Casa própria: 95% dos jovens brasileiros sonham com ela
Pesquisa da PUCPR mostra que, apesar do avanço do aluguel, o desejo pelo imóvel próprio segue forte nas gerações Y e Z.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 19/10/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Mesmo em um cenário de juros elevados e com imóveis cada vez mais caros, o sonho da casa própria permanece como um objetivo central para a nova geração de brasileiros. Dados do Censo 2022 (IBGE) mostram que um em cada cinco brasileiros vive de aluguel, mas um novo estudo aponta que essa não é a preferência definitiva.
Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) constatou que 95% dos jovens brasileiros ainda planejam ter um imóvel próprio para viver na terceira idade.
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O Fim do Mito da “Geração Aluguel”
O estudo, que analisou as preferências habitacionais da classe média urbana em diferentes faixas etárias, sugere que as soluções temporárias, como o aluguel, não eliminaram o desejo pela aquisição.
“Os padrões observados desafiam narrativas simplistas de uma suposta ‘geração aluguel’. Há uma série de fatores – individuais, sociais, temporais e espaciais -, que, somados às condições econômicas, mudanças políticas e circunstâncias pessoais, ajudam a explicar o desejo pela casa própria”, afirma o urbanista Rafael Kalinoski, doutor e pesquisador da PUCPR.
Perfis Geracionais: Flexibilidade Hoje, Imóvel Amanhã
A pesquisa mapeou três perfis distintos de aspiração habitacional:
- Tradicional (Boomers, 1945-1964): Associa a posse do imóvel à segurança e ao status social.
- Pragmático (Geração X, 1965-1984): Vê o imóvel como proteção do patrimônio familiar e garantia de valorização.
- Flexível (Gerações Y e Z, a partir de 1985): Prioriza liberdade, experiências (como viagens) e mobilidade, evitando financiamentos longos.
Apesar desse perfil “flexível” ser o mais associado aos jovens, o estudo revela que o desejo de ter uma casa própria no futuro permanece latente.
“Embora o aluguel tenha ganhado espaço nos centros urbanos, 90% dos entrevistados afirmaram desejar a casa própria na terceira idade. Para a maioria, o aluguel é uma solução temporária diante das dificuldades econômicas, e não uma escolha definitiva de estilo de vida”, explica Kalinoski.
Entre os jovens das gerações Y (nascidos entre 1985 e 1999) e Z (a partir dos anos 2000), o percentual é ainda mais expressivo: 94,6% almejam o imóvel.
O pesquisador pondera que a adesão ao aluguel pode não ser uma escolha, mas uma necessidade. “Não estarem presos a uma propriedade permite que explorem oportunidades educacionais, profissionais e pessoais sem as restrições que a aquisição de uma casa própria e suas dívidas associadas podem impor. Mas os jovens podem abraçar esse ideal não porque realmente o prefiram, mas porque veem a aquisição de uma casa própria como inatingível”, revela.

Preferência de Moradia: Jovens Querem Casas
Outra descoberta da pesquisa da PUCPR é a diferença no tipo de moradia desejada. As gerações mais novas sonham predominantemente em viver em casas, enquanto as mais velhas demonstram preferência por apartamentos.
- Geração Z: 75% sonham em viver em casas.
- Geração Y: 58,1% preferem casas.
- Geração X: Apenas 38,2% preferem casas.
- Boomers: Apenas 38% preferem casas (46,8% deles preferem apartamentos).
Kalinoski atribui isso ao “efeito de experiência”: “quanto mais vivências habitacionais ao longo da vida, maior o reconhecimento das vantagens práticas dos apartamentos, como acessibilidade, segurança e baixa manutenção”.
O estudo, financiado pela CAPES e CNPq, foi publicado em julho de 2025 no International Journal of Urban and Regional Research (IJURR). O desejo pela casa própria no Brasil, conclui-se, está longe de acabar.