Boleto e Pix parcelado destravam vendas no e-commerce
Endividamento e falta de limite no cartão travam 80% das compras. Fintechs apostam em alternativas.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O comércio eletrônico brasileiro vive um paradoxo: o interesse do consumidor atinge recordes, mas a conversão no checkout despenca. A Black Friday de 2024, por exemplo, movimentou R$ 9,38 bilhões (Neotrust), um crescimento de 10,7%. No entanto, dados do E-commerce Radar acendem um alerta: mais de 80% das compras iniciadas são abandonadas.
O principal obstáculo não é o desejo, mas o crédito. Com 78,2% das famílias brasileiras endividadas no início de 2025 (CNC) — o maior índice desde 2010 —, o limite do cartão de crédito tornou-se o grande vilão das vendas online. Para contornar essa barreira, o boleto e Pix parcelado surgem como as soluções definitivas para destravar a receita.
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O Vilão do Checkout: Limite do Cartão
A frustração no pagamento é a causa primária do abandono de carrinho. Uma pesquisa da OneKey Payments (“Pagamentos Disruptivos”) revelou que 82% dos consumidores desistem da compra no checkout. Os motivos principais são falhas na autenticação bancária e, sobretudo, a falta de limite no cartão.
O consumidor quer comprar, enche o carrinho, mas é barrado na hora de pagar. Fintechs especializadas, como a TMB, identificaram que o problema não está na oferta, mas no meio de pagamento.
“Grande parte dos consumidores quer comprar, mas não consegue pagar. Oferecer alternativas além do cartão é o que transforma intenções em conversão”, afirma Reinaldo Boesso, CEO e cofundador da TMB, fintech que oferece soluções de crédito via boleto e Pix parcelado.
A Diferença entre Interesse e Venda Concreta
A TMB, sediada em São José dos Campos (SP), foca sua tecnologia em infoprodutores, um mercado de ticket médio elevado. A solução da empresa permite que criadores digitais ofereçam parcelamento por boleto e Pix, contornando a necessidade de limite do cliente final.
Essa abordagem se mostra crucial quando os números são analisados de perto. Sem alternativas como o boleto e Pix parcelado, a venda simplesmente não acontece.
“O brasileiro tem, em média, R$ 1.400 de limite no cartão de crédito, enquanto o ticket médio de um curso online passa de R$ 1.900. Essa diferença explica por que muitos carrinhos ficam cheios, mas as vendas não se concretizam. É um problema de crédito, não de interesse”, explica o executivo.

Pix e Boleto: A Virada nos Meios de Pagamento
O uso do boleto e Pix parcelado é eficaz por não depender da aprovação de crédito bancário, facilitando transações de maior valor, como cursos e mentorias, que antes eram perdidas.
A confiança do consumidor em novos métodos é visível. Segundo a Reuters, o valor transacionado via Pix na Black Friday 2024 mais que dobrou, saltando de R$ 58,9 bilhões para R$ 130 bilhões em um ano.
A TMB utiliza essa tendência em sua estratégia, lançando uma campanha de Black Friday 2025 com taxa zero e reativando a parceria com a Livelo (até 1 milhão de pontos) para parceiros que usarem o boleto e Pix parcelado.
“Nosso papel é democratizar o acesso e dar autonomia financeira aos criadores digitais. As opções de pagamento oferecem liberdade para o cliente e previsibilidade para o vendedor. Não é só sobre vender mais, mas sobre construir sustentabilidade financeira no digital”, afirma Boesso.
A mudança é iminente. Um estudo da EBANX e PCMI prevê que o Pix deve ultrapassar o cartão de crédito no e-commerce em 2025, respondendo por 44% das transações online, contra 41% dos cartões.
Para Boesso, o mercado precisa ajustar o foco: “A maioria das empresas se concentra em criar a melhor oferta, mas esquece de olhar para o pagamento. E é ali que se perde boa parte da receita. Ao dar opções fora do sistema bancário tradicional, mostramos que o problema não é o consumidor, é o meio”, conclui o CEO da TMB.