Câncer colorretal em jovens: aumento alarmante no Brasil traz alerta após a morte de Preta Gil
O câncer colorretal cresce alarmantemente entre jovens no Brasil, com aumento de 70% nos últimos 30 anos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No Brasil, dados preliminares indicam um aumento alarmante da incidência de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. O recente falecimento da cantora e apresentadora Preta Gil, aos 50 anos, devido a complicações dessa doença, trouxe à tona essa realidade preocupante.
Os especialistas têm utilizado termos como “assustador” e “preocupante” para descrever essa tendência crescente. De acordo com médicos consultados pela BBC News Brasil, o câncer colorretal é uma questão de saúde global que requer atenção urgente.
Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023, aos 48 anos. Essa forma de câncer, que afeta o cólon e o reto, está entre as mais impactantes para a saúde pública e qualidade de vida. Nas últimas décadas, observou-se uma estabilização nos casos entre a população mais velha, enquanto os diagnósticos em jovens estão em ascensão rápida.

O oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, aponta que houve um aumento de até 70% na incidência desse tipo de câncer em pacientes jovens quando comparado a 30 anos atrás. Nos Estados Unidos, onde essa tendência foi primeiramente identificada, a idade recomendada para exames preventivos caiu de 50 para 45 anos. No Brasil, sinais semelhantes começam a surgir.
Um relatório da Sociedade Americana de Câncer revelou que, em 2019, 20% dos diagnósticos de câncer colorretal nos EUA foram realizados em pessoas abaixo de 55 anos, uma taxa que dobrou desde 1995. As previsões para 2023 incluem aproximadamente 19.500 casos e cerca de 3.700 mortes entre os mais jovens.
Câncer colorretal
No Brasil, a epidemiologista Marianna Cancela, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), confirmou um aumento nas taxas ajustadas por idade entre todas as faixas etárias. Em homens de 20 a 49 anos, os casos subiram de aproximadamente cinco para seis por 100 mil habitantes entre 2000 e 2017.
Cancela também destacou que, apesar do crescimento observado nas mulheres jovens, os números ainda não são estatisticamente significativos. Entretanto, o aumento é notável nas faixas etárias superiores a 50 anos.
A análise realizada pelo Inca indica que o câncer colorretal pode se tornar um dos principais responsáveis por mortes no futuro próximo. Entre 2001 e 2005, esse tipo de tumor ocupava a sétima posição em termos de impacto na vida produtiva dos homens; já para o período entre 2026 e 2030, espera-se que suba para o terceiro lugar.
O oncologista Samuel Aguiar Jr., do A.C. Camargo Cancer Center, afirma que essa realidade é um alerta mundial e observa que é comum ver jovens diagnosticados com câncer colorretal. O impacto emocional e social sobre esses indivíduos é significativo, pois muitos estão em fase crucial da vida adulta.
As causas desse aumento são ainda objeto de pesquisa. Possíveis explicações incluem mudanças na dieta e estilo de vida modernos — uma transição para alimentos ultraprocessados e sedentarismo — além do uso indiscriminado de antibióticos.
Para abordar essa questão no Brasil, especialistas propõem a implementação de programas de rastreamento adequados. Atualmente não há um esquema público estabelecido como acontece com outros tipos de câncer. O Inca está trabalhando na criação de um programa específico para o câncer colorretal.
Os métodos recomendados incluem o exame de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia. Enquanto a colonoscopia é considerada o padrão ouro devido à sua precisão na detecção, ela apresenta limitações práticas em sua aplicação generalizada. Assim, um esquema inicial baseado no exame simples poderia facilitar o diagnóstico precoce.
Apesar das preocupações quanto ao aumento da incidência entre os jovens, os avanços nos tratamentos têm proporcionado melhores prognósticos. A detecção precoce do câncer colorretal pode levar a taxas de cura superiores a 95%. Mesmo nos casos mais avançados, as melhorias nas opções terapêuticas têm ampliado as expectativas de vida dos pacientes.
Por fim, Aguiar Jr. enfatiza a importância da vigilância sobre sintomas gastrointestinais anormais como sangramentos ou alterações no ritmo intestinal. Essas manifestações devem ser investigadas prontamente por profissionais da saúde independentemente da idade do paciente.
