Desmatamento menor da Amazônia evita até 1.700 mortes por ano

Além de proteger a biodiversidade e conter a emissão de gases de efeito estufa,a forte redução do desmatamento que ocorreu na Amazônia nos últimos dez anos teve um efeito positivo na saúde

Desmatamento menor da Amazônia evita até 1.700 mortes por ano

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É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Brasil divulgado na quarta-feira, 16.

A pesquisa, publicada no periódico Nature Geoscience, é a primeira a mostrar a relação entre desmatamento e melhora da saúde. A ideia é que se a perda florestal foi menor isso significa que houve menos queimadas e, portanto, menos fumaça contendo material particulado e outros poluentes, como monóxido de carbono (CO)e óxidos de nitrogênio.

Trabalhando com imagens de satélite, medições no solo, modelos de circulação atmosférica e cálculos que relacionam poluição e doenças, os autores concluíram que, com menos queimadas, diminuiu em até 30% a camada de fumaça. Com isso, de 400 a 1.700 mortes podem estar sendo evitadas anualmente na América do Sul.

A abrangência do benefício se dá – explica o físico Paulo Artaxo da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores – porque a fumaça, principalmente no sudoeste da Amazônia (onde está o chamado arco do desmatamento), é transportada com o vapor d’água para todo o continente.

Segundo ele, no auge do desmatamento, que chegou a 27 mil km² em 2004, era possível ver claramente do espaço uma grossa camada de fumaça sobre a região. Hoje a taxa anual está em cerca de 5 mil km², uma redução de mais de 80%. Ainda é possível ver a fumaça pelos satélites, mas a espessura já é bem menor.

Fluxo de fumaça

Os pesquisadores, liderados por Dominick Spracklen, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, analisaram a profundidade da camada de fumaça por imagens de satélite e com sensores localizados no solo durante a temporada seca no sudoeste da Amazônia, entre agosto e outubro, no período de 2001 a 2012. “Em anos com altas taxas de desmatamento, a atmosfera estava muito mais poluída, se comparada a anos com baixo desmatamento. Com a forte queda, os níveis de poluentes associados também diminuíram”, diz Artaxo.

Essas observações foram combinadas com modelos atmosféricos de circulação. A fumaça vinda da Amazônia vem parar, por exemplo, no Sudeste. Considerando a densidade populacional, Artaxo estima que os maiores benefícios da redução das queimadas foram sentidos nessa parte do País. “Mas claro que no entorno a melhora também é visível”, afirma.

  • Publicado: 17/09/2015 16:26
  • Alterado: 16/08/2023 18:32
  • Autor: Redação ABCdoABC