Grande ABC tem potencial industrial, mas com pouco acesso a recursos públicos
Apesar de sua força industrial e potencial inovador, o Grande ABC ainda enfrenta desafios para acessar recursos públicos e diversificar os investimentos em tecnologia.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Apesar de ser historicamente reconhecido como um dos principais polos industriais do país, o Grande ABC ainda encontra entraves significativos para acessar recursos públicos voltados à inovação. Com um ecossistema que reúne multinacionais, universidades e startups, a região possui um enorme potencial econômico e tecnológico. No entanto, esse potencial ainda é pouco explorado quando se trata de fomento à inovação.
Entre 2020 e 2025, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) distribuiu mais de R$ 15 bilhões em todo o Brasil para projetos inovadores. Deste montante, apenas R$ 670 milhões chegaram ao Grande ABC, sendo que 70% desse valor foi destinado exclusivamente a dois projetos da Volkswagen.
A concentração dos recursos em uma única empresa levanta um alerta sobre a necessidade de democratizar o acesso ao fomento público e incentivar outras iniciativas locais.
Oportunidades à espera de mobilização
Felipe Pozebon, engenheiro e especialista em inovação, acredita que a região tem todas as condições para liderar um novo ciclo de desenvolvimento tecnológico. Natural de São Caetano e morador de Santo André, ele defende que a chave está na integração entre empresas, universidades e poder público.
“É preciso alinhar projetos com as políticas de fomento para que mais empresas, especialmente de médio porte, consigam acessar recursos importantes”, afirma.
Pozebon ressalta que a inovação não depende apenas da capacidade técnica, mas também da habilidade de estruturar bons projetos, atrair financiamento e construir uma governança sólida.
Ele aponta que tanto a Finep quanto o BNDES oferecem linhas de crédito com condições favoráveis, como juros atrelados à Taxa Referencial (TR), carência de até quatro anos e prazos longos de amortização — fatores essenciais diante do cenário macroeconômico atual.
Com a taxa Selic em alta, atualmente fixada em 14,25% ao ano e com projeção de alcançar 15% até o fim de 2025, muitos projetos de inovação se tornam financeiramente inviáveis. Nesse contexto, o acesso a fundos específicos com juros subsidiados torna-se um diferencial estratégico para empresas dispostas a inovar.
Hora de transformar potencial em protagonismo
Mais de R$ 8,8 bilhões estão disponíveis hoje por meio de chamadas públicas para áreas estratégicas como mobilidade, saúde, sustentabilidade, agroindústria, bioeconomia e cadeia automotiva. Esses recursos podem financiar desde centros de pesquisa e desenvolvimento até plantas piloto em cadeias industriais complexas.
Para Pozebon, a região do Grande ABC tem tudo para se destacar, mas precisa agir de forma mais estratégica. “Temos uma base industrial sólida e capital humano qualificado. O que falta é transformar essas condições em projetos bem planejados e colaborativos, que realmente dialoguem com as políticas públicas existentes”, explica.
Segundo ele, fomentar a inovação é também uma decisão política e empresarial. “O posicionamento estratégico das empresas é fundamental. O Grande ABC pode e deve ser protagonista no acesso ao fomento público para inovação. O caminho está dado — agora é hora de percorrê-lo”, conclui.