 4 vítimas fatais.
  • Mauá: 3 casos notificados.
  • São Bernardo do Campo: 2 assassinatos.

Nesse mesmo período, as delegacias contabilizaram 36 tentativas de homicídio contra mulheres. A tendência local acompanha a tragédia estadual, já que São Paulo fechou 2025 com o assustador marco de 266 mortes qualificadas por gênero.

Violência sexual acompanha crescimento do perigo

O crime de estupro também avançou e desenha um quadro de insegurança contínua que frequentemente antecede os feminicídios na região paulista. Foram 150 ocorrências em 2025, indicando uma alta de 5,6% em comparação aos 142 casos do ano passado.

Santo André apresentou o maior salto absoluto, passando de 28 para 41 agressões sexuais denunciadas oficialmente. Na análise mensal regional, o fim de ano marcou uma piora expressiva, subindo de 12 para 13 denúncias apenas entre novembro e dezembro.

Rede de apoio combate os feminicídios no Grande ABC

Instituto Ficar de Bem
Divulgação

Especialistas alertam que o momento de rompimento do relacionamento lidera o risco para a vítima. Para frear essa realidade brutal, o Centro de Referência e Apoio à Mulher II (CRAM II) de São Bernardo atua de forma ininterrupta.

Executado pelo Instituto Ficar de Bem, o serviço oferece amparo psicológico, social e jurídico sem necessidade de agendamento. Casos confirmados de ameaça à vida contam com encaminhamento imediato para as Casas Abrigo protegidas.

“Quando a mulher procura o CRAM, ela encontra uma rede preparada para acolher sem julgamento e orientar cada passo. O atendimento humanizado faz diferença na decisão de romper o ciclo de violência”, pontua Sara Maria de Souza, Gerente de Projetos da instituição.

Medidas urgentes para reverter o cenário atual

O fortalecimento da estrutura de atendimento exige responsabilidade compartilhada entre o poder público e as forças de segurança. A implantação de Delegacias da Mulher 24 horas e o aumento de patrulhas especializadas formam a base fundamental dessa rede preventiva.

“A região precisa integrar informações entre prefeituras, Ministério Público e segurança. Cada morte expõe fragilidades na rede de proteção e impõe uma resposta articulada”, reforça a especialista sobre as demandas locais.

Casos de ameaça podem e devem ser denunciados gratuitamente pelos canais 180, 100 ou 190, garantindo acesso direto a medidas protetivas e cuidados médicos. Sem essas ferramentas de intervenção rápida, o crescimento desenfreado dos feminicídios continuará transformando vidas perdidas em estatísticas de impunidade.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/02/2026
  • Fonte: FERVER