Exageros no currículo são comuns e podem custar a vaga
Pesquisa aponta que 75% dos profissionais admitem inflar informações; especialistas alertam para riscos à credibilidade
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 31/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na disputa por uma vaga de emprego, a fronteira entre se destacar e distorcer a própria trajetória profissional ainda é frequentemente ultrapassada. Uma pesquisa da consultoria DNA Outplacement revela que 75% dos profissionais brasileiros admitem já ter exagerado informações no currículo em algum momento da carreira. O dado acende um alerta em um mercado cada vez mais atento à verificação de antecedentes e à consistência das informações apresentadas pelos candidatos.
Segundo Gustavo Sénges, country manager da HireRight no Brasil, empresa global especializada em checagem de histórico profissional, os exageros em currículos vão desde pequenos ajustes até distorções relevantes. Ele afirma que muitos candidatos subestimam a capacidade das empresas de confirmar dados. Com processos seletivos mais sofisticados, inconsistências deixaram de ser detalhe e passaram a pesar diretamente na decisão de contratação.

Idiomas superestimados ainda lideram os exageros
Um dos pontos mais recorrentes nos currículos brasileiros é a autodeclaração de fluência em idiomas estrangeiros. Termos como “inglês fluente” ou “espanhol avançado” aparecem com frequência, mas nem sempre correspondem à realidade prática exigida pelo cargo.
Em muitos casos, o domínio anunciado se limita a uma conversação básica, insuficiente para reuniões técnicas, negociações comerciais ou produção de relatórios. Para Sénges, a alternativa mais segura é a objetividade. Informar o contexto de uso do idioma demonstra autoconhecimento e profissionalismo. A clareza, segundo ele, tende a ser melhor avaliada do que uma fluência que não se sustenta na entrevista.
Cargos inflados e datas ajustadas x Recrutadores
Outro exagero comum está relacionado à experiência profissional. Alterações sutis no título do cargo, promoções inexistentes ou períodos de atuação estendidos artificialmente aparecem com frequência nos processos de checagem.
A prática pode até passar despercebida em uma primeira leitura, mas costuma ser identificada em etapas mais avançadas do recrutamento. Especialistas recomendam que o candidato foque menos no nome do cargo e mais nas entregas realizadas. Projetos conduzidos, metas alcançadas e responsabilidades assumidas tendem a ter mais peso do que a nomenclatura formal da função.
Formação acadêmica também entra na lista
A chamada “maquiagem educacional” é outro ponto de atenção. Cursos livres ou certificações online oferecidos por instituições renomadas, nacionais ou internacionais, muitas vezes são apresentados como graduações ou pós-graduações completas.
Segundo Sénges, há casos em que candidatos citam universidades de prestígio como se tivessem vínculo acadêmico formal, quando, na prática, participaram apenas de cursos de curta duração. O problema não está na qualificação em si, mas na forma como ela é descrita. Especificar corretamente a natureza do curso preserva a credibilidade e evita ruídos durante a seleção.
O impacto dos exageros na carreira

Com a ampliação das ferramentas de verificação em currículos, especialmente para cargos de maior responsabilidade, inconsistências no currículo passaram a ter consequências mais severas. A descoberta de informações falsas pode não apenas eliminar o candidato do processo atual, mas comprometer sua reputação profissional no longo prazo.
Para Sénges, a transparência nos currículos se tornou um ativo estratégico. Em um mercado que valoriza cada vez mais a confiança e a coerência, apostar na própria trajetória real, sem adornos, tende a gerar mais oportunidades do que tentar acelerar o caminho com informações infladas.