Governo estuda oferta de canetas emagrecedoras no SUS

Ministério da Saúde analisa incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS para atender pacientes em fila de cirurgia bariátrica

Governo estuda oferta de canetas emagrecedoras no SUS

Crédito: Freepik

Durante agenda oficial acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no município de Montes Claros, em Minas Gerais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou na quinta-feira (17) os primeiros desdobramentos sobre o processo de avaliação para a incorporação das chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O anúncio ocorreu durante uma visita técnica às instalações da fábrica da farmacêutica Eurofarma. Na ocasião, o ministro reforçou que a intenção do governo federal é garantir a distribuição gratuita das canetas emagrecedoras na rede pública de saúde de forma responsável e com respaldo técnico.

Alexandre Padilha destacou que o avanço da produção e o aumento de registros no país já têm gerado reflexos diretos no mercado. “O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população”, pontuou o ministro.

Alexandre Padilha. canetas emagrecedoras
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ele enfatizou a queda nos valores praticados no comércio farmacêutico privado. “O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito. E vamos fazer isso de forma responsável”, declarou Padilha.

O titular da pasta da Saúde ressaltou que a inclusão das canetas emagrecedoras no sistema público não terá finalidade estética, mas sim o atendimento a quadros clínicos graves. O foco da avaliação abrange pessoas com indicação para cirurgia bariátrica, pacientes com complicações cardíacas e mulheres em acompanhamento pós-tratamento de câncer de mama.

“Não estamos tratando isso como um milagre estético. Estamos avaliando pessoas que estavam na fila de cirurgia bariátrica para saber se o uso dessa medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia”, explicou o ministro durante a apresentação dos dados.

canetas emagrecedoras
Reprodução

“Também avaliamos se melhora a situação de pessoas que têm obesidade e problemas cardíacos, e de mulheres que tiveram câncer de mama, verificando se a utilização dessa medicação pode reduzir o risco de o câncer voltar. São pessoas que precisam do medicamento, com orientação médica. Vamos deixar pronto o protocolo para podermos disponibilizá-lo no SUS, em todo o Brasil, de forma responsável”, complementou.

A iniciativa alinha-se às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientou os países a avaliarem o acesso as canetas emagrecedoras devido aos benefícios metabólicos e vasculares associados ao tratamento da obesidade.

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriram diálogo com indústrias farmacêuticas nacionais e internacionais para viabilizar a fabricação das canetas emagrecedoras em solo brasileiro, aproveitando o cenário de expiração de patentes do composto ativo.

Wegovy. canetas emagrecedoras
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Os primeiros testes práticos vêm sendo executados por meio do estudo Real-Bari, desenvolvido em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. O projeto piloto acompanha 250 voluntários diagnosticados com obesidade severa ou associada a comorbidades.

Padilha compartilhou os dados iniciais do primeiro paciente beneficiado pelo programa no Rio Grande do Sul. “O primeiro paciente que recebeu essa medicação pelo SUS estava na fila da cirurgia bariátrica. Ele já perdeu seis quilos e reduziu a circunferência”, relatou.

O ministro encerrou destacando o impacto positivo na rotina do participante. “E o que é mais legal: ele conta que já mudou os hábitos de vida. Começou a ajudar a mãe em casa, a sair de casa e a fazer atividade física”, concluiu o ministro da Saúde.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 18/09/2026 10:49
  • Alterado: 18/09/2026 10:49
  • Autor: Daniela Ferreira