Esposa de empresário morto no Butantã contesta versão da PM

Celso perde a vida em tentativa de assalto. Esposa acusa policial de atirar pelas costas ao confundir seu marido com o verdadeiro ladrão.

Crédito: Divulgação/Governo de SP

O caso do empresário morto no Butantã expõe lacunas graves na atuação tática de agentes fora de serviço. Celso Bortolato de Castro, de 58 anos, não resistiu a disparos efetuados por um policial militar de folga no último sábado (28). O agente interveio em uma tentativa de assalto na Zona Oeste de São Paulo. A esposa da vítima contesta frontalmente a narrativa oficial do suposto confronto armado.

A dinâmica real sob a ótica da viúva

A esposa do empresário morto narra um cenário de desespero e erro de avaliação tática. O casal trafegava de moto pela Rua Sapetuba quando dois suspeitos em outro veículo anunciaram o roubo. Ela correu para trás e retirou o capacete. Logo na sequência, ouviu tiros partindo de um terceiro elemento.

A testemunha ocular e viúva garante a ausência de tiroteio cruzado com os criminosos. O policial atirou diretamente contra Celso, que trabalhava no ramo de seguros e apenas voltava de um almoço no interior paulista.

“Os dois assaltantes vieram e apresentaram arma, uma 38. Eu ouvi uma pessoa vindo de trás atirando. Ele já tinha desferido dois tiros, um na nuca e outro nas costas. Ele atirou e imaginou que meu marido era o bandido.” afirmou a esposa do empresário morto.

Investigação oficial do empresário morto no Butantã

A Polícia Militar sustenta uma versão amparada na legítima defesa de terceiros. A nota corporativa indica que o agente de 27 anos presenciou o crime e interveio contra os assaltantes. Um dos suspeitos morreu no asfalto, enquanto o comparsa fugiu do perímetro.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as apurações imediatamente. O registro policial tipifica a grave ocorrência em múltiplas frentes jurídicas:

  • Morte decorrente de intervenção policial.
  • Homicídio culposo.
  • Resistência à prisão.
  • Tentativa de roubo majorado.

Medidas cautelares e perícia técnica

O PM autor dos disparos pagou fiança e responde ao inquérito preliminar em liberdade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) recolheu as armas do agente e do criminoso abatido para exames no Instituto de Criminalística (IC) e no Instituto Médico Legal (IML). O órgão reitera o acompanhamento do Ministério Público nas etapas investigativas.

A divergência frontal entre os relatos exige celeridade do Estado. A Corregedoria precisa esclarecer o nível de preparo do agente à paisana em situações de extremo estresse. Inquéritos inconclusivos apenas corroem a confiança da sociedade. O desfecho legal do empresário morto no Butantã definirá a linha tênue entre a fatalidade urbana e o erro letal de quem detém o monopólio da força.

  • Publicado: 29/03/2026 15:41
  • Alterado: 29/03/2026 15:41
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: DHPP