França pressiona TikTok por tendências que afetam saúde mental de jovens
Ministra Clara Chappaz acionou autoridades para investigar conteúdos sobre magreza extrema e aparência física veiculados pela plataforma
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na última sexta-feira, 18 de agosto, a ministra francesa Clara Chappaz, responsável por assuntos digitais, anunciou que acionou tanto a Autoridade Reguladora de Mídias (Arcom) quanto a Comissão Europeia para investigar a tendência conhecida como “Skinnytok”, que promove padrões extremos de magreza na plataforma TikTok. Em sua mensagem divulgada no LinkedIn, a ministra classificou essa prática como “inaceitável” e reforçou seu compromisso com a proteção dos menores nas redes sociais.
Plataformas digitais sob escrutínio europeu
Chappaz expressou em um vídeo que a segurança dos jovens na internet é uma de suas prioridades e afirmou que as plataformas não devem se eximir de suas responsabilidades em relação ao conteúdo que disseminam. A Arcom, por sua vez, já havia iniciado investigações sobre o fenômeno, reconhecendo o risco à saúde pública que ele representa. A entidade informou que está coletando dados para avaliar a gravidade do problema na França e para entender as ações que o TikTok está implementando para combatê-lo.
Em resposta às preocupações levantadas, o TikTok declarou que possui regras rigorosas contra comportamentos nocivos relacionados à imagem corporal e à perda de peso. A empresa destacou ainda que limitou o acesso a conteúdos prejudiciais para proteger os adolescentes. No entanto, até o meio-dia da mesma sexta-feira, mais de 500 mil publicações associadas à palavra-chave “skinny” estavam disponíveis na plataforma, com muitos vídeos elaborados por jovens mulheres oferecendo dicas de emagrecimento.
Como parte das medidas preventivas, o TikTok introduziu uma mensagem informativa em forma de banner sobre postagens relacionadas, direcionando os usuários a uma página com recursos sobre transtornos alimentares. Além disso, em março deste ano, foi aprovada uma comissão de inquérito pela Assembleia Nacional da França para investigar os efeitos psicológicos do TikTok sobre crianças e adolescentes, considerando sua popularidade entre os jovens. O presidente da Arcom, Martin Ajdari, deverá prestar esclarecimentos à comissão no dia 20 de maio.
Nova ameaça: pressão estética masculina e ideologia incel
Outra tendência alarmante nas redes sociais é o “looksmaxxing”, que incentiva meninos e adolescentes a aprimorar sua aparência física com dicas questionáveis, como mastigar chicletes duros ou submeter-se a técnicas físicas para alterar características faciais. Essa prática não só trata da estética, mas também aproxima os jovens de ideais associados ao movimento incel — homens que se consideram incapazes de estabelecer relacionamentos amorosos ou sexuais e que culpam as mulheres por sua condição.
Estudos apontam que aqueles que assistem a vídeos relacionados ao incel podem rapidamente ser expostos a conteúdos masculinistas após apenas alguns cliques. A socióloga australiana Jamilla Rosdahl argumenta que vídeos que promovem padrões exagerados de aparência estão conduzindo os jovens a essas subculturas problemáticas. Por sua vez, a pesquisadora britânica Anda Solea destaca que o “looksmaxxing” representa uma versão disfarçada da ideologia incel dentro do TikTok, onde algumas contas utilizam hashtags específicas para evitar moderação em conteúdos potencialmente prejudiciais.