Quadrilha do golpe do Pix é desmantelada em chácara na Grande SP
A Polícia Civil estourou uma central clandestina em Mairiporã e prendeu 11 criminosos em flagrante aplicando estelionato digital.
- Publicado: 02/04/2026 12:23
- Alterado: 02/04/2026 12:23
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
A escalada dos golpes via Pix exige atenção redobrada da população. A Polícia Civil invadiu uma propriedade em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, para interromper uma central criminosa na tarde de quarta-feira (1º). Onze pessoas acabaram presas em flagrante. Os suspeitos, com idades entre 20 e 35 anos, gerenciavam um complexo esquema de roubo virtual.
Como a quadrilha de golpes via Pix operava
Os policiais chegaram ao esconderijo após rastrear o fluxo irregular de informações. O local funcionava como um autêntico escritório do crime. A movimentação suspeita de veículos na entrada da chácara confirmou a denúncia investigada pelos agentes.
Um dos criminosos tentou fugir ao notar a aproximação das viaturas. Ele desobedeceu a ordem de parada, mas os policiais interceptaram o carro rapidamente. O suspeito confessou a operação ilegal que acontecia dentro da residência.
A estrutura contava com equipamentos de ponta e dezenas de operadores focados em enganar vítimas simultaneamente.
O roteiro da fraude
O método da quadrilha do pix explorava o pânico dos cidadãos. O bando disparava mensagens de texto simulando compras indevidas de alto valor nos cartões das vítimas. Assustadas, as pessoas ligavam para os números falsos indicados no próprio alerta.
Atendentes bem treinados simulavam o ambiente de uma central de segurança bancária. Eles convenciam o alvo a realizar transferências via pix para contas de laranjas. O pretexto utilizado era o cancelamento das supostas transações fraudulentas.
A compra de dados vazados
Informação é a principal arma do estelionato moderno. Os criminosos alimentavam seus sistemas através do mercado negro da internet. Eles cruzavam informações sigilosas com perfis abertos em redes sociais para tornar a abordagem assustadoramente realista.
A investigação revelou os custos operacionais do esquema:
- O grupo pagava cerca de R$ 500 por lotes contendo mil registros pessoais.
- Os dados forneciam histórico bancário e detalhes para engenharia social.
- A personalização do contato derrubava as barreiras de desconfiança da vítima.
Epidemia de call centers do crime em São Paulo
Os investigadores apreenderam três veículos, cadernos de anotações e farto material tecnológico. Notebooks e dezenas de celulares foram enviados para perícia técnica especializada. O Setor de Investigações Gerais (SIG) de Franco da Rocha assumiu a custódia do grupo.
O estado de São Paulo enfrenta uma proliferação de escritórios do estelionato. Quadrilhas alugam imóveis amplos e estruturam divisões claras de tarefas. Eles separam o núcleo de captação de dados das equipes de extorsão direta.
Operações recentes mostram a capacidade de articulação dessa rede:
- 24 de março: 16 presos na zona leste da capital pelo golpe do falso advogado.
- 26 de março: 10 operadores detidos em Suzano utilizando tática semelhante.
- Material retido: Mais de 60 telefones, cartões bancários e fones headsets apreendidos nessas ações.
A desarticulação desses núcleos paralisa momentaneamente as fraudes em massa. O desafio agora é rastrear os líderes que financiam e lucram com toda essa estrutura clandestina. Fique alerta, encerre ligações suspeitas e jamais faça transferências sob pressão para evitar os golpes via Pix.