Cerca de 33% dos jovens no RJ se envolvem no tráfico

Veja como iniciativas buscam reverter esse ciclo de violência e oferecer esperança

Crédito: Arquivo - Agência Brasil

No estado do Rio de Janeiro, cerca de 33% dos jovens infratores estão envolvidos com o tráfico de drogas, uma realidade alarmante que exige atenção e ação eficaz. Ao invés de livros escolares, muitos desses adolescentes se veem cercados por armas e atividades ilícitas. Histórias de vida como a de um jovem que se viu obrigado a ingressar no crime para sustentar sua família refletem um ciclo preocupante.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, o número de apreensões de menores aumentou em quase 15% entre 2022 e 2024, saltando de 4.281 para 4.919 casos. Essa tendência se manteve nos primeiros meses de 2025, com um aumento significativo nas apreensões, que passaram de 767 para 880 em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A análise das autoridades revela que os adolescentes são alvos mais suscetíveis à aliciação pelo tráfico devido às penalidades menos severas que enfrentam em comparação aos adultos. “A legislação atual cria um cenário onde a relação custo-benefício para a prática do crime por menores é mais atrativa”, explica Carlos Antônio Oliveira, subsecretário da Polícia Civil do Rio.

O fenômeno representa um ciclo de violência que demanda uma resposta coordenada entre diversas esferas da sociedade. Oliveira ressalta que a atuação policial sozinha não é suficiente; é essencial o engajamento de instituições governamentais e não-governamentais. Em resposta a essa necessidade, o governo implementou um programa de capacitação voltado para todos os 92 municípios do estado.

Arthur Souza, subsecretário da Criança e do Adolescente, enfatiza a importância da reintegração dos jovens ao mercado de trabalho: “Quando um adolescente se insere novamente no mundo do trabalho, ele transforma também seu ambiente familiar e comunitário, tornando-se uma referência positiva”.

A proposta do governo inclui colaborações com o setor privado. Souza argumenta que as empresas devem reconhecer seus papéis sociais: “Essa colaboração é vantajosa para todos: primeiramente, para os jovens beneficiados pelas políticas públicas e, consequentemente, para a sociedade como um todo ao reduzir os índices de criminalidade e tornar as ruas mais seguras”.

Um exemplo inspirador é o cantor VN Vinte, que ingressou no tráfico ainda na adolescência, mas conseguiu reverter sua trajetória através da música. Ele compartilha como a arte se tornou uma nova chance: “É complicado explicar isso. Todo mundo sabe que sou cantor e rapper; se eu fizer algo errado, serei questionado sobre isso”.

VN Vinte se considera um sobrevivente em meio à violência: “Estou aqui desde 2007. Sobrevivi a muitas chacinas; todos os meus amigos estão mortos”. Sua vivência no crime o motivou a criar o projeto “Sobreviventes”, destinado a ensinar jovens a produzir suas próprias músicas e dar suporte a artistas emergentes que desejam deixar a criminalidade. “Estou montando uma produtora para ajudar aqueles que vêm da favela; muitas vezes somos ignorados e desvalorizados”.

A música, segundo ele, é uma forma de resistência e esperança: “Precisamos ser fortes e sábios. Vamos fazer esse projeto musical acontecer”.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping