Câncer colorretal em jovens: aumento alarmante no Brasil traz alerta após a morte de Preta Gil

O câncer colorretal cresce alarmantemente entre jovens no Brasil, com aumento de 70% nos últimos 30 anos

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

No Brasil, dados preliminares indicam um aumento alarmante da incidência de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. O recente falecimento da cantora e apresentadora Preta Gil, aos 50 anos, devido a complicações dessa doença, trouxe à tona essa realidade preocupante.

Os especialistas têm utilizado termos como “assustador” e “preocupante” para descrever essa tendência crescente. De acordo com médicos consultados pela BBC News Brasil, o câncer colorretal é uma questão de saúde global que requer atenção urgente.

Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023, aos 48 anos. Essa forma de câncer, que afeta o cólon e o reto, está entre as mais impactantes para a saúde pública e qualidade de vida. Nas últimas décadas, observou-se uma estabilização nos casos entre a população mais velha, enquanto os diagnósticos em jovens estão em ascensão rápida.

Preta Gil
Reprodução/Instagram – Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023

O oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, aponta que houve um aumento de até 70% na incidência desse tipo de câncer em pacientes jovens quando comparado a 30 anos atrás. Nos Estados Unidos, onde essa tendência foi primeiramente identificada, a idade recomendada para exames preventivos caiu de 50 para 45 anos. No Brasil, sinais semelhantes começam a surgir.

Um relatório da Sociedade Americana de Câncer revelou que, em 2019, 20% dos diagnósticos de câncer colorretal nos EUA foram realizados em pessoas abaixo de 55 anos, uma taxa que dobrou desde 1995. As previsões para 2023 incluem aproximadamente 19.500 casos e cerca de 3.700 mortes entre os mais jovens.

Câncer colorretal

No Brasil, a epidemiologista Marianna Cancela, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), confirmou um aumento nas taxas ajustadas por idade entre todas as faixas etárias. Em homens de 20 a 49 anos, os casos subiram de aproximadamente cinco para seis por 100 mil habitantes entre 2000 e 2017.

Cancela também destacou que, apesar do crescimento observado nas mulheres jovens, os números ainda não são estatisticamente significativos. Entretanto, o aumento é notável nas faixas etárias superiores a 50 anos.

A análise realizada pelo Inca indica que o câncer colorretal pode se tornar um dos principais responsáveis por mortes no futuro próximo. Entre 2001 e 2005, esse tipo de tumor ocupava a sétima posição em termos de impacto na vida produtiva dos homens; já para o período entre 2026 e 2030, espera-se que suba para o terceiro lugar.

O oncologista Samuel Aguiar Jr., do A.C. Camargo Cancer Center, afirma que essa realidade é um alerta mundial e observa que é comum ver jovens diagnosticados com câncer colorretal. O impacto emocional e social sobre esses indivíduos é significativo, pois muitos estão em fase crucial da vida adulta.

As causas desse aumento são ainda objeto de pesquisa. Possíveis explicações incluem mudanças na dieta e estilo de vida modernos — uma transição para alimentos ultraprocessados e sedentarismo — além do uso indiscriminado de antibióticos.

Para abordar essa questão no Brasil, especialistas propõem a implementação de programas de rastreamento adequados. Atualmente não há um esquema público estabelecido como acontece com outros tipos de câncer. O Inca está trabalhando na criação de um programa específico para o câncer colorretal.

Os métodos recomendados incluem o exame de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia. Enquanto a colonoscopia é considerada o padrão ouro devido à sua precisão na detecção, ela apresenta limitações práticas em sua aplicação generalizada. Assim, um esquema inicial baseado no exame simples poderia facilitar o diagnóstico precoce.

Apesar das preocupações quanto ao aumento da incidência entre os jovens, os avanços nos tratamentos têm proporcionado melhores prognósticos. A detecção precoce do câncer colorretal pode levar a taxas de cura superiores a 95%. Mesmo nos casos mais avançados, as melhorias nas opções terapêuticas têm ampliado as expectativas de vida dos pacientes.

Por fim, Aguiar Jr. enfatiza a importância da vigilância sobre sintomas gastrointestinais anormais como sangramentos ou alterações no ritmo intestinal. Essas manifestações devem ser investigadas prontamente por profissionais da saúde independentemente da idade do paciente.

Marcelo Camargo – Agência Brasil – Saúde
  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 21/07/2025
  • Fonte: Sorria!,