Correios lançam marketplace para diversificar receitas em meio a prejuízo bilionário
Nova plataforma aposta em variedade de produtos e parceria com grandes marcas para conquistar o e-commerce nacional
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 02/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Diante de um prejuízo acumulado de R$ 2,59 bilhões em 2024, os Correios decidiram investir em uma nova estratégia para diversificar suas fontes de receita e tentar equilibrar as contas. A estatal lançou nesta semana o Mais Correios, um marketplace digital com cerca de 500 mil produtos distribuídos em 25 categorias distintas.
A plataforma, lançada no dia 1º de julho, chega ao mercado com o slogan “Democratizando as compras online” e busca se destacar pela variedade de produtos, que vai desde equipamentos odontológicos e itens automotivos até artigos de construção, agropecuária e kits para bebês. O objetivo é atrair públicos diversos, ampliando o alcance da estatal no setor de comércio eletrônico.
Mais que um marketplace: parcerias e funcionalidades
Embora ofereça uma grande diversidade de itens, o Mais Correios ainda conta com poucos vendedores próprios. Boa parte do catálogo disponível é proveniente de grandes plataformas já consolidadas, como Casas Bahia, Ponto Frio, Extra, WebContinental e ShopHub. Segundo comunicado da estatal, o novo canal não pretende competir diretamente com esses marketplaces, mas funcionar como uma “parceira estratégica” para ampliar visibilidade e conversões.
Além disso, o novo marketplace permite compras parceladas em até dez vezes sem juros, inclusive utilizando dois cartões de crédito simultaneamente. A plataforma também deve ganhar, ainda neste semestre, um sistema próprio de pagamentos, ampliando a autonomia operacional da iniciativa.
A estrutura tecnológica e o suporte do Mais Correios são responsabilidade da Infracommerce, empresa especializada em soluções para o comércio digital, que atualmente passa por um processo de reestruturação com dívidas estimadas em R$ 700 milhões.
E-commerce em alta e desafios internos
O lançamento do Mais Correios ocorre em um cenário promissor para o comércio eletrônico brasileiro. Em 2024, o setor registrou um crescimento de 19%, movimentando R$ 351,4 bilhões, segundo a consultoria NielsenIQ. O número de consumidores online ativos também aumentou, atingindo a marca de 125,6 milhões de pessoas, o que representa cerca de metade da população do país.
Apesar do potencial do setor, a estatal enfrenta uma série de dificuldades financeiras. No primeiro trimestre de 2025, o prejuízo já somava R$ 1,7 bilhão, o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores apontados para o desempenho negativo estão a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a incidir sobre compras internacionais de até US$ 50 a partir de agosto de 2024, afetando diretamente o volume de encomendas vindas de plataformas asiáticas.
Para enfrentar essa crise, os Correios anunciaram um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e preveem cortar R$ 1,5 bilhão em despesas ao longo de 2025. A empresa também planeja modernizar sua infraestrutura e ampliar a oferta de serviços digitais, apostando na tecnologia como aliada na recuperação financeira.
Estratégia de sobrevivência
Em nota, os Correios afirmam que o Mais Correios é um dos principais projetos estruturantes da estatal e que ele tem papel fundamental na busca por sustentabilidade econômica. Embora a empresa não tenha divulgado os valores investidos, metas de faturamento ou detalhes sobre prazos de entrega e número de lojistas parceiros, o movimento sinaliza uma tentativa de reposicionamento frente ao crescimento das vendas online e à transformação digital do setor logístico.
A adesão dos consumidores e o desempenho da plataforma nos próximos meses serão cruciais para definir se a aposta trará os resultados esperados em meio à turbulência financeira que a empresa enfrenta.