Custo Brasil e juros altos são desafios para PMEs no ABC
ACISBEC aponta elementos que agravam cenário de inadimplência, ecoando dados nacionais que mostram PMEs no ABC em dificuldade
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O caixa das PMEs no ABC e em todo o país tem sido pressionado pelo cenário econômico nacional, marcado pela taxa Selic mantida em 15% ao ano, o que resulta na elevação do custo do crédito. Para Evenson Robles Dotto, presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo André (ACISA), os juros elevados dificultam a busca por financiamentos para manter o capital de giro. Além disso, “a inflação corrói as margens já apertadas“, aponta Dotto.
Na região, a situação ganha contornos locais específicos, conforme explica Valter Moura Junior, presidente da Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo (ACISBEC). Para Moura Junior, o desafio vai além da taxa de juros e encontra seu principal obstáculo no chamado “Custo Brasil“.
“A gente tem hoje uma questão principal, que é o Custo Brasil. Ele é extremamente elevado para quem quer empreender“, afirma Moura Junior. “Você percebe que os gastos públicos estão cada vez maiores e, obviamente, isso impacta no aumento de impostos. O Governo Federal não consegue equilibrar suas contas.“
Se por um lado o custo é elevado, por outro, o retorno é menor do que o esperado: “falta apoio governamental para a criação de uma política industrial de médio e longo prazo“, critica Dotto, concordando com seu colega da cidade vizinha.
Essa pressão fiscal se soma aos dados nacionais. O reflexo direto é sentido no capital de giro das PMEs no ABC, que se enquadram no levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), onde 71% das PMEs brasileiras relatam dificuldade em manter caixa suficiente para as despesas mensais, especialmente no varejo e serviços, setores fortes na região.
Empreendedor por necessidade e a falta de planejamento

Valter Moura Junior destaca ainda um fator cultural que agrava a gestão financeira no Brasil e na região: o “empreendedorismo por necessidade“, que supera o de oportunidade.
“As pessoas no Brasil empreendem porque foram mandadas embora, perdem o emprego, abrem um MEI ou uma pequena empresa sem qualificação profissional, sem a ideia de como é ser um empresário“, explica o presidente da ACISBEC.
Essa falta de preparo inicial é um risco direto para as PMEs no ABC. A advogada e empresária Mayra Saitta, especialista em Direito Empresarial, concorda que a gestão é o ponto nevrálgico. “Muitos empresários ainda não separam contas pessoais das empresariais, o que distorce o resultado real da empresa“, afirma.
Saitta alerta para outro elemento-chave: com juros a 15%, “o crédito deixa de ser solução emergencial e passa a ser um risco“.
O gargalo do crédito e a inadimplência crescente entre PMEs no ABC
Enquanto os dados do Banco Central mostram que a inadimplência média das empresas subiu para 5,4% no segundo semestre de 2025, o desafio para as PMEs no ABC é duplo. Segundo Valter Moura Junior, existe dinheiro disponível no mercado através de fundos e programas como o Desenvolve SP, mas falta o principal para acessá-lo.
“O que falta são projetos confiáveis. As pequenas e microempresas carecem disso também”, aponta.
Sem planejamento para acessar crédito saudável e pressionado pelo Custo Brasil, a inadimplência torna-se uma consequência direta. “Se você tem um custo elevado, se você não consegue o capital de giro, você acaba não cumprindo com as obrigações. Isso também é uma tendência“, lamenta Moura Junior.
Para quem já está no vermelho, Mayra Saitta aconselha agilidade: “Negociar prazos e taxas com os bancos é essencial. Hoje, as instituições estão mais abertas a acordos diretos“.
Leia mais: ACISBEC é palco histórico do empreendedorismo feminino
O papel das associações para mudar o cenário

Diante de um cenário onde o Banco Central só sinaliza uma redução gradual da Selic a partir do segundo trimestre de 2026, a saída para as PMEs no ABC está na gestão local, inclusive no apoio associativo.
Valter Moura Junior afirma que esse é o papel central das associações comerciais. “O que as associações fazem? Cursos de capacitação, de qualificação, de conscientização. Trazer esse empresário para que ele consiga um tempo para discutir, para parar”.
A conclusão de ambos os especialistas é a mesma: o momento exige estratégia para as PMEs no ABC. “A Selic alta força o empreendedor a ser mais estratégico. É o momento de investir em conhecimento e gestão, não em endividamento”, finaliza Mayra Saitta.
Para Moura Junior, a solução passa por uma ação conjunta: “A gente precisaria reduzir esses impactos, mas com a ajuda do próprio empresário, do próprio governo e das associações comerciais.“