Câmbio deve pressionar Banco Central no 2º semestre, diz CSESP
FecomercioSP projeta piora cambial na segunda metade do ano e alerta para impactos diretos na inflação e na taxa básica de juros do país.
- Publicado: 30/06/2026 16:54
- Alterado: 30/06/2026 16:54
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
A depreciação do câmbio projetada para os próximos meses coloca o Banco Central em uma posição de alerta máximo. O Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP), vinculado à FecomercioSP, divulgou nesta terça-feira (30) uma análise que aponta para um cenário econômico altamente restritivo.
As condições globais desfavoráveis lideram os fatores de instabilidade. Conflitos armados no Oriente Médio, indicadores econômicos incertos na China e dúvidas sobre o rumo da economia dos Estados Unidos formam uma tempestade perfeita contra a moeda brasileira.
O ambiente externo conturbado eleva os juros internacionais e encarece o barril de petróleo. Essa dinâmica fortalece a depreciação do câmbio e restringe severamente a capacidade de manobra da autoridade monetária brasileira.
Efeitos da depreciação do câmbio no mercado interno
O governo federal planeja injetar R$ 210 bilhões na economia nacional ainda este ano. O mercado de trabalho segue aquecido, enquanto a inflação já opera acima da meta estabelecida pela equipe econômica do governo.
A combinação entre o forte estímulo fiscal e a perda de valor da moeda cria um panorama de pressões cruzadas. O país sofre um choque de oferta motivado pelo encarecimento de produtos importados e um choque de demanda derivado da injeção de gastos públicos.
“A expansão dos gastos públicos seguirá como um dos pontos mais significativos da política econômica brasileira neste próximo semestre”, observa Antônio Lanzana, presidente do CSESP.
Risco de inflação e estabilidade da Selic
O impulso fiscal evita uma desaceleração profunda da atividade econômica no curto prazo. A contrapartida desse movimento, somada à contínua depreciação do câmbio, recai diretamente sobre o custo de vida da população.
Fatores climáticos como o El Niño também exercem impacto direto sobre os preços dos alimentos nas prateleiras. Qualquer tentativa de reduzir os juros neste momento sinalizaria uma rendição do Banco Central, afetando negativamente as expectativas do mercado financeiro.
“O cenário impactará diretamente as empresas, na medida em que obrigará o BC a manter a taxa básica de juros do país na casa dos 14%”, conclui Lanzana.
A preservação da credibilidade institucional exige firmeza da autoridade monetária nos próximos meses. Sem um controle rigoroso das contas públicas, a depreciação do câmbio continuará ditando os rumos da economia e prolongando o ciclo de juros elevados no Brasil.